quarta-feira, 12 de março de 2014

Somewhere only we know

"Oh simple thing
where have you gone?
I'm getting old and
I need something to
rely on
So tell me when
you're gonna let me in
I'm getting tired and I need
somewhere to begin..."

Somewhere only we know

"Oh simple thing
where have you gone?
I'm getting old and
I need something to
rely on
So tell me when
you're gonna let me in
I'm getting tired and I need
somewhere to begin..."

sexta-feira, 7 de março de 2014

No one else

Oi.
Oi.
Desculpa, eu...
Nada. Deixa pra lá.
Entra.
Tá.
Senta.
Brigada.
Cerveja?
Parei.
Sério?
É.
Água?
Tô tranquila.
Nossa, você tá...
Linda?
É...
Valeu. Você também.
Sua pele...
Hum...
Tão macia...
Sua barba...
Sempre...
Tanto tempo...
Tanto tempo que eu não te esqueço...
É.
Eu te amo, sabe?
Assim?
Loucura, eu sei.
Né?
Mas não te esqueço.
Nem eu.
A gente tem que tentar.
Agora?
Agora. Por nós.
Pela curiosidade.
Não é por isso!
Tá com medo?
De quê?
De admitir, uai.
Que eu te amo?
Não, não, não.
Que a gente precisa fazer isso?
Por quê?
Porque esse ciclo tem que se fechar!
Hum... amor ou curiosidade?
Carma!
Nossa...
Penso além dos sentires comuns.
Então eu sou comum?
Você é a pessoa que vai mudar a minha vida, porra!
Agora ou depois do sexo?
...
Por que eu estou aqui?
Foi a primeira que atendeu. E você?
O primeiro que ligou.
Não tem que ser assim.
É mais fácil pra mim.
Larga essas pedras no sofá e vem comigo.
Você me faz rir.
Você me faz pensar.
Em quê?
Em te ver sorrindo, em te achar na multidão.
Não tem que ser assim.
É. Não. Vem cá.
Também sinto.
Eu sei. Desculpa.
Por...
Pirar a sua vida.
Brigada.
Por...
Pelo mesmo motivo.





No one else

Oi.
Oi.
Desculpa, eu...
Nada. Deixa pra lá.
Entra.
Tá.
Senta.
Brigada.
Cerveja?
Parei.
Sério?
É.
Água?
Tô tranquila.
Nossa, você tá...
Linda?
É...
Valeu. Você também.
Sua pele...
Hum...
Tão macia...
Sua barba...
Sempre...
Tanto tempo...
Tanto tempo que eu não te esqueço...
É.
Eu te amo, sabe?
Assim?
Loucura, eu sei.
Né?
Mas não te esqueço.
Nem eu.
A gente tem que tentar.
Agora?
Agora. Por nós.
Pela curiosidade.
Não é por isso!
Tá com medo?
De quê?
De admitir, uai.
Que eu te amo?
Não, não, não.
Que a gente precisa fazer isso?
Por quê?
Porque esse ciclo tem que se fechar!
Hum... amor ou curiosidade?
Carma!
Nossa...
Penso além dos sentires comuns.
Então eu sou comum?
Você é a pessoa que vai mudar a minha vida, porra!
Agora ou depois do sexo?
...
Por que eu estou aqui?
Foi a primeira que atendeu. E você?
O primeiro que ligou.
Não tem que ser assim.
É mais fácil pra mim.
Larga essas pedras no sofá e vem comigo.
Você me faz rir.
Você me faz pensar.
Em quê?
Em te ver sorrindo, em te achar na multidão.
Não tem que ser assim.
É. Não. Vem cá.
Também sinto.
Eu sei. Desculpa.
Por...
Pirar a sua vida.
Brigada.
Por...
Pelo mesmo motivo.





terça-feira, 4 de março de 2014

Cumplicidade

No dia primeiro de março de 2014, em meio à folia do carnaval, ocorreu-me uma questão importante: exatamente na mesma época do ano anterior, participava de um congresso latino-americano de linguística aplicada na Universidade de Brasília. Na ocasião, o senador Cristovam Buarque, convidado a abrir o evento, foi representado por seu assessor, que aproveitou a oportunidade para relatar algumas das propostas do senador para a educação brasileira. O assessor inclinou levemente a cabeça para iniciar a leitura das propostas. A primeira: passar o piso salarial do professor da rede básica de ensino para nove mil reais. A sala estava lotada: todos os presentes - inclusive eu - puseram-se a rir convulsivamente. Levou algum tempo para o público se recompor; qual não foi a surpresa geral ao constatarem, um a um, que o assessor levantara o olhar para a plateia e não esboçava qualquer sorriso. Acho que o que senti não foi exatamente constrangimento, mas pena - pena de quem se dispõe a lutar por algo em que a própria classe não acredita; pena da classe, que não tem qualquer incentivo para acreditar em melhoria alguma. Lembrei-me de quando era professora de inglês em um cursinho na zona sul e ouvia dos alunos de escolas particulares, durante as greves, que jamais ficariam sem aulas porque seus professores eram muito bem pagos - esse era o discurso dos próprios professores. Em outras palavras: foda-se os que não são. Que se engalfinhem por alguma migalha bem longe da minha rota. Pensei em nossa insatisfação com um bocado de coisas proporcionalmente à falta de informação da maioria - natural seria que minha palavra de ordem para o ano que começa fosse fundamentação. No dia primeiro de março, contudo, diante daquela irmandade de completos estranhos em prol da folia, pensei na importância da cumplicidade para trazer ao menos riqueza às relações. Alegria. Senso de pertencimento. Verdade. Desejo de estar junto. De mudar junto. De começar do zero se assim for. Quero que essa cumplicidade se estenda ao longo da minha existência, e que eu esteja sempre pronta para acolhê-la em toda a sua importância.

Cumplicidade

No dia primeiro de março de 2014, em meio à folia do carnaval, ocorreu-me uma questão importante: exatamente na mesma época do ano anterior, participava de um congresso latino-americano de linguística aplicada na Universidade de Brasília. Na ocasião, o senador Cristovam Buarque, convidado a abrir o evento, foi representado por seu assessor, que aproveitou a oportunidade para relatar algumas das propostas do senador para a educação brasileira. O assessor inclinou levemente a cabeça para iniciar a leitura das propostas. A primeira: passar o piso salarial do professor da rede básica de ensino para nove mil reais. A sala estava lotada: todos os presentes - inclusive eu - puseram-se a rir convulsivamente. Levou algum tempo para o público se recompor; qual não foi a surpresa geral ao constatarem, um a um, que o assessor levantara o olhar para a plateia e não esboçava qualquer sorriso. Acho que o que senti não foi exatamente constrangimento, mas pena - pena de quem se dispõe a lutar por algo em que a própria classe não acredita; pena da classe, que não tem qualquer incentivo para acreditar em melhoria alguma. Lembrei-me de quando era professora de inglês em um cursinho na zona sul e ouvia dos alunos de escolas particulares, durante as greves, que jamais ficariam sem aulas porque seus professores eram muito bem pagos - esse era o discurso dos próprios professores. Em outras palavras: foda-se os que não são. Que se engalfinhem por alguma migalha bem longe da minha rota. Pensei em nossa insatisfação com um bocado de coisas proporcionalmente à falta de informação da maioria - natural seria que minha palavra de ordem para o ano que começa fosse fundamentação. No dia primeiro de março, contudo, diante daquela irmandade de completos estranhos em prol da folia, pensei na importância da cumplicidade para trazer ao menos riqueza às relações. Alegria. Senso de pertencimento. Verdade. Desejo de estar junto. De mudar junto. De começar do zero se assim for. Quero que essa cumplicidade se estenda ao longo da minha existência, e que eu esteja sempre pronta para acolhê-la em toda a sua importância.