sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Bear with me

Medos terríveis me afligem quando estou só, à mercê da minha consciência. De dentro para fora meu corpo grita em uníssono pedindo calma. Já é tarde, muito tarde, tarde demais, mas é o que tenho agora. Anseio por um pouco de ar que não carregue o peso marcado em minha memória, por uma história que não seja minha, vãs aventuras. Restos de amanhãs plausíveis unem minhas mãos em súplica; temo que a jornada seja longa. Se ao menos por um segundo... e lá se vai mais um suspiro por entre meus longos dedos - doçura triste a beliscar-me a alma.



Bear with me

Medos terríveis me afligem quando estou só, à mercê da minha consciência. De dentro para fora meu corpo grita em uníssono pedindo calma. Já é tarde, muito tarde, tarde demais, mas é o que tenho agora. Anseio por um pouco de ar que não carregue o peso marcado em minha memória, por uma história que não seja minha, vãs aventuras. Restos de amanhãs plausíveis unem minhas mãos em súplica; temo que a jornada seja longa. Se ao menos por um segundo... e lá se vai mais um suspiro por entre meus longos dedos - doçura triste a beliscar-me a alma.



quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Coraggio

Falta menos de um mês pra tanta coisa e eu não faço senão correr - contra o tempo, a chuva, o medo de perder a saúde, o juízo... mil caraminholas soltas. Corro e deixo o what if pra lá, o fuck off pro ano que vem. Brinco, xingo, olho pra todo lado e me pergunto pra onde foi o dia quando a noite cai e você adentra sorrateiro por meu sono tardio, com um sorriso de menino a dizer-me 'fazer o quê? eu sou sua pessoa e você é a minha, bem naquele esquema do parceiro ideal que a gente ignora porque é fácil ou difícil demais.' 'você é a minha', você sussurra enquanto se aproxima, o corpo todo a dizer-me que não é trama de novela, que a coisa toda vem de uma vida inteira, planos além da nossa compreensão. 'eu sou a sua', um sorriso tímido te escapa e posso sentir o calor das suas mãos inexperientes sem que você me toque, o peito ávido por uma promessa, pelo sim que hei de fazer com a cabeça antes de incliná-la rumo ao seu rosto pálido sem qualquer explicação. Acordo pensando que o tempo virou nossas vidas ao avesso, escreveu em nossos caminhos genuínas lições de vida, que partilharemos anos mais tarde sem muita convicção. Por aqui, a espera alimenta a coragem.

Coraggio

Falta menos de um mês pra tanta coisa e eu não faço senão correr - contra o tempo, a chuva, o medo de perder a saúde, o juízo... mil caraminholas soltas. Corro e deixo o what if pra lá, o fuck off pro ano que vem. Brinco, xingo, olho pra todo lado e me pergunto pra onde foi o dia quando a noite cai e você adentra sorrateiro por meu sono tardio, com um sorriso de menino a dizer-me 'fazer o quê? eu sou sua pessoa e você é a minha, bem naquele esquema do parceiro ideal que a gente ignora porque é fácil ou difícil demais.' 'você é a minha', você sussurra enquanto se aproxima, o corpo todo a dizer-me que não é trama de novela, que a coisa toda vem de uma vida inteira, planos além da nossa compreensão. 'eu sou a sua', um sorriso tímido te escapa e posso sentir o calor das suas mãos inexperientes sem que você me toque, o peito ávido por uma promessa, pelo sim que hei de fazer com a cabeça antes de incliná-la rumo ao seu rosto pálido sem qualquer explicação. Acordo pensando que o tempo virou nossas vidas ao avesso, escreveu em nossos caminhos genuínas lições de vida, que partilharemos anos mais tarde sem muita convicção. Por aqui, a espera alimenta a coragem.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

What's the time

Yes: time heals. It does. Time has created a safe distance between my present and times I was physically and emotionally violated; times I desired beyond my power; times I lived the impossible in my mind because I couldn't bear the thought of handling something real;  times I was not happy about being myself; times I dared to spread my pearls among bums. Today I remembered an ex-boyfriend... the idea of getting undressed in front of him, sharing a bathtub, singing in his ear, it all seemed so... awkward... having loved him felt strange, simply because the love file with his name on had been long erased from my PC. I felt awkward, then slightly embarrassed, and eventually I couldn't even wish he were happy because it sounded cheesy and surprisingly fake - there was nothing there at all, as though we had never met. 

So the answer is yes - time washes away the good and the evil, for better or worse. The interesting part of it, however, is the fact that we cannot programme how time operates - it could take minutes or decades to bury a memory, which means that digging a hole and throwing a piece of your mind into it won't do the trick - believe me. The better we try, the more we recall. When I came to terms with this undeniable truth, I decided to face my fears one by one - I thought life would give everyone a chance to explain, to try again or walk away... to say whatever there was to say. I guess that's why I waited so long for a couple of answers that never showed. Why, I had to make them up on my own - and life kept its frantic pace everywhere else on this planet. All I know is I've taken my chances - and what I can tell you is this: failing feels much better than trying helplessly to conceal a regret.

What's the time

Yes: time heals. It does. Time has created a safe distance between my present and times I was physically and emotionally violated; times I desired beyond my power; times I lived the impossible in my mind because I couldn't bear the thought of handling something real;  times I was not happy about being myself; times I dared to spread my pearls among bums. Today I remembered an ex-boyfriend... the idea of getting undressed in front of him, sharing a bathtub, singing in his ear, it all seemed so... awkward... having loved him felt strange, simply because the love file with his name on had been long erased from my PC. I felt awkward, then slightly embarrassed, and eventually I couldn't even wish he were happy because it sounded cheesy and surprisingly fake - there was nothing there at all, as though we had never met. 

So the answer is yes - time washes away the good and the evil, for better or worse. The interesting part of it, however, is the fact that we cannot programme how time operates - it could take minutes or decades to bury a memory, which means that digging a hole and throwing a piece of your mind into it won't do the trick - believe me. The better we try, the more we recall. When I came to terms with this undeniable truth, I decided to face my fears one by one - I thought life would give everyone a chance to explain, to try again or walk away... to say whatever there was to say. I guess that's why I waited so long for a couple of answers that never showed. Why, I had to make them up on my own - and life kept its frantic pace everywhere else on this planet. All I know is I've taken my chances - and what I can tell you is this: failing feels much better than trying helplessly to conceal a regret.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

True romance

Uau! This song threw me back in time so violently that I'm still struggling against my common sense...

True romance

Uau! This song threw me back in time so violently that I'm still struggling against my common sense...

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Nunca fui beijada

Ultimamente tenho postergado as obrigações e aceitado os fatos - sou mesmo grande demais para caber nessa lâmpada mágica (bem maior que três únicos desejos). Não caibo e também não pertenço; difícil a ponto de não valer a pena, ecoam as vozes que encontram meu pensamento. Talvez por isso mesmo eu insista em travar acordos unilaterais para o bem dos povos, e viaje a terras distantes buscando o segredo da resignação e da boa vontade. Nado para longe, olhos fechados, desejo impenetrável, intangível - sufocável, creio eu. Há pouco tempo parei tudo o que estava fazendo para mergulhar nos cinquenta tons de Christian Grey, só para descobrir que essa coisa de amor, paixão e suspiros ofegantes não cabe na extenuante jornada diária - nesse barco em que confiança e certeza oscilam pra sobreviver. Por que eu? Por que você? Como assim nós dois? Cada um de nós pensou um bocado, até um concluir que era pouco, que será sempre... que tanto faz. Lembrei-me dos rostos que já estamparam meus poemas, sem qualquer lembrança de belas rimas que evocassem o meu; histórias felizes; exercício de cura, de culpa, de puro altruísmo do mais egocêntrico... de let it be. Carrego a humildade e a perseverança na mesma moeda, que já começa a pesar em meu bolso, a cansar meus passos e rasgar-me a roupa como a dizer-me que essa renúncia à minha vileza não tem lá tanta importância. Vou embora pra casa com gosto de qualquer coisa na boca, sem me dar conta de que vencer só enche uma página da história... uma linha da vida.

Nunca fui beijada

Ultimamente tenho postergado as obrigações e aceitado os fatos - sou mesmo grande demais para caber nessa lâmpada mágica (bem maior que três únicos desejos). Não caibo e também não pertenço; difícil a ponto de não valer a pena, ecoam as vozes que encontram meu pensamento. Talvez por isso mesmo eu insista em travar acordos unilaterais para o bem dos povos, e viaje a terras distantes buscando o segredo da resignação e da boa vontade. Nado para longe, olhos fechados, desejo impenetrável, intangível - sufocável, creio eu. Há pouco tempo parei tudo o que estava fazendo para mergulhar nos cinquenta tons de Christian Grey, só para descobrir que essa coisa de amor, paixão e suspiros ofegantes não cabe na extenuante jornada diária - nesse barco em que confiança e certeza oscilam pra sobreviver. Por que eu? Por que você? Como assim nós dois? Cada um de nós pensou um bocado, até um concluir que era pouco, que será sempre... que tanto faz. Lembrei-me dos rostos que já estamparam meus poemas, sem qualquer lembrança de belas rimas que evocassem o meu; histórias felizes; exercício de cura, de culpa, de puro altruísmo do mais egocêntrico... de let it be. Carrego a humildade e a perseverança na mesma moeda, que já começa a pesar em meu bolso, a cansar meus passos e rasgar-me a roupa como a dizer-me que essa renúncia à minha vileza não tem lá tanta importância. Vou embora pra casa com gosto de qualquer coisa na boca, sem me dar conta de que vencer só enche uma página da história... uma linha da vida.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Fruta madura

Gosto de coisas que você não gosta; vejo em nós diferenças que a você não interessam por não fazerem-se saber. Ouço seus chutes na porta e me questiono sobre o motivo do seu querer, paralisada pela inconsistência dessa história nascida de um instante, projetada por um par de curiosas expectativas. Sinto medo do escuro, mas avanço sem qualquer noção de espaço ou pretensão de mudar meu pensamento. Ventos me carregam e eu te levo comigo em um bolso escondido do coração - te desejo de um jeito errado e desmedido... e tenho medo... e fico no escuro... e te sinto perto, ouvindo aquela música que não me acrescenta, usando aquela gíria que não me representa, constantemente a chutar-me a porta com poses e apelos que de tão abstratos me inocentam. Não passamos de novelos coloridos, envoltos em desejos descabidos... que de tão bonitos nos aumentam, reinventam a nossa razão.

Fruta madura

Gosto de coisas que você não gosta; vejo em nós diferenças que a você não interessam por não fazerem-se saber. Ouço seus chutes na porta e me questiono sobre o motivo do seu querer, paralisada pela inconsistência dessa história nascida de um instante, projetada por um par de curiosas expectativas. Sinto medo do escuro, mas avanço sem qualquer noção de espaço ou pretensão de mudar meu pensamento. Ventos me carregam e eu te levo comigo em um bolso escondido do coração - te desejo de um jeito errado e desmedido... e tenho medo... e fico no escuro... e te sinto perto, ouvindo aquela música que não me acrescenta, usando aquela gíria que não me representa, constantemente a chutar-me a porta com poses e apelos que de tão abstratos me inocentam. Não passamos de novelos coloridos, envoltos em desejos descabidos... que de tão bonitos nos aumentam, reinventam a nossa razão.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Note to a complete stranger

Today I felt like saying thank you once again - maybe for the last time. For each moment of inspiration, for everything you made me feel without even trying, for allowing me to transform myself, to know what I want, to value what I have. Thank you for opening up this golden gate full of hope, possibilities, cultural diversity, idealism, search for change. We won't give up because that's our only bond, that's what makes us grow stronger out of hypocrisy, out of demagogy.
*
I have always been true to you, and the truth is that I was a mess for quite some time - but hopefully not for too long. Love's at my door, waiting for me to get home every night, and for that I'll always be grateful. I feel blessed and I'd really like you to feel the same way.
*
Here's something I wrote back in 2009, when we were just kids trying our luck elsewhere but inside ourselves.
*
http://garrastazu.blogspot.com.br/2009/11/inefavel.html
*
Peace and love now and always.
*
Your friend,
*
Érika

Note to a complete stranger

Today I felt like saying thank you once again - maybe for the last time. For each moment of inspiration, for everything you made me feel without even trying, for allowing me to transform myself, to know what I want, to value what I have. Thank you for opening up this golden gate full of hope, possibilities, cultural diversity, idealism, search for change. We won't give up because that's our only bond, that's what makes us grow stronger out of hypocrisy, out of demagogy.
*
I have always been true to you, and the truth is that I was a mess for quite some time - but hopefully not for too long. Love's at my door, waiting for me to get home every night, and for that I'll always be grateful. I feel blessed and I'd really like you to feel the same way.
*
Here's something I wrote back in 2009, when we were just kids trying our luck elsewhere but inside ourselves.
*
http://garrastazu.blogspot.com.br/2009/11/inefavel.html
*
Peace and love now and always.
*
Your friend,
*
Érika

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Três

Três dias. Foi esse o tempo que durou o meu torpor. Sentia calafrios pelo corpo e me teletransportava para lugares diferentes a cada hora - ao redor tudo me lembrava ela. O sorriso dela morava em mim - era mesmo assim! - e imaginava que ela dava conta de todos os meus passos... um calor onipresente me doía. E ela sabia. Sabia porque me deixei contar, me fiz perceber - cartas, canções e telefonemas pela madrugada. Não sabia ao certo o que ela lia - eu já não pensava em coisa alguma - e lidava com suas respostas cordiais e vazias sem tristeza ou perspectiva de fuga. Em certo momento cheguei mesmo a pensar que ela sentia, que fechava os olhos e me escolhia, que parava o tempo e me encontrava no alto de um prédio que abrigava todas as banalidades do dia-a-dia com cara de coisa secreta. Sim, ela queria - ou quis, já não entendia, pois se no momento em que mostrei de um jeito delicado e confuso que ela estava lá, que por algum motivo estranho e não-convencional sempre estaria, que era só o que importava, que o melhor mesmo era não acreditar em mais nada, ela ficou muda do outro lado da linha; depois cordial; depois vazia, como bem o sabe, caro leitor. Por três dias fui além do romântico e do original - não fiz promessas nem loucuras... apenas preocupei-me em fazê-la saber que era parte do que mais me atraía, que poderia leva-la aos céus ou às mil maravilhas no correr da estrada, que aguardava pela coragem que ela teria. Seus dedos encheram a página de linhas, palavras que me perpassavam sem hora para dizer o que me bastaria. Sentimentalidades? Não, senhor! Alegria. Um gole de alegria barata no fundo daquela garrafa com licor de sobra renovaria minhas energias. Fui gentil; fui leal; fui aquele que ouve, que ampara, que ajuda, que acolhe e acalma. Até passou pela minha cabeça um daqueles filmes cujo começo inspira, o meio emudece e o fim angustia; logo preparei-me para a última cartada.
 
Medo, sorte, azar ou surpresa: por um descuido, deixei a janela aberta. Quando abri a porta, já não havia céu, sol, carta, rascunho de história nenhuma. Havia, contudo, uma sombra em meio à penumbra. Meu peito seguiu a galopes um peito que arfava, uma voz que bradava meu nome com braços e pernas, lágrimas brilhando no escuro; olhos febris de ternura. Tomei-a pela cintura e fizemos amor pela noite afora, certos de que em algum lugar alguém nos perdoaria.

Três

Três dias. Foi esse o tempo que durou o meu torpor. Sentia calafrios pelo corpo e me teletransportava para lugares diferentes a cada hora - ao redor tudo me lembrava ela. O sorriso dela morava em mim - era mesmo assim! - e imaginava que ela dava conta de todos os meus passos... um calor onipresente me doía. E ela sabia. Sabia porque me deixei contar, me fiz perceber - cartas, canções e telefonemas pela madrugada. Não sabia ao certo o que ela lia - eu já não pensava em coisa alguma - e lidava com suas respostas cordiais e vazias sem tristeza ou perspectiva de fuga. Em certo momento cheguei mesmo a pensar que ela sentia, que fechava os olhos e me escolhia, que parava o tempo e me encontrava no alto de um prédio que abrigava todas as banalidades do dia-a-dia com cara de coisa secreta. Sim, ela queria - ou quis, já não entendia, pois se no momento em que mostrei de um jeito delicado e confuso que ela estava lá, que por algum motivo estranho e não-convencional sempre estaria, que era só o que importava, que o melhor mesmo era não acreditar em mais nada, ela ficou muda do outro lado da linha; depois cordial; depois vazia, como bem o sabe, caro leitor. Por três dias fui além do romântico e do original - não fiz promessas nem loucuras... apenas preocupei-me em fazê-la saber que era parte do que mais me atraía, que poderia leva-la aos céus ou às mil maravilhas no correr da estrada, que aguardava pela coragem que ela teria. Seus dedos encheram a página de linhas, palavras que me perpassavam sem hora para dizer o que me bastaria. Sentimentalidades? Não, senhor! Alegria. Um gole de alegria barata no fundo daquela garrafa com licor de sobra renovaria minhas energias. Fui gentil; fui leal; fui aquele que ouve, que ampara, que ajuda, que acolhe e acalma. Até passou pela minha cabeça um daqueles filmes cujo começo inspira, o meio emudece e o fim angustia; logo preparei-me para a última cartada.
 
Medo, sorte, azar ou surpresa: por um descuido, deixei a janela aberta. Quando abri a porta, já não havia céu, sol, carta, rascunho de história nenhuma. Havia, contudo, uma sombra em meio à penumbra. Meu peito seguiu a galopes um peito que arfava, uma voz que bradava meu nome com braços e pernas, lágrimas brilhando no escuro; olhos febris de ternura. Tomei-a pela cintura e fizemos amor pela noite afora, certos de que em algum lugar alguém nos perdoaria.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Não analisa, não

É sabido que o ser humano tem como necessidade básica o direito à válvula de escape. É esse momentozinho de prazer que amortece as quedas, que equilibra a cabeça em cima do pescoço - afinal, extravasar faz bem à alma, não é mesmo? Bem, a verdade é só uma: nem sempre. A pressão acaba sendo diretamente proporcional à precisão de se viver o carpe diem a qualquer preço. O resultado? Alucinação coletiva, até que haja um desejo gradual de alívio alternativo. Contudo, num momento em que beber é doloroso, consumir é inviável, comer é errado e suar a camisa não sossega todos os leões que urram dentro do peito, o jeito é fazer uma análise.
Analisando-me descobri coisas incríveis, triviais e perigosas ao mesmo tempo. O mais óbvio - e talvez por isso tão surpreendente - é concluir, depois de meses de exposição gratuita de cada mazela pessoal a um total desconhecido, que você - e só você - pode mudar o rumo da sua história, virar o jogo de uma hora para a outra. Por que esse processo pode levar uma vida inteira? Perfeccionismo  + prepotência: uma bomba caseira pra psicólogo nenhum botar defeito. Tenho TOC, luto diariamente para deixar meu entorno literalmente mais bonito, limpo e organizado. Tornei-me uma pessoa careta e uso as roupas que passei a infância desenhando para minhas bonecas. Vocação reprimida? Vidas passadas? Culpa dos pais? Almeja-se ser grande, ser livre, e ainda assim o dia não termina sem que a culpa de cada insucesso recaia sobre alguém ou alguma coisa. Sinto-me impotente à noite e insistente pela manhã, alheia às notícias de novos tempos que não me dizem nada. Mas... a esperança sou eu, ora essa! A construção da verdade está intimamente ligada à minha entrega, sem máscaras, sem nuvens coloridas. Mentir para si mesmo só estende a distância, assim como confundir essência com qualidade essencial. Agora sei o que me diverte e o que me incomoda, simplesmente porque olhei com honestidade para mim, para vocês e para o mundo lá fora - e tentarei não me sentir mal se amanhã a verdade for outra. Deixo que o futuro elabore a pergunta: condicionamento ou rebelião? A vida em sociedade já condicionou tanta coisa que a sistematização das relações não me soa mais tão absurda - e na pior das hipóteses me impede de colocar o coração na mesa... O caso é que, felizmente, tive tempo para deleitar-me com o carpe diem quando a hora era oportuna, e talvez por isso penso, quando a vontade aperta, que libertinagem depois dos trinta é algo sofrível, próprio de quem nasce, cresce, reproduz e morre como pede a natureza.

Não analisa, não

É sabido que o ser humano tem como necessidade básica o direito à válvula de escape. É esse momentozinho de prazer que amortece as quedas, que equilibra a cabeça em cima do pescoço - afinal, extravasar faz bem à alma, não é mesmo? Bem, a verdade é só uma: nem sempre. A pressão acaba sendo diretamente proporcional à precisão de se viver o carpe diem a qualquer preço. O resultado? Alucinação coletiva, até que haja um desejo gradual de alívio alternativo. Contudo, num momento em que beber é doloroso, consumir é inviável, comer é errado e suar a camisa não sossega todos os leões que urram dentro do peito, o jeito é fazer uma análise.
Analisando-me descobri coisas incríveis, triviais e perigosas ao mesmo tempo. O mais óbvio - e talvez por isso tão surpreendente - é concluir, depois de meses de exposição gratuita de cada mazela pessoal a um total desconhecido, que você - e só você - pode mudar o rumo da sua história, virar o jogo de uma hora para a outra. Por que esse processo pode levar uma vida inteira? Perfeccionismo  + prepotência: uma bomba caseira pra psicólogo nenhum botar defeito. Tenho TOC, luto diariamente para deixar meu entorno literalmente mais bonito, limpo e organizado. Tornei-me uma pessoa careta e uso as roupas que passei a infância desenhando para minhas bonecas. Vocação reprimida? Vidas passadas? Culpa dos pais? Almeja-se ser grande, ser livre, e ainda assim o dia não termina sem que a culpa de cada insucesso recaia sobre alguém ou alguma coisa. Sinto-me impotente à noite e insistente pela manhã, alheia às notícias de novos tempos que não me dizem nada. Mas... a esperança sou eu, ora essa! A construção da verdade está intimamente ligada à minha entrega, sem máscaras, sem nuvens coloridas. Mentir para si mesmo só estende a distância, assim como confundir essência com qualidade essencial. Agora sei o que me diverte e o que me incomoda, simplesmente porque olhei com honestidade para mim, para vocês e para o mundo lá fora - e tentarei não me sentir mal se amanhã a verdade for outra. Deixo que o futuro elabore a pergunta: condicionamento ou rebelião? A vida em sociedade já condicionou tanta coisa que a sistematização das relações não me soa mais tão absurda - e na pior das hipóteses me impede de colocar o coração na mesa... O caso é que, felizmente, tive tempo para deleitar-me com o carpe diem quando a hora era oportuna, e talvez por isso penso, quando a vontade aperta, que libertinagem depois dos trinta é algo sofrível, próprio de quem nasce, cresce, reproduz e morre como pede a natureza.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Miss taken

Do I have to tell you I'm home or will you keep staring at the door, waiting for that marvelous person to whistle her way back into your heart, soft hands reaching out for yours, long arms to keep you safe and welcome...? Do I have to show you where I stand or should I just leave you weeping, sighing, expecting another girl with the same name eager to help you through a cold, cold night with homemade tea and a whole lot of love? I walk through you, take off my clothes and look for a hot shower to embrace me, purify me, liberate me from my aching loneliness... Double bed is mine - I shut the door, turn off the lights and enjoy what's left of the life we used to share side by side.

Miss taken

Do I have to tell you I'm home or will you keep staring at the door, waiting for that marvelous person to whistle her way back into your heart, soft hands reaching out for yours, long arms to keep you safe and welcome...? Do I have to show you where I stand or should I just leave you weeping, sighing, expecting another girl with the same name eager to help you through a cold, cold night with homemade tea and a whole lot of love? I walk through you, take off my clothes and look for a hot shower to embrace me, purify me, liberate me from my aching loneliness... Double bed is mine - I shut the door, turn off the lights and enjoy what's left of the life we used to share side by side.

sábado, 5 de outubro de 2013

Stroke me

My life according to Strokes:

 What Ever Happened?

Are you a male or female:

Hard to Explain

Describe yourself:

Barely Legal

How do you feel:

Ask me Anything

Describe where you currently live:

The Modern Age

If you could go anywhere, where would you go?

On the Other Side

Your favorite form of transportation:

I'll Try Anything Once

Your best friend?

The way it is

You and your best friend are:

Under control

What's the weather like:

Red Light

Favorite time of day:

Evening Sun

If your life was a TV show what would it be called?

Take it or leave it

What is life to you:

Is this it?

Your relationship:

Heart in a Cage

Your fear:

Fear of Sleep

What is the best advice you have to give:

Meet me in the bathroom

Thought for the Day:

The end has no end

My motto:

You only live once

Stroke me

My life according to Strokes:

 What Ever Happened?

Are you a male or female:

Hard to Explain

Describe yourself:

Barely Legal

How do you feel:

Ask me Anything

Describe where you currently live:

The Modern Age

If you could go anywhere, where would you go?

On the Other Side

Your favorite form of transportation:

I'll Try Anything Once

Your best friend?

The way it is

You and your best friend are:

Under control

What's the weather like:

Red Light

Favorite time of day:

Evening Sun

If your life was a TV show what would it be called?

Take it or leave it

What is life to you:

Is this it?

Your relationship:

Heart in a Cage

Your fear:

Fear of Sleep

What is the best advice you have to give:

Meet me in the bathroom

Thought for the Day:

The end has no end

My motto:

You only live once

Scene

Definition of sin by Julian Casablancas: "Sin is honouring desire above what you know is right". Ufff! How liberating... I spent all my life thinking that sin was honouring desire... Even if I don't know what's right, it feels much better to have standards ;)

Scene

Definition of sin by Julian Casablancas: "Sin is honouring desire above what you know is right". Ufff! How liberating... I spent all my life thinking that sin was honouring desire... Even if I don't know what's right, it feels much better to have standards ;)

domingo, 29 de setembro de 2013

Fight Club

Deixa eu te dizer
que mesmo que eu não queira
e que você não saiba
meu pensamento a volte
pousa sobre você
e te emagrece
te colore
te recria
e redescobre
ilumina meu bel-prazer.
Nessa terra onde não há respostas certas
você é mais alto e mais forte
e seu peito emana simplicidade
e os mais puros e verdadeiros sentimentos
e os lábios preferem que seus olhos conversem
e me digam toda a verdade que guardam
sobre o que você vê.
Deixa eu te dizer
que ainda que eu não saiba
e que você não queira
minha razão a volte
pousa sobre meu saber
e varre com um sopro cada possibilidade vã
que se alinha à natureza dócil do meu ser
e inflige à sua figura um descompasso
um quê de sarcasmo
imaturidade inglória
até eu compreender que não se espera
o que não se pode querer.

Fight Club

Deixa eu te dizer
que mesmo que eu não queira
e que você não saiba
meu pensamento a volte
pousa sobre você
e te emagrece
te colore
te recria
e redescobre
ilumina meu bel-prazer.
Nessa terra onde não há respostas certas
você é mais alto e mais forte
e seu peito emana simplicidade
e os mais puros e verdadeiros sentimentos
e os lábios preferem que seus olhos conversem
e me digam toda a verdade que guardam
sobre o que você vê.
Deixa eu te dizer
que ainda que eu não saiba
e que você não queira
minha razão a volte
pousa sobre meu saber
e varre com um sopro cada possibilidade vã
que se alinha à natureza dócil do meu ser
e inflige à sua figura um descompasso
um quê de sarcasmo
imaturidade inglória
até eu compreender que não se espera
o que não se pode querer.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Comida II

Voltei ao restaurante poucos dias atrás, atraída pelo som do piano. Vi seu nome logo que entrei na sala escura, parecida com um calabouço medieval. Era um nome de uma cadeia de restaurantes conhecida na cidade. Ao dirigir-me ao buffet, uma surpresa: a comida era tipicamente mineira, com poucas e triviais opções de saladas. Nem sinal de peixe ou qualquer tipo de grão. O senhor que tocava piano, para quem eu olhei acidentalmente, cumprimentou-me com um sorriso. Havia acabado de me sentar quando ele encerrou suas atividades para almoçar, não sem antes me lançar um olhar malicioso de belo-horizontino velho que acredita piamente na falta de opção afetiva das moças mais jovens. Comi pouco, paguei caro e pensei: Oh, me... and my imagination wrapped up in cheesy poetry...

Comida II

Voltei ao restaurante poucos dias atrás, atraída pelo som do piano. Vi seu nome logo que entrei na sala escura, parecida com um calabouço medieval. Era um nome de uma cadeia de restaurantes conhecida na cidade. Ao dirigir-me ao buffet, uma surpresa: a comida era tipicamente mineira, com poucas e triviais opções de saladas. Nem sinal de peixe ou qualquer tipo de grão. O senhor que tocava piano, para quem eu olhei acidentalmente, cumprimentou-me com um sorriso. Havia acabado de me sentar quando ele encerrou suas atividades para almoçar, não sem antes me lançar um olhar malicioso de belo-horizontino velho que acredita piamente na falta de opção afetiva das moças mais jovens. Comi pouco, paguei caro e pensei: Oh, me... and my imagination wrapped up in cheesy poetry...

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Comida

Hoje me peguei pensando em... mim. Que bom pensar na minha vida for a change... Ou será que... Nesses dias em que se tira as bruxas do armário, a realidade pode não parecer tão bonita. Meus prazos estão se esgotando, as tarefas se amontoam e tudo o que eu quero é ir ao ballet todos os dias e almoçar na Savassi em seguida, sem hora pra voltar à ativa. Como é bom ter as bochechas coradas e os olhos brilhantes de perspectiva! Esses dias fiz exatamente isso - saí da minha aula mais prazerosa com cheiro de música clássica no collant e resolvi experimentar um restaurante novo. A porta não era exatamente convidativa, mas não queria mergulhar nas frituras do Mateus mais uma vez, então entrei à esquerda uma porta antes, entre o chinês e o Mc Donald's (coração da azia futura). O restaurante era grande e arrumado sem glamour ou descuido. No buffet, muitas opções de saladas, grãos, frutas e peixes (estou na vibe peixe esse ano), o que me agradou bastante. Pedi um suco e me sentei em um canto onde podia ver as pessoas se mexendo como formigas, sozinhas e acompanhadas de seus gestos habituais. O tempero abriu meu apetite no ponto certo, e quando pensei que momentos requintados de simplicidade podem transformar um almoço de segunda-feira em algo sublime, ouvi de repente uma melodia que parecia estar ali todo o tempo. Olhei para trás - um senhor tocava um piano de cauda com toda a classe que a tarefa demanda. Não consegui esconder minha surpresa e sorri sem saber que arrancaria dele um outro sorriso; ele me olhou como a dizer "viu como boa música passa pelos olhos e pousa no coração?". Quis ficar ali durante tanto tempo mais, a degustar algo belo, puro, leve e saboroso como aquelas notas que enchiam a sala já vazia. Tempos depois pensei "Ah, minha vida não comporta essas belezas". Não tornei a ver a porta, o piano ou o senhor que deu de comer à minha alma.

Comida

Hoje me peguei pensando em... mim. Que bom pensar na minha vida for a change... Ou será que... Nesses dias em que se tira as bruxas do armário, a realidade pode não parecer tão bonita. Meus prazos estão se esgotando, as tarefas se amontoam e tudo o que eu quero é ir ao ballet todos os dias e almoçar na Savassi em seguida, sem hora pra voltar à ativa. Como é bom ter as bochechas coradas e os olhos brilhantes de perspectiva! Esses dias fiz exatamente isso - saí da minha aula mais prazerosa com cheiro de música clássica no collant e resolvi experimentar um restaurante novo. A porta não era exatamente convidativa, mas não queria mergulhar nas frituras do Mateus mais uma vez, então entrei à esquerda uma porta antes, entre o chinês e o Mc Donald's (coração da azia futura). O restaurante era grande e arrumado sem glamour ou descuido. No buffet, muitas opções de saladas, grãos, frutas e peixes (estou na vibe peixe esse ano), o que me agradou bastante. Pedi um suco e me sentei em um canto onde podia ver as pessoas se mexendo como formigas, sozinhas e acompanhadas de seus gestos habituais. O tempero abriu meu apetite no ponto certo, e quando pensei que momentos requintados de simplicidade podem transformar um almoço de segunda-feira em algo sublime, ouvi de repente uma melodia que parecia estar ali todo o tempo. Olhei para trás - um senhor tocava um piano de cauda com toda a classe que a tarefa demanda. Não consegui esconder minha surpresa e sorri sem saber que arrancaria dele um outro sorriso; ele me olhou como a dizer "viu como boa música passa pelos olhos e pousa no coração?". Quis ficar ali durante tanto tempo mais, a degustar algo belo, puro, leve e saboroso como aquelas notas que enchiam a sala já vazia. Tempos depois pensei "Ah, minha vida não comporta essas belezas". Não tornei a ver a porta, o piano ou o senhor que deu de comer à minha alma.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

S.I.M.!!!

Hoje convido você a dizer SIM. Sim para o sol que chega devagarinho, sim para o tempo frio que pede por um abraço do seu suéter mais macio, sim para os desafios de um novo dia que se desenrola no calor da novidade. Vamos trocar "incerteza" por "surpresa", "dificuldade" por "motivação", "remoto" por "de molho em água perfumada"? Hoje é dia de dizer sim para as superações, para as emoções, para as diferenças. Esqueça o que deu errado e diga sim para o que está certo, para o que está bonito, para as coisas boas que te rodeiam e para tudo o que está guardado esperando a hora certa de acontecer. Diga sim para o objetivo, para o resultado, para o medo que trouxe prudência, para o toque áspero que hoje responde por toda a sua delicadeza. São só três letrinhas, então diz que sim, vai... Em dias como hoje, dizer sim faz toda a diferença ;)


S.I.M.!!!

Hoje convido você a dizer SIM. Sim para o sol que chega devagarinho, sim para o tempo frio que pede por um abraço do seu suéter mais macio, sim para os desafios de um novo dia que se desenrola no calor da novidade. Vamos trocar "incerteza" por "surpresa", "dificuldade" por "motivação", "remoto" por "de molho em água perfumada"? Hoje é dia de dizer sim para as superações, para as emoções, para as diferenças. Esqueça o que deu errado e diga sim para o que está certo, para o que está bonito, para as coisas boas que te rodeiam e para tudo o que está guardado esperando a hora certa de acontecer. Diga sim para o objetivo, para o resultado, para o medo que trouxe prudência, para o toque áspero que hoje responde por toda a sua delicadeza. São só três letrinhas, então diz que sim, vai... Em dias como hoje, dizer sim faz toda a diferença ;)


terça-feira, 10 de setembro de 2013

Oceano

Por que é que Deus tinha que encher meu coração com tanto amor? Amor que eu doo, distribuo, reflito e que se multiplica dentro de mim. Se ele soubesse como dói amar assim, penso que teria enchido meu peito de pedra e me deixado por aí, atraindo sem ser atraída, sem pensar em nada, matando mais que bala perdida no calor da madrugada; sem sombra de culpa. Mas não; cá estou eu, boa e inofensiva como uma barra de chocolate sem açúcar, a adoçar a vida de quem achava que não podia - a cabeça aturdida por uma multidão de desejos sinceros, as gavetas abarrotadas de cartas para o Papai do Céu, para o Papai Noel, para quem possa trocar amor por segurança, por gentileza, por olhos que enxerguem além da beleza e vejam ternura, e almejem sabedoria, e alcancem os meus. Lá de longe eles te rondam e esperam que você queira, que você possa, que ame além do amor que guardaria para você e eu.

Oceano

Por que é que Deus tinha que encher meu coração com tanto amor? Amor que eu doo, distribuo, reflito e que se multiplica dentro de mim. Se ele soubesse como dói amar assim, penso que teria enchido meu peito de pedra e me deixado por aí, atraindo sem ser atraída, sem pensar em nada, matando mais que bala perdida no calor da madrugada; sem sombra de culpa. Mas não; cá estou eu, boa e inofensiva como uma barra de chocolate sem açúcar, a adoçar a vida de quem achava que não podia - a cabeça aturdida por uma multidão de desejos sinceros, as gavetas abarrotadas de cartas para o Papai do Céu, para o Papai Noel, para quem possa trocar amor por segurança, por gentileza, por olhos que enxerguem além da beleza e vejam ternura, e almejem sabedoria, e alcancem os meus. Lá de longe eles te rondam e esperam que você queira, que você possa, que ame além do amor que guardaria para você e eu.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Divã de seda

Eu queria que a febre cedesse
que o caldo fervesse
que a razão prevalecesse;
Eu queria que o medo morresse
que o peito não doesse
que o destino aquiescesse;
Eu queria sem hipocrisia
sem demagogia
sem anarquia
ou hierarquia
sem fingir que sabe
ou dizer que não sabia;
Queria com a gana de querer
com doses de vamo ver
acreditar em ser e viver
andar pra poder crescer;
Queria que o dinheiro desse
que você viesse
e me absorvesse
que me envolvesse
e bem me fizesse
que o corpo tremesse
que eu amolecesse
que o mundo soubesse...
queria que você me quisesse.


Divã de seda

Eu queria que a febre cedesse
que o caldo fervesse
que a razão prevalecesse;
Eu queria que o medo morresse
que o peito não doesse
que o destino aquiescesse;
Eu queria sem hipocrisia
sem demagogia
sem anarquia
ou hierarquia
sem fingir que sabe
ou dizer que não sabia;
Queria com a gana de querer
com doses de vamo ver
acreditar em ser e viver
andar pra poder crescer;
Queria que o dinheiro desse
que você viesse
e me absorvesse
que me envolvesse
e bem me fizesse
que o corpo tremesse
que eu amolecesse
que o mundo soubesse...
queria que você me quisesse.


quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Stray cats

Você? Te provaria por curiosidade; vontade não tenho mais. Eu? Continuo a ser enganada por quem me diz que sabe a verdade, que libertador é ter certeza de alguma coisa. Balela! O que me impede mesmo de parar essa loucura é meu medo de ser - por vezes posso parecer indelicada, mas qual! Penso que ninguém pensa mais nisso hoje em dia. O que eu queria? Um carro novo responderia bem a essa pergunta sem levantar suspeita. Acho que vou focar nisso enquanto o mundo se encarrega de proliferar a antiga mania de preencher as próprias horas com receitas alheias. Podia também aprender a cozinhar, ler sobre o intangível ou explorar o improvável, mas tenho a latente impressão de que eu... estou cansada. Sei o que acontece quando as luzes se apagam e até entendo a necessidade de se mudar o paradigma, mas insistir que eu preciso é óbvio demais. Aliás, te acho muito óbvio, e com toda a sensibilidade que te cabe, te acho cético - com todos os excessos da profissão. Pronto: estou pronta para te dizer que vou sobreviver - e você também vai - a quem quer que decida me encontrar no fim da estrada. Quando cai a noite, gato pardo e cobra criada  andam juntos em barro grosso de ideias furadas... e animosidade da mais simples.

Stray cats

Você? Te provaria por curiosidade; vontade não tenho mais. Eu? Continuo a ser enganada por quem me diz que sabe a verdade, que libertador é ter certeza de alguma coisa. Balela! O que me impede mesmo de parar essa loucura é meu medo de ser - por vezes posso parecer indelicada, mas qual! Penso que ninguém pensa mais nisso hoje em dia. O que eu queria? Um carro novo responderia bem a essa pergunta sem levantar suspeita. Acho que vou focar nisso enquanto o mundo se encarrega de proliferar a antiga mania de preencher as próprias horas com receitas alheias. Podia também aprender a cozinhar, ler sobre o intangível ou explorar o improvável, mas tenho a latente impressão de que eu... estou cansada. Sei o que acontece quando as luzes se apagam e até entendo a necessidade de se mudar o paradigma, mas insistir que eu preciso é óbvio demais. Aliás, te acho muito óbvio, e com toda a sensibilidade que te cabe, te acho cético - com todos os excessos da profissão. Pronto: estou pronta para te dizer que vou sobreviver - e você também vai - a quem quer que decida me encontrar no fim da estrada. Quando cai a noite, gato pardo e cobra criada  andam juntos em barro grosso de ideias furadas... e animosidade da mais simples.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Hell's bells

Acabo de atropelar um homem. Era um homem qualquer, um senhor de meia-idade sem traços expressivos, mais um rosto sem nome no meio da multidão. Usava sua moto velha para encurtar as distâncias entre o bairro rico onde presta serviços e seu pouso a muitos quilômetros dali. Encurtar as distâncias... Vim pedalando em meu carro bonito, cabeça em lugar que eu não saberia dizer, Black Rocket sem querer parar - ele gritou, eu parei. Quiseram me perguntar quem estava errado, mas é claro que a errada era eu. Eu no meu carro bonito, cabeça em lugar que eu não saberia dizer, contando ovelhas antes de dormir; roupas escolhidas, sapatos que comprei porque quis, dirigindo-me a meu apartamento confortável no bairro rico onde o senhor presta serviços. Encurtar as distâncias... A errada era eu e ele sabia. Desci do carro tomada de estranha calma e aproximei-me do senhor que ainda tinha que ir para casa. Ele me olhou com ternura. A errada era eu e ele sabia. Encurtar as distâncias... Pedi a Deus pelo seu bem estar; queria que ele vivesse mais do que sobrevivesse. Perguntei ao senhor se ele estava bem, se precisava de alguma coisa. Qualquer coisa. Encurtar as distâncias... Você pode achar que sou louco, ele disse, mas eu só preciso de uma coisa: que você esteja atenta. Mas a minha bolsa... no carro... o seguro... hospital... nada. Ele disse que era pai e mãe, e que seus filhos o esperavam na casa onde modestamente se escondia, a tantos quilômetros dali - tudo tão diferente! Ele olhou para o céu e agradeceu por estar bem, por estar vivo, por poder voltar a seu pouso e rever os filhos, por poder sair para trabalhar quando a manhã seguinte ainda seria noite. Ele estava feliz em sobreviver; eu só queria que ele vivesse. Quis que sua vida fosse tão bonita quanto aquele momento - que o seu Deus fosse a ele sempre fiel, como o adesivo colado em sua moto velha, que usava para... Quis chorar mas não podia - ele queria que eu estivesse calma antes de dar a partida. Catou os cacarecos que se haviam desprendido da moto no meio da rua, e disse que tudo ficaria bem com uma boa cola. Virei-me para pegar a bolsa no carro; ele acomodou-se na moto e voltou para a rua, para seu trajeto decorado rumo a um destino certo e a ele agradável. Vocês viram se ele conseguiu ligar a moto, perguntei a dois vigias que haviam flagrado o ocorrido. Sim, já atravessou a avenida, sumiu no mundo. Ele não quis fazer o B.O., não quis atendimento médico, não quis que examinassem a moto...  a preocupação: minha cabeça doía. Sim, e certamente quando chegar em casa os filhos vão querer a placa do seu carro para te acionarem na justiça. Não faça esse cara, dona: todo mundo sabe que não existe gente boazinha. Mas não se preocupe: quando isso acontecer, pode contar com a gente. Seremos testemunhas. Engoli seco; eu só queria... encurtar as distâncias.

Hell's bells

Acabo de atropelar um homem. Era um homem qualquer, um senhor de meia-idade sem traços expressivos, mais um rosto sem nome no meio da multidão. Usava sua moto velha para encurtar as distâncias entre o bairro rico onde presta serviços e seu pouso a muitos quilômetros dali. Encurtar as distâncias... Vim pedalando em meu carro bonito, cabeça em lugar que eu não saberia dizer, Black Rocket sem querer parar - ele gritou, eu parei. Quiseram me perguntar quem estava errado, mas é claro que a errada era eu. Eu no meu carro bonito, cabeça em lugar que eu não saberia dizer, contando ovelhas antes de dormir; roupas escolhidas, sapatos que comprei porque quis, dirigindo-me a meu apartamento confortável no bairro rico onde o senhor presta serviços. Encurtar as distâncias... A errada era eu e ele sabia. Desci do carro tomada de estranha calma e aproximei-me do senhor que ainda tinha que ir para casa. Ele me olhou com ternura. A errada era eu e ele sabia. Encurtar as distâncias... Pedi a Deus pelo seu bem estar; queria que ele vivesse mais do que sobrevivesse. Perguntei ao senhor se ele estava bem, se precisava de alguma coisa. Qualquer coisa. Encurtar as distâncias... Você pode achar que sou louco, ele disse, mas eu só preciso de uma coisa: que você esteja atenta. Mas a minha bolsa... no carro... o seguro... hospital... nada. Ele disse que era pai e mãe, e que seus filhos o esperavam na casa onde modestamente se escondia, a tantos quilômetros dali - tudo tão diferente! Ele olhou para o céu e agradeceu por estar bem, por estar vivo, por poder voltar a seu pouso e rever os filhos, por poder sair para trabalhar quando a manhã seguinte ainda seria noite. Ele estava feliz em sobreviver; eu só queria que ele vivesse. Quis que sua vida fosse tão bonita quanto aquele momento - que o seu Deus fosse a ele sempre fiel, como o adesivo colado em sua moto velha, que usava para... Quis chorar mas não podia - ele queria que eu estivesse calma antes de dar a partida. Catou os cacarecos que se haviam desprendido da moto no meio da rua, e disse que tudo ficaria bem com uma boa cola. Virei-me para pegar a bolsa no carro; ele acomodou-se na moto e voltou para a rua, para seu trajeto decorado rumo a um destino certo e a ele agradável. Vocês viram se ele conseguiu ligar a moto, perguntei a dois vigias que haviam flagrado o ocorrido. Sim, já atravessou a avenida, sumiu no mundo. Ele não quis fazer o B.O., não quis atendimento médico, não quis que examinassem a moto...  a preocupação: minha cabeça doía. Sim, e certamente quando chegar em casa os filhos vão querer a placa do seu carro para te acionarem na justiça. Não faça esse cara, dona: todo mundo sabe que não existe gente boazinha. Mas não se preocupe: quando isso acontecer, pode contar com a gente. Seremos testemunhas. Engoli seco; eu só queria... encurtar as distâncias.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Eu te amo

Quanto mais eu avanço nessa longa caminhada, mais percebo o quanto é importante que eu me proteja da minha própria ignorância, da minha insegurança e seus antecedentes criminais, falta de informação e afins... memória histórica, política, cultural, geográfica... afetiva. É preciso que eu lave todas as minhas impressões com novas perspectivas diluídas em água pura; quero ver essas pessoas que passam como patos, a nadar em fila pelos meus pensamentos, com uma cara mais bonita - cara de quem um dia agradou com a visita, cara de quem me ensinou alguma coisa. Enquanto me planejo, peço em oração por cada um dos meus desafetos e esse momento figura em meus dias como o mais precioso. Luto contra minhas noites brancas de desesperança porque sei que o calor habita aqui dentro - amarei por toda a minha vida, enquanto preciso for... enquanto for, preciso.

Eu te amo

Quanto mais eu avanço nessa longa caminhada, mais percebo o quanto é importante que eu me proteja da minha própria ignorância, da minha insegurança e seus antecedentes criminais, falta de informação e afins... memória histórica, política, cultural, geográfica... afetiva. É preciso que eu lave todas as minhas impressões com novas perspectivas diluídas em água pura; quero ver essas pessoas que passam como patos, a nadar em fila pelos meus pensamentos, com uma cara mais bonita - cara de quem um dia agradou com a visita, cara de quem me ensinou alguma coisa. Enquanto me planejo, peço em oração por cada um dos meus desafetos e esse momento figura em meus dias como o mais precioso. Luto contra minhas noites brancas de desesperança porque sei que o calor habita aqui dentro - amarei por toda a minha vida, enquanto preciso for... enquanto for, preciso.

sábado, 31 de agosto de 2013

Através

Te procuro mesmo sabendo onde você está
te procuro porque preciso ver seu rosto
banhar-me na energia do seu sorriso
e recompor meu viço pálido
fazer as pazes comigo
sentir o corpo ávido
por um momento
pesar cada indício
com paixão e afeto
pó de estrela nos cabelos
belas histórias soprando apelos
por um jardim de sonhos secular...

Através

Te procuro mesmo sabendo onde você está
te procuro porque preciso ver seu rosto
banhar-me na energia do seu sorriso
e recompor meu viço pálido
fazer as pazes comigo
sentir o corpo ávido
por um momento
pesar cada indício
com paixão e afeto
pó de estrela nos cabelos
belas histórias soprando apelos
por um jardim de sonhos secular...

terça-feira, 27 de agosto de 2013

La prima volta

Ti ho visto tanto tempo fa... ed ancora provo a ricordare i colori del tuo viso, la luce che disegna i tuoi pensieri. La tua città è cosi bella, la simplicità della tua giornata sembra qualcosa che desidero proprio, l'amore che ti guarda sulla porta aperta... ma dai! Perché non sorridi? Perché non pensi che puoi essere quello bambino pieno delle storie più interessanti... che il canto triste della tua chitarra ti diventa così forte, così bene... pronto per tutto quello che sempre ti faranno sentire? Forse perchè ogni notte sogni prima di chiudere gli occhi - prima di dormire.

La prima volta

Ti ho visto tanto tempo fa... ed ancora provo a ricordare i colori del tuo viso, la luce che disegna i tuoi pensieri. La tua città è cosi bella, la simplicità della tua giornata sembra qualcosa che desidero proprio, l'amore che ti guarda sulla porta aperta... ma dai! Perché non sorridi? Perché non pensi che puoi essere quello bambino pieno delle storie più interessanti... che il canto triste della tua chitarra ti diventa così forte, così bene... pronto per tutto quello che sempre ti faranno sentire? Forse perchè ogni notte sogni prima di chiudere gli occhi - prima di dormire.

sábado, 17 de agosto de 2013

Dreamy

I seem to like everything that looks strange at first and has great potential to take me in tidal waves afterwards...

"Hey beauty
You move me
Cross battlefields and nurse the brave
Leave a kiss take my breath away

When I see you
House falling
Great dawning
Come crawling
When I see you in this low lying dreamy western town
When I see yoooooou (aaaaah)

Cross your heart and follow through
Dare to make a dream come true
Dare to make a dream come true"

Dreamy

I seem to like everything that looks strange at first and has great potential to take me in tidal waves afterwards...

"Hey beauty
You move me
Cross battlefields and nurse the brave
Leave a kiss take my breath away

When I see you
House falling
Great dawning
Come crawling
When I see you in this low lying dreamy western town
When I see yoooooou (aaaaah)

Cross your heart and follow through
Dare to make a dream come true
Dare to make a dream come true"

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Trem azul

Lembro-me de quando você me dizia em sonho que não sabia o que dizer, buscando o frescor de minha alma com o calor do seu olhar, às voltas com pensamentos que te tomavam as mãos, que te tampavam a boca e punham-se à frente dos seus bem aventurados planos; pensares que dobravam o compasso do seu coração. Lembro-me com a ternura que era raiva, brisas tênues a virarem nossas páginas, delírios e realidades a se abraçarem, em conformidade com tudo aquilo que nos espera. Eu corria de braços abertos e te dizia para não se arrepender; trocávamos as pernas enquanto o tempo passava sem se aperceber das horas que morriam para que outras pudessem nascer toda manhã. Minhas rosas se despiram e se vestiram para o mesmo sol por tantas vezes... tempo que vira distância em viveres comuns. Alguns sois depois, sem cerimônia ou belas desculpas, seus pés ainda teimam em caminhar por estradas tortas da vida, a sentir com desconforto coleções de empoeiradas memórias, gritos de Pare, Passe, Espere, Não (se com) prometa. Clichês pulsantes o fazem voltar, ainda que às custas do seu fugaz desassossego; em sonhos você suplica em silêncio que eu o ame, que eu o perdoe, que derrame pela sua solidão pétalas macias e perfumadas de afeto... flores que não me habitam mais. Você o sabe. Primeiro seus olhos se fecham; seus lábios ensaiam um beijo sincero e você logo o guarda entre as mãos. Esquenta-o perto do peito, faz uma prece e lança-o ao vento, à nossa própria sorte, a um mar de soluços e dádivas, dores e aventuranças que vai e vem, vai e vem, sempre a embalar o que há de mais incerto em cada um de nós.

Trem azul

Lembro-me de quando você me dizia em sonho que não sabia o que dizer, buscando o frescor de minha alma com o calor do seu olhar, às voltas com pensamentos que te tomavam as mãos, que te tampavam a boca e punham-se à frente dos seus bem aventurados planos; pensares que dobravam o compasso do seu coração. Lembro-me com a ternura que era raiva, brisas tênues a virarem nossas páginas, delírios e realidades a se abraçarem, em conformidade com tudo aquilo que nos espera. Eu corria de braços abertos e te dizia para não se arrepender; trocávamos as pernas enquanto o tempo passava sem se aperceber das horas que morriam para que outras pudessem nascer toda manhã. Minhas rosas se despiram e se vestiram para o mesmo sol por tantas vezes... tempo que vira distância em viveres comuns. Alguns sois depois, sem cerimônia ou belas desculpas, seus pés ainda teimam em caminhar por estradas tortas da vida, a sentir com desconforto coleções de empoeiradas memórias, gritos de Pare, Passe, Espere, Não (se com) prometa. Clichês pulsantes o fazem voltar, ainda que às custas do seu fugaz desassossego; em sonhos você suplica em silêncio que eu o ame, que eu o perdoe, que derrame pela sua solidão pétalas macias e perfumadas de afeto... flores que não me habitam mais. Você o sabe. Primeiro seus olhos se fecham; seus lábios ensaiam um beijo sincero e você logo o guarda entre as mãos. Esquenta-o perto do peito, faz uma prece e lança-o ao vento, à nossa própria sorte, a um mar de soluços e dádivas, dores e aventuranças que vai e vem, vai e vem, sempre a embalar o que há de mais incerto em cada um de nós.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Foggy eyes

Não faz muito tempo eu me perguntei por que é que temos que ser assim tão despreparados. Reclamo do meu prazo contado para finalizar uma pesquisa de mestrado que eu tive que elaborar sozinha, cultivar sozinha, coletando dados sem saber como se coleta dados ou que dados são esses que eu tenho que coletar afinal, sem entender direito o teor de uma pesquisa qualitativa que conta com 40 respondentes, uma professora e várias vidas repletas de histórias, preconceitos, trejeitos copiados de alguém bem mais seguro e menos especial; dias longos, noites curtas e vidas estranhas, sem pequenas felicidades ou grandes objetivos - mas não é esse o fio que nos une em alguma curva da estrada? Caímos nesse mundo de paraquedas e logo aprendemos a diferença entre o aceitável, o desejável e o muito importante, e por tantas vezes queremos sem poder, e tentamos buscar a razão no meio de um tiroteio de opiniões e expectativas de pessoas bem mais seguras e menos especiais. Como é que não ser perfeita pode soar tão mal assim? Penso nas coisas que não vimos; nas coisas que vimos sem querer e depois quisemos apagar; nas coisas que não dá pra esquecer ou transformar ou compartilhar pra doer menos, driblar a vida um pouco mais... Cutuco aquele velho problema sem perder a graça, sem achar que estou velha demais ou careta demais para tirá-lo da gaveta once again. Já não faço piada e nem minto pra mim mesma - a versão dos fatos sempre vai ser muito minha, e por algum motivo fui coagida a achar isso errado a vida toda. O grande lance é que enquanto eu acreditar no meu bom senso, haverá sempre um divisor de águas bastante pessoal entre o viável e o efêmero. Impossível talvez - impassível jamais!

http://www.youtube.com/watch?v=8YiWF5RULIc

"Keep your eyes shut and live your life
Someone else will pay the price
Open-up your eyes and speak your mind
Leave your youth far behind

Foggy eyes lookin' at their friends
Wondering what's to become of them
Think about the way it used to be
Foggy eyes, why can't you see?
I tried to tell you that it was okay that
You were gonna go away
You're like the people that are never real
Like the foggy eyes walking down my street

Foggy eyes, lookin' at foggy eyes
Foggy eyes, going bang bang bang
Foggy eyes, lookin' at foggy eyes
Foggy eyes, going bang bang bang

Foggy eyes at home in a box of pain
Look in the mirror and travel far away
The world they see is enough to make you cry
Foggy eyes, say goodbye to love

Foggy eyes, lookin' at foggy eyes
Foggy eyes, going bang bang bang
Foggy eyes, lookin' at foggy eyes
Foggy eyes, going bang bang bang

There's things we want each other to be
I'm sorry that you think you're not important to me
I don't know why we make each other cry
Don't know why we all got foggy eyes
I think about all the things I never do
How I'm such a disappointment to you
'Cause I wanna play with you
I wanna get away from you

Foggy eyes, lookin' at foggy eyes
Foggy eyes, going bang bang bang
Foggy eyes, going bang bang bang bang"

Foggy eyes

Não faz muito tempo eu me perguntei por que é que temos que ser assim tão despreparados. Reclamo do meu prazo contado para finalizar uma pesquisa de mestrado que eu tive que elaborar sozinha, cultivar sozinha, coletando dados sem saber como se coleta dados ou que dados são esses que eu tenho que coletar afinal, sem entender direito o teor de uma pesquisa qualitativa que conta com 40 respondentes, uma professora e várias vidas repletas de histórias, preconceitos, trejeitos copiados de alguém bem mais seguro e menos especial; dias longos, noites curtas e vidas estranhas, sem pequenas felicidades ou grandes objetivos - mas não é esse o fio que nos une em alguma curva da estrada? Caímos nesse mundo de paraquedas e logo aprendemos a diferença entre o aceitável, o desejável e o muito importante, e por tantas vezes queremos sem poder, e tentamos buscar a razão no meio de um tiroteio de opiniões e expectativas de pessoas bem mais seguras e menos especiais. Como é que não ser perfeita pode soar tão mal assim? Penso nas coisas que não vimos; nas coisas que vimos sem querer e depois quisemos apagar; nas coisas que não dá pra esquecer ou transformar ou compartilhar pra doer menos, driblar a vida um pouco mais... Cutuco aquele velho problema sem perder a graça, sem achar que estou velha demais ou careta demais para tirá-lo da gaveta once again. Já não faço piada e nem minto pra mim mesma - a versão dos fatos sempre vai ser muito minha, e por algum motivo fui coagida a achar isso errado a vida toda. O grande lance é que enquanto eu acreditar no meu bom senso, haverá sempre um divisor de águas bastante pessoal entre o viável e o efêmero. Impossível talvez - impassível jamais!

http://www.youtube.com/watch?v=8YiWF5RULIc

"Keep your eyes shut and live your life
Someone else will pay the price
Open-up your eyes and speak your mind
Leave your youth far behind

Foggy eyes lookin' at their friends
Wondering what's to become of them
Think about the way it used to be
Foggy eyes, why can't you see?
I tried to tell you that it was okay that
You were gonna go away
You're like the people that are never real
Like the foggy eyes walking down my street

Foggy eyes, lookin' at foggy eyes
Foggy eyes, going bang bang bang
Foggy eyes, lookin' at foggy eyes
Foggy eyes, going bang bang bang

Foggy eyes at home in a box of pain
Look in the mirror and travel far away
The world they see is enough to make you cry
Foggy eyes, say goodbye to love

Foggy eyes, lookin' at foggy eyes
Foggy eyes, going bang bang bang
Foggy eyes, lookin' at foggy eyes
Foggy eyes, going bang bang bang

There's things we want each other to be
I'm sorry that you think you're not important to me
I don't know why we make each other cry
Don't know why we all got foggy eyes
I think about all the things I never do
How I'm such a disappointment to you
'Cause I wanna play with you
I wanna get away from you

Foggy eyes, lookin' at foggy eyes
Foggy eyes, going bang bang bang
Foggy eyes, going bang bang bang bang"

quarta-feira, 31 de julho de 2013

May the light come in!

Uma das coisas mais lindas que eu já vi nos últimos tempos:

http://www.youtube.com/watch?v=LJIWbd9_4Is

E se você acha que está apto a ensinar QUALQUER coisa, lembre-se da mensagem acima...

CULTURA MUDA TUDO!!!

May the light come in!

Uma das coisas mais lindas que eu já vi nos últimos tempos:

http://www.youtube.com/watch?v=LJIWbd9_4Is

E se você acha que está apto a ensinar QUALQUER coisa, lembre-se da mensagem acima...

CULTURA MUDA TUDO!!!

terça-feira, 30 de julho de 2013

Esse cara

"
O que era sonho se tornou realidade
De pouco em pouco a gente foi erguendo o nosso próprio trem,
Nossa Jerusalém,
Nosso mundo, nosso carrossel
Vai e vem vai
E não para nunca mais
De tanto não parar a gente chegou lá
Do outro lado da montanha onde tudo começou
Quando sua voz falou:
Pra onde você quiser eu vou
Largo tudo
...
"
http://www.youtube.com/watch?v=Bpfw47x5a90

Esse cara

"
O que era sonho se tornou realidade
De pouco em pouco a gente foi erguendo o nosso próprio trem,
Nossa Jerusalém,
Nosso mundo, nosso carrossel
Vai e vem vai
E não para nunca mais
De tanto não parar a gente chegou lá
Do outro lado da montanha onde tudo começou
Quando sua voz falou:
Pra onde você quiser eu vou
Largo tudo
...
"
http://www.youtube.com/watch?v=Bpfw47x5a90

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Welcome to dois mil e GALO

Poderia começar essa postagem falando da fantástica campanha do MEU time, sim, MEU time - na alegria e na tristeza, na saúde e na doença - desde a disputa do brasileiro. Poderia fazer uma análise cronológica de cada partida, de quem fez os gols, de quem fez bonito, mas isso vocês já sabem, e isso já tem muito profissional fazendo pra nós com destreza. Poderia também elogiar a torcida, que acreditou até o último minuto, que sempre acredita, mas o Brasil inteiro sabe que ser atleticano vai muito além de assistir a um jogo e vestir a camisa um dia depois da vitória - basta dizer que o SAMU ficou bem atarefado durante essa Libertadores, só mesmo para servir de exemplo.

Prefiro levar vocês à porta do Mineirão no dia 24 de julho de 2013. Dia tenso para os atleticanos, que precisavam de dois gols de diferença para irem para as prorrogações e possivelmente - ou melhor, provavelmente, porque é do Galo que nós estamos falando - chegarem aos pênaltis. Não vou nem entrar no mérito dos torcedores de certos times, que só tiram a camisa do armário quando o time ganha, que só vão ao estádio quando a partida já está ganha. No dia 24 de julho de 2013, os atleticanos novamente lotaram as ruas, o campo, os ônibus e os carros a caminho do Mineirão, ainda que não tivesse mais jeito de comprar o ingresso. Às oito da noite já estávamos lá: eu, meu primo Bruno e seu enteado João Pedro, em frente ao Mineirão junto com um corredor de pessoas que, assim como nós, acreditavam e gritavam para mostrar a sua força. Depois das lágrimas a cada fim de jogo, aguardávamos a final da Libertadores com uma mistura de medo e certeza de que, se dependesse da torcida, a vitória seria certa. Todas aquelas pessoas acreditavam, e sentir aquela energia foi talvez a mais poderosa das sensações que já experimentei. Não havia classe social, raça, preferências sexuais ou políticas naquele momento, apenas uma multidão que se ajoelhava no chão e, de posse dos seus patuás, pedia a Deus e a todos os santos por pelo menos um gol no primeiro tempo. Começamos ouvindo o jogo no bar do Peixe, mas ouvir um jogo sem ver pode ser desesperador, acreditem. Resolvemos tentar encontrar uma televisão lá pelas tantas, a ansiedade era muita. Achamos um galpão na Abrahão Caram, onde os peões tinham dado uma trégua no serviço e se espremiam junto a uma TV de 14 polegadas. O gol não saiu. 

Coração apertado, fomos comer um sanduíche, sem saber qual seria o desfecho daquela noite. Sem saber, nunca sem acreditar. Perguntei ao meu primo Bruno: você ainda acredita? Ele me olhou no fundo dos olhos e disse: Érika, eu sou atleticano. Eu acredito até o último minuto. Ganhando ou perdendo, eu SEMPRE vou estar aqui pelo meu time, sempre vou ter orgulho de ser atleticano. Precisava daquelas palavras. Ainda com meu sanduíche na mão, decidi que deveríamos ir andando até o posto em frente ao Mineirão - chegando lá, o primeiro gol. Tudo o que eu conseguia fazer era chorar e abraçar minha bandeira, e beijar o escudo na minha camisa repetidas vezes, e pensar "É isso - a gente vai ganhar esse negócio". Como todo atleticano que se preza, entendi que para o Galo ganhar não poderia assistir nem ouvir o jogo, e deveria permanecer no mesmo lugar onde ficamos sabendo do primeiro gol. Assim ficamos, de pé em frente ao Mineirão, olhando praquele caldeirão e esperando ele ferver, esperando a sopa de pônei ficar pronta. 

O tempo passou e o segundo gol não saía. Perguntei a um cara do meu lado sobre o tempo de jogo e ele falou 39 minutos. Putz! Ocorreu-me que estar ali não seria uma boa ideia se o Galo não ganhasse, e combinamos de ficar ali, na mesma posição, por mais cinco minutos. O posto em frente ao Mineirão tinha sido fechado com grades para que só pessoas que pagassem uma consumação mínima pudessem ficar lá dentro, mas depois de duas brigas entre atleticanos antes mesmo do início do jogo, achamos melhor sair de lá - foi exatamente quando a Galoucura invadiu, com suas caras nada boas e seu jeito de poucos amigos. Seria feio, tinha muita gente lá, muito choro, expectativa - mas ao mesmo tempo sabia que íamos acabar ficando lá até o último apito. Aos 43, o segundo. A galera pirou!!!!! Os torcedores corriam desesperados pela rua, abraçavam outros torcedores que jamais abraçariam em outra circunstância - playboys, marginais, gays, coxinhas, caipiras, patricinhas, periguetes, funkeiras, rappers, gente como eu, que chorava como criança e agradecia a Deus sem parar porque não conseguia fazer outra coisa. 

Depois da última cobrança de pênalti dos cavalos paraguaios, ninguém conteve a emoção - a gente era campeão da Libertadores, campeão da Liberadores, campeão da Libertadores!!!!!! A torcida invadiu o estádio e o Mineirão ficou pequeno pra nós. Fomos embora ouvindo a Itatiaia, chegamos em casa e ligamos a TV pra ver os melhores momentos, as análises técnicas, e eu só fiquei pensando no "Muito obrigado - o time todo" que ecoou dentro daquele caldeirão mágico. Tendenciosa ou não, preciso deixar meu muito obrigada especial a meu herói RG, o cara que acreditou no Galo e que fez com que todos os jogadores, a comissão técnica e TODA a torcida acreditassem também. E bem lembrado, Lelé: São Vitor não é desse mundo, e salvou o nosso time - ainda que agradecer a santo seja sempre clichê ;) Nós somos do Clube Atlético Mineiro - jogamos com muita raça e amor - vibramos com alegria nas vitórias - e é isso que nos define enquanto atleticanos. Vibra, Galo, vibra - faz tremer essa cidade, esse país, que essa vitória é nossa! E a quem não acreditava ou não acreditou, lembrem-se sempre: YES, WE C.A.M.

Welcome to dois mil e GALO

Poderia começar essa postagem falando da fantástica campanha do MEU time, sim, MEU time - na alegria e na tristeza, na saúde e na doença - desde a disputa do brasileiro. Poderia fazer uma análise cronológica de cada partida, de quem fez os gols, de quem fez bonito, mas isso vocês já sabem, e isso já tem muito profissional fazendo pra nós com destreza. Poderia também elogiar a torcida, que acreditou até o último minuto, que sempre acredita, mas o Brasil inteiro sabe que ser atleticano vai muito além de assistir a um jogo e vestir a camisa um dia depois da vitória - basta dizer que o SAMU ficou bem atarefado durante essa Libertadores, só mesmo para servir de exemplo.

Prefiro levar vocês à porta do Mineirão no dia 24 de julho de 2013. Dia tenso para os atleticanos, que precisavam de dois gols de diferença para irem para as prorrogações e possivelmente - ou melhor, provavelmente, porque é do Galo que nós estamos falando - chegarem aos pênaltis. Não vou nem entrar no mérito dos torcedores de certos times, que só tiram a camisa do armário quando o time ganha, que só vão ao estádio quando a partida já está ganha. No dia 24 de julho de 2013, os atleticanos novamente lotaram as ruas, o campo, os ônibus e os carros a caminho do Mineirão, ainda que não tivesse mais jeito de comprar o ingresso. Às oito da noite já estávamos lá: eu, meu primo Bruno e seu enteado João Pedro, em frente ao Mineirão junto com um corredor de pessoas que, assim como nós, acreditavam e gritavam para mostrar a sua força. Depois das lágrimas a cada fim de jogo, aguardávamos a final da Libertadores com uma mistura de medo e certeza de que, se dependesse da torcida, a vitória seria certa. Todas aquelas pessoas acreditavam, e sentir aquela energia foi talvez a mais poderosa das sensações que já experimentei. Não havia classe social, raça, preferências sexuais ou políticas naquele momento, apenas uma multidão que se ajoelhava no chão e, de posse dos seus patuás, pedia a Deus e a todos os santos por pelo menos um gol no primeiro tempo. Começamos ouvindo o jogo no bar do Peixe, mas ouvir um jogo sem ver pode ser desesperador, acreditem. Resolvemos tentar encontrar uma televisão lá pelas tantas, a ansiedade era muita. Achamos um galpão na Abrahão Caram, onde os peões tinham dado uma trégua no serviço e se espremiam junto a uma TV de 14 polegadas. O gol não saiu. 

Coração apertado, fomos comer um sanduíche, sem saber qual seria o desfecho daquela noite. Sem saber, nunca sem acreditar. Perguntei ao meu primo Bruno: você ainda acredita? Ele me olhou no fundo dos olhos e disse: Érika, eu sou atleticano. Eu acredito até o último minuto. Ganhando ou perdendo, eu SEMPRE vou estar aqui pelo meu time, sempre vou ter orgulho de ser atleticano. Precisava daquelas palavras. Ainda com meu sanduíche na mão, decidi que deveríamos ir andando até o posto em frente ao Mineirão - chegando lá, o primeiro gol. Tudo o que eu conseguia fazer era chorar e abraçar minha bandeira, e beijar o escudo na minha camisa repetidas vezes, e pensar "É isso - a gente vai ganhar esse negócio". Como todo atleticano que se preza, entendi que para o Galo ganhar não poderia assistir nem ouvir o jogo, e deveria permanecer no mesmo lugar onde ficamos sabendo do primeiro gol. Assim ficamos, de pé em frente ao Mineirão, olhando praquele caldeirão e esperando ele ferver, esperando a sopa de pônei ficar pronta. 

O tempo passou e o segundo gol não saía. Perguntei a um cara do meu lado sobre o tempo de jogo e ele falou 39 minutos. Putz! Ocorreu-me que estar ali não seria uma boa ideia se o Galo não ganhasse, e combinamos de ficar ali, na mesma posição, por mais cinco minutos. O posto em frente ao Mineirão tinha sido fechado com grades para que só pessoas que pagassem uma consumação mínima pudessem ficar lá dentro, mas depois de duas brigas entre atleticanos antes mesmo do início do jogo, achamos melhor sair de lá - foi exatamente quando a Galoucura invadiu, com suas caras nada boas e seu jeito de poucos amigos. Seria feio, tinha muita gente lá, muito choro, expectativa - mas ao mesmo tempo sabia que íamos acabar ficando lá até o último apito. Aos 43, o segundo. A galera pirou!!!!! Os torcedores corriam desesperados pela rua, abraçavam outros torcedores que jamais abraçariam em outra circunstância - playboys, marginais, gays, coxinhas, caipiras, patricinhas, periguetes, funkeiras, rappers, gente como eu, que chorava como criança e agradecia a Deus sem parar porque não conseguia fazer outra coisa. 

Depois da última cobrança de pênalti dos cavalos paraguaios, ninguém conteve a emoção - a gente era campeão da Libertadores, campeão da Liberadores, campeão da Libertadores!!!!!! A torcida invadiu o estádio e o Mineirão ficou pequeno pra nós. Fomos embora ouvindo a Itatiaia, chegamos em casa e ligamos a TV pra ver os melhores momentos, as análises técnicas, e eu só fiquei pensando no "Muito obrigado - o time todo" que ecoou dentro daquele caldeirão mágico. Tendenciosa ou não, preciso deixar meu muito obrigada especial a meu herói RG, o cara que acreditou no Galo e que fez com que todos os jogadores, a comissão técnica e TODA a torcida acreditassem também. E bem lembrado, Lelé: São Vitor não é desse mundo, e salvou o nosso time - ainda que agradecer a santo seja sempre clichê ;) Nós somos do Clube Atlético Mineiro - jogamos com muita raça e amor - vibramos com alegria nas vitórias - e é isso que nos define enquanto atleticanos. Vibra, Galo, vibra - faz tremer essa cidade, esse país, que essa vitória é nossa! E a quem não acreditava ou não acreditou, lembrem-se sempre: YES, WE C.A.M.

terça-feira, 23 de julho de 2013

O importante é saber boiar!

Bordão da família há tantos anos, qual não foi a minha surpresa ao descobrir que essa frase saiu da minha boca, do alto de meus três anos de idade. Contou minha tia que, durante um papo cabeça com minhas primas um pouco mais velhas, elas puseram-se a falar de suas habilidades, na tentativa de contar vantagem. Ouvi tudo que elas tinham a dizer em silêncio e ao final, com a mão na cintura, falei com firmeza: o importante é saber boiar - e eu sei. Tá aí um lema pra levar pela vida afora - quando tudo estiver dando errado e você achar que não há saída, lembre-se: o importante é saber boiar - espero que você saiba.

O importante é saber boiar!

Bordão da família há tantos anos, qual não foi a minha surpresa ao descobrir que essa frase saiu da minha boca, do alto de meus três anos de idade. Contou minha tia que, durante um papo cabeça com minhas primas um pouco mais velhas, elas puseram-se a falar de suas habilidades, na tentativa de contar vantagem. Ouvi tudo que elas tinham a dizer em silêncio e ao final, com a mão na cintura, falei com firmeza: o importante é saber boiar - e eu sei. Tá aí um lema pra levar pela vida afora - quando tudo estiver dando errado e você achar que não há saída, lembre-se: o importante é saber boiar - espero que você saiba.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Bruno

Passei muito tempo da minha vida tricotando suéteres de cores e tamanhos diferentes, roupas que mudavam de dono a cada estação... talvez tempo demais. Hoje levei um susto ao perceber que todos eles cabiam em você, que cada um deles mudaria a cor dos seus olhos e eles ficariam cinza, verdes, azuis, sempre a seguir-me, a admirar-me como se nos víssemos pela primeira vez - olhos atentos, bochechas rosadas, sorriso puro tão bonito de se ver. A sua astúcia me intriga, a sua sutileza me encanta: sua vontade de me levar para onde for, para qualquer lugar onde você também vai estar, sua entrega com lágrimas nos olhos, suas grandes felicidades com minhas demonstrações de afeto tão raras e tão pequenas...você não tem ideia de quanto tudo isso me emociona. É um verdadeiro clichê dizer que vê-lo na iminência de partir me feriu por inteiro e acendeu uma luz de lamparina no meu coração cheio de ideias, e fez com que todas elas refletissem os nossos sonhos, as nossas conquistas, os pontos positivos que nos unem, como você veio me dizer... os pontos positivos que nos unem. Ficou piscando no meu peito aquela imagem - eu sempre tão decidida a optar pelo que me faz mal, você me olhando nos olhos como que a esperar que seu amor me acalmasse outra vez. Filho? Cachorro? Sim, e vamos também pintar as paredes e as portas, reformar os banheiros antes de construirmos o nosso terraço, porque afinal é a nossa casa, é a nossa vida e a minha felicidade é te ver feliz. Rodo o mundo pra te fazer feliz, sua alma sussurra à minha todas as manhãs, e toda vez que preparo um capuccino pra você logo cedo, aproximo-me da cama com dúvida e espero que você sorria. Não me incomoda se ao invés você ficar brava: vou me esforçar para te conquistar de novo, como se fosse a primeira vez, e me apaixonar tantas outras. Hoje estou caidinha de amor, e só agora entendi que amanhã estarei também, porque você nunca vai desistir de tentar me mostrar - do jeito mais engenheiro possível - que te amar não tem erro. Somos de carne e osso e devaneamos sem parar, mas talvez seja essa liberdade de pensamento o que nos traz de volta ao nosso quarto todas as noites. A vida me machucou e eu te machuquei com meus medos e minhas dúvidas, meu amor. Não sei se um dia isso vai ter fim, mas se meu analista me perguntar novamente qual é esse fio que nos une, basta saber que todos os suéteres que já tricotei servem em você, e que cada um deles muda a cor dos seus olhos, nunca sua direção.

Bruno

Passei muito tempo da minha vida tricotando suéteres de cores e tamanhos diferentes, roupas que mudavam de dono a cada estação... talvez tempo demais. Hoje levei um susto ao perceber que todos eles cabiam em você, que cada um deles mudaria a cor dos seus olhos e eles ficariam cinza, verdes, azuis, sempre a seguir-me, a admirar-me como se nos víssemos pela primeira vez - olhos atentos, bochechas rosadas, sorriso puro tão bonito de se ver. A sua astúcia me intriga, a sua sutileza me encanta: sua vontade de me levar para onde for, para qualquer lugar onde você também vai estar, sua entrega com lágrimas nos olhos, suas grandes felicidades com minhas demonstrações de afeto tão raras e tão pequenas...você não tem ideia de quanto tudo isso me emociona. É um verdadeiro clichê dizer que vê-lo na iminência de partir me feriu por inteiro e acendeu uma luz de lamparina no meu coração cheio de ideias, e fez com que todas elas refletissem os nossos sonhos, as nossas conquistas, os pontos positivos que nos unem, como você veio me dizer... os pontos positivos que nos unem. Ficou piscando no meu peito aquela imagem - eu sempre tão decidida a optar pelo que me faz mal, você me olhando nos olhos como que a esperar que seu amor me acalmasse outra vez. Filho? Cachorro? Sim, e vamos também pintar as paredes e as portas, reformar os banheiros antes de construirmos o nosso terraço, porque afinal é a nossa casa, é a nossa vida e a minha felicidade é te ver feliz. Rodo o mundo pra te fazer feliz, sua alma sussurra à minha todas as manhãs, e toda vez que preparo um capuccino pra você logo cedo, aproximo-me da cama com dúvida e espero que você sorria. Não me incomoda se ao invés você ficar brava: vou me esforçar para te conquistar de novo, como se fosse a primeira vez, e me apaixonar tantas outras. Hoje estou caidinha de amor, e só agora entendi que amanhã estarei também, porque você nunca vai desistir de tentar me mostrar - do jeito mais engenheiro possível - que te amar não tem erro. Somos de carne e osso e devaneamos sem parar, mas talvez seja essa liberdade de pensamento o que nos traz de volta ao nosso quarto todas as noites. A vida me machucou e eu te machuquei com meus medos e minhas dúvidas, meu amor. Não sei se um dia isso vai ter fim, mas se meu analista me perguntar novamente qual é esse fio que nos une, basta saber que todos os suéteres que já tricotei servem em você, e que cada um deles muda a cor dos seus olhos, nunca sua direção.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Bambolê

Jurei que não iria mentir
que não iria falar
e você achou
que eu ficaria aqui
a rodar o mundo
sem sair do lugar.
Longe que era perto
rosa do deserto
tempo me queimou
voo de peito aberto
e um calor incerto
pelo que restou...
.
.
.
Lágrimas de teimosia
coisas que você dizia
e talvez sempre dirá;
brisa, caos e poesia
desapego que angustia
antes de você passar.

Bambolê

Jurei que não iria mentir
que não iria falar
e você achou
que eu ficaria aqui
a rodar o mundo
sem sair do lugar.
Longe que era perto
rosa do deserto
tempo me queimou
voo de peito aberto
e um calor incerto
pelo que restou...
.
.
.
Lágrimas de teimosia
coisas que você dizia
e talvez sempre dirá;
brisa, caos e poesia
desapego que angustia
antes de você passar.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Butterflies

Quando penso nas melhores coisas que já me aconteceram, fica difícil precisar exatamente quando tudo começou. De repente eu estava lá: viajando, dançando, estudando, me apaixonando, descansando a cabeça, produzindo... sonhando com o que ainda não tinha acontecido, confabulando com meus botões o que será que poderia acontecer se ou quando eu estivesse lá naquele lugar onde eu secretamente me colocava. Até concordo que o tempo organiza, mas deixar que ele passe sem pensar em outra coisa... é tão libertador quanto pegar chuva após uma escova - não há nada que você possa fazer além de sorrir e pensar que certamente haverá outro momento para ser mais bonita e produtiva. A passos lentos, você caminha pelo dia mais ensolarado do inverno e pensa: a vida é mesmo cheia de agradáveis surpresas...

Butterflies

Quando penso nas melhores coisas que já me aconteceram, fica difícil precisar exatamente quando tudo começou. De repente eu estava lá: viajando, dançando, estudando, me apaixonando, descansando a cabeça, produzindo... sonhando com o que ainda não tinha acontecido, confabulando com meus botões o que será que poderia acontecer se ou quando eu estivesse lá naquele lugar onde eu secretamente me colocava. Até concordo que o tempo organiza, mas deixar que ele passe sem pensar em outra coisa... é tão libertador quanto pegar chuva após uma escova - não há nada que você possa fazer além de sorrir e pensar que certamente haverá outro momento para ser mais bonita e produtiva. A passos lentos, você caminha pelo dia mais ensolarado do inverno e pensa: a vida é mesmo cheia de agradáveis surpresas...

sábado, 13 de julho de 2013

Magali

Ninguém disse à Magali que ela teria celulite e precisaria saber lidar com isso. Ninguém falou pra ela que doce demais dá diabetes, que gordura aumenta o colesterol, que a era do metabolismo acelerado tinha dia e hora para terminar. Ninguém a informou que a Mônica poderia deixar de ser sua melhor amiga por mera questão de afinidades, ou que o apreço pelo dinheiro e o apoio às minorias colocariam o Cascão e o Cebolinha em grupos de pensamento distintos, e que todos eles acabariam se rendendo à auto-promoção via facebook. Certamente ela não foi avisada que sua casa na rua do Limoeiro seria trocada por um apertamento em um prédio de luxo com varanda gourmet e área de lazer construído no lugar, e que um dia seu pai teria dificuldades financeiras e ela teria que trabalhar para pagar por suas guloseimas. Ninguém contou à Magali que ela não seria magra para sempre, feliz para sempre ou que ela se casaria e continuaria a procurar pelo amor, e acordaria every other day cheia de dúvidas a martelarem-lhe os miolos durante o chá da manhã. Ninguém contou à nossa amiga que crescer seria difícil - ou talvez ela já soubesse disso há muito tempo, e por esse motivo tenha optado por passar a vida dentro de uma revistinha, a brincar com seu vestido amarelo, seu gato, seus amigos, o Quinzinho e suas doces melancias.

Magali

Ninguém disse à Magali que ela teria celulite e precisaria saber lidar com isso. Ninguém falou pra ela que doce demais dá diabetes, que gordura aumenta o colesterol, que a era do metabolismo acelerado tinha dia e hora para terminar. Ninguém a informou que a Mônica poderia deixar de ser sua melhor amiga por mera questão de afinidades, ou que o apreço pelo dinheiro e o apoio às minorias colocariam o Cascão e o Cebolinha em grupos de pensamento distintos, e que todos eles acabariam se rendendo à auto-promoção via facebook. Certamente ela não foi avisada que sua casa na rua do Limoeiro seria trocada por um apertamento em um prédio de luxo com varanda gourmet e área de lazer construído no lugar, e que um dia seu pai teria dificuldades financeiras e ela teria que trabalhar para pagar por suas guloseimas. Ninguém contou à Magali que ela não seria magra para sempre, feliz para sempre ou que ela se casaria e continuaria a procurar pelo amor, e acordaria every other day cheia de dúvidas a martelarem-lhe os miolos durante o chá da manhã. Ninguém contou à nossa amiga que crescer seria difícil - ou talvez ela já soubesse disso há muito tempo, e por esse motivo tenha optado por passar a vida dentro de uma revistinha, a brincar com seu vestido amarelo, seu gato, seus amigos, o Quinzinho e suas doces melancias.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

White dove

Aproveito-me da energia que vem com o poder de cada palavra e calo-me com consciência. Em certas ocasiões sou obrigada a ater-me em reverência ao que idealmente não me agradaria, movida pela fé que coloca todos os seres em seus devidos lugares, pré-purgação, pós-penitência. Por vezes uma única atitude condenável de um terceiro adoece meu casulo terreno, enegrece minhas energias vitais, turva minhas vistas com ira, fadiga e a mais pura e sincera desesperança. Sinto-me fraca demais para continuar a caminhada com a resignação que minha fé demanda, e ainda assim não deixam de chegar-me aos ouvidos conselhos e mensagens de força - respostas vindas de terras distantes, de noites frias e tardes brandas.

Um dia desses, numa dessas conversas de fim de tarde, surgiu a danada dúvida cruel: digo, não digo ou desdigo o mal que já está quase feito? Antes que pudesse tomar partido, no entanto, saboreei uma porção de desencanto quando você disse o que não devia ser dito. O gosto daquela verdade feia aguçou os meus sentidos como fruta azeda a ferir-me o paladar e a doer-me os ouvidos; aquele pedaço de alma desalmada foi e voltou pela minha garganta um milhão de vezes sem que pudesse ser digerido. Não virou ferida, não - virou borboleta que saiu voando depressa pelo mundo afora, doida pra espalhar a notícia: segredos da alma fazem parte da vida, e certas coisas são tão erradas que precisam bater asas antes de virar palavra, para nunca serem ditas.

White dove

Aproveito-me da energia que vem com o poder de cada palavra e calo-me com consciência. Em certas ocasiões sou obrigada a ater-me em reverência ao que idealmente não me agradaria, movida pela fé que coloca todos os seres em seus devidos lugares, pré-purgação, pós-penitência. Por vezes uma única atitude condenável de um terceiro adoece meu casulo terreno, enegrece minhas energias vitais, turva minhas vistas com ira, fadiga e a mais pura e sincera desesperança. Sinto-me fraca demais para continuar a caminhada com a resignação que minha fé demanda, e ainda assim não deixam de chegar-me aos ouvidos conselhos e mensagens de força - respostas vindas de terras distantes, de noites frias e tardes brandas.

Um dia desses, numa dessas conversas de fim de tarde, surgiu a danada dúvida cruel: digo, não digo ou desdigo o mal que já está quase feito? Antes que pudesse tomar partido, no entanto, saboreei uma porção de desencanto quando você disse o que não devia ser dito. O gosto daquela verdade feia aguçou os meus sentidos como fruta azeda a ferir-me o paladar e a doer-me os ouvidos; aquele pedaço de alma desalmada foi e voltou pela minha garganta um milhão de vezes sem que pudesse ser digerido. Não virou ferida, não - virou borboleta que saiu voando depressa pelo mundo afora, doida pra espalhar a notícia: segredos da alma fazem parte da vida, e certas coisas são tão erradas que precisam bater asas antes de virar palavra, para nunca serem ditas.