segunda-feira, 11 de julho de 2016

Re-feel

Keep thriving.
Struggle to achieve
a better place than
the ones who're
sliding
through the hollow
ground underneath
our trying
through the things
revealed and yet
inspiring...
Try to shut the door
but the birds keep whistling;
try to let it go
but that scent is missing
that last song
we'll dream on
thriving
sliding
hiding...
insisting.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Inspire

Esses dias assisti a uma palestra com um autor de livros, todos os tipos de livros. Nem um pouco interessante - a tecnologia realmente emburrece as pessoas e tolhe todo o tipo de criatividade. Fiquei pensando que se o Power Point não abrisse por qualquer motivo, ele provavelmente não teria um plano B. Um autor de livros, todos os tipos de livros. Um escritor que ministra oficinas de escrita literária para uma pá de jovens sonhadores, aspirantes a atrevidos. Não deve ser barato - afinal ele tem o nome estampado em um monte de capas de todas as cores e tamanhos, ainda que muita gente não conheça nem ele nem as obras. Após a "palestra", um bate-papo com os alunos. Uma chuva de perguntas interessantes, que ele não respondeu nem à altura, nem não. Devaneou, como se estivesse em um tempo muito diferente do nosso, em uma esteira móvel que vai dar num lugar confortável, conveniente, um apartamento antigo com memórias óbvias e respostas curtas de tão longas. Enquanto isso, os alunos trotavam em cavalos alados pelos bosques do infindável, do inimaginável, da sede que molha a boca quando a gente sabe que pode, que pode ser, que pode ir, que pode virar qualquer coisa porque a moda agora é se arriscar, correr perigo - e voltar pro casulo não menos óbvio que aquele apartamento antigo. Uma pergunta me intrigou pela pureza da resposta que ela teria: como é que você se inspira para escrever? A resposta, nem boa nem ruim, só sincera, também me rendeu reminders de indigestão pela tarde afora, um incômodo que sentou em cima das minhas convicções, me pesou as costas. Pegue uma palavra, ele disse. Por exemplo, a palavra RIO. Faça uma lista das palavras que têm a ver com RIO - córrego, água, cachoeira, mar, correr, nascente, margem. Agora tente colocar essas palavras juntas e comece a escrever. Não é como Chico Xavier, ele completou com um risinho irônico, não é só colocar a mão na cabeça e deixar vir - a gente precisa das técnicas certas. Fiquei murcha na cadeira. Ele me olhou e sorri um sorriso meio amarelo, meio complacente. Meus olhos diziam com todas as letras que eu não concordava. No dia em que técnica tiver o mesmo nome que inspiração, a inspiração vai ter que mudar de cidade, cortar o cabelo, calçar a cara e dizer Inspiração, não: me chamo outra coisa.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Symbol in my driveway

Cá estão, memórias curtas, a bater na porta como gente sem casa em dia de chuva. Probabilidade do improvável ou é só a gente como sempre pushing too hard? Ele diz que eu falo demais, que eu como demais, que sou desastrada e faço drama. Fica puto quando eu faço qualquer pergunta que exija dele um pouquinho a mais, não quer papo nem antes nem depois da cama. Viro pro lado e me pergunto por que a gente faz certas escolhas, por que é tão dependente, tão complacente que beira o ridículo, por que a gente se coloca numa situação que gera riso ou pena, medo de sair na rua. Nunca conseguiram prever meu futuro - nenhuma dessas pessoas que têm o dom, que acertam sobre a vida dos outros, já falaram qualquer coisa coerente sobre a minha vida. Deve ser pra eu aprender sozinha a ficar surpresa e lidar melhor com o medo de susto, decepção ou tragédia. 

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Ieri, domani

O primeiro tinha medo de sua própria sombra - desconfiava sem saber que suas suspeitas vinham de seu próprio comportamento. Flertava e tinha medo de ser passado pra trás; traía e morria de medo de ser traído. Apareceu com uma dita-amiga duas semanas depois, e mais duas semanas depois batia na porta pedindo perdão. Mas e essa ragazza? Era larga? Frígida? Mordia ou bancava a suicida? Já não importava. O segundo tinha um jeito manso só seu - não incomodava ninguém. Não queria casar, mudar, procriar e achava a ideia de sair de casa quase um sacrilégio - seria se acreditasse em Deus ou alguma coisa. Pois que casou, mudou e nada melhorou - não procriou porque Deus não quis. Tinha demasiado apreço pelas coisas terrenas, pânico por novas relações, uma relação indecente com a bebida e uma família que foi como veio, unpassant. Ansiava  inconscientemente pelo dia em que iria manter um passarinho na gaiola a bel prazer, e mais de uma década depois, ainda trabalhava nas mais ardilosas armadilhas para fazê-lo sucumbir, grunhir de dor, mudar a cara e sobreviver. O terceiro se vestiu de sinceridade pueril - a juventude lhe justificava. Agia como se houvesse visto demais - celebrava como se a verdade cruel da vida nunca fosse bater-lhe à porta . Gargalhava com ímpetos de cinismo à primeira pedra - aninhava-se a ela como se não houvesse tempo, espaço ou alguém esperando. Encasulava-se ao menor sinal de carinho e sorvia aquele corpo àquele tempo.  Queria sexo rápido e cheio de amor, que as desavenças se curam quando o corpo está exposto, sem truques ou ideias. Acho que em algum momento pensou que estava com sorte, e sorveu a convivência com ar astuto e comportamento instável e sempre particular. Coabita uma desconfiança que passei a ter, medo de tudo. Não sei ainda por que a gente insiste em se relacionar, em dar nome às coisas, em lutar pra fingir que a cerveja gelada flui em dia de frio, em achar que beber e foder e estremecer ao gozar vão dar a nós, pobres mortais, a mínima ideia do que seja amar no âmago da palavra. Não tenho por que celebrar. Fiquem com os nudes e seminudes de quem precisa de plateia e não julguem. Tenho certeza que cada um sabe o que faz e POR QUE o faz. 

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Blind date

Another year. Another mess. Other discoveries, misfortunes, attempts to stand tall just a while longer, plans to grow stronger and fearless, a bit more careless, a lot more hopeful, maybe less dissatisfied, less stubborn. I was raised to be scared, to follow a path other people had long ago carved across their bitter pasts. I inherited a handful of loneliness and filled a spoonful of hearts just as lonely. Sometimes I thought I'd pulled through; other times I just reached out for whatever I shall never find. Quite unfair to be pushed through the magic of existence with no clue on what lies ahead. I am not as afraid as I used to be. I am not afraid of having a baby, of losing it, of not being able to have one at all, of getting myself a dog, of struggling to have my own piece of land, of saying I love you, of living in someone else's heart, of sleeping while everyone else is dancing. I am no longer afraid of losing, of ageing, of missing a thing, of spending more time here than there, of facing prejudice in people's eyes, of making my own choices, of basing my choices on the stupidest reasons, of failing as a relative, as a partner, as a friend, as a professional, as a parent. I am afraid of failing as a human being, of not being ready to give in to love, of believing, of being ungrateful, of not giving the other cheek. I am afraid of not forgiving, not forgetting, not understanding why my life is different now, why my heart is still aching, why the songs I like singing have changed and yet remain the same. I am afraid of not finding in love the tranquility I have sought all my life. I am afraid of not getting presents or love messages, of not being surprised, of not being cherished, nurtured, embraced in body and soul. I am afraid of not being part of someone else's plans much more than I would ever be scared of flying, of dying, of being short of money, of simply not caring. I am afraid of waiting for my life to be a love poem and ending up wondering what the hell went wrong. This uncertainty bothers me from time to time and yet I insist on living; on trying; on starting from scratch; on making the same fucking mistakes and laughing at them afterwards. Boy, I'll tell you: I am often afraid of choosing the wrong answer, just like I did as a highschool student, and it all points to something larger than you and me: I guess I am really afraid of not having enough faith in the laws of action and reaction. As long as I react, however, I know I shall bear the same thoughts, blame others and skip from my responsibilities. Will I ever...? 

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Bella

Querida Érika,

Hoje li uma mensagem sugerindo que eu escrevesse uma carta a você. Talvez eu já tenha feito isso algumas vezes, em primeira ou terceira pessoa, mas acho que não em forma de carta. Enfim... Quis te escrever porque por vezes percebo a sua confusão sempre que tenta entender o que foi que te trouxe, o que te leva e por que ser você, desse jeitinho mesmo. Você nasceu formiga em corpo de cigarra, cigarra com alma de formiga, capricorniana da gema. Trabalhar sempre foi uma prioridade, mas por dentro explodia aquela vontade de subir no palco, tomar posse do microfone e cantar pra uma ou outras pessoas, cantar de olhos fechados, cantar e fazer mil gestos do tamanho da sua alegria. Gostava de se ouvir soprosa, arranhada, sôfrega, visceral, antiprimorosa, contravirtuosa, na contramão da cigarrice integral. Pois que do lado esquerdo do peito bateu, bate e baterá seu coração de professora, de leoa, de existência mais macia do que dura, de gente que nem pensa em desagradar nem em parar de escrever, que ainda deseja uma coleção de abstrações piegas de tão importantes. Esse barco foi se moldando conforme as tempestades - a cigarra deu lugar à formiga assim que a escola acabou por pura necessidade. A formiga foi tomando forma mas as notas saíam sem querer. De repente não era formiga nem cigarra - era dona de casa que não era sua, incompreendida, bicho doido que não cabe em coleira. O tempo passou e você serenou nessa vida de formiga que bota o coração pra bater forte de medo, êxtase, audácia e orgulho. Hora pra acordar, dormir, dinheiro contado, uma casa bonita que a cigarra visita batendo os chinelos velhos no chão com um ritmo quase ensaiado, nostalgia de quem queria ter mais fé e esperar pela sua hora de ver estrela. E de repente estão as duas ali, olhando uma pra outra com um quê de angústia; nessa hora sinto seu coração doer e fico querendo que você entenda uma coisa só: você canta e trabalha, você sorri e pensa, você se quer bem e tem a classe que bloqueia a vileza, a baixeza e a injustiça. Você sente correr nas veias aquela mistura quente, humana e se arrepia toda, sem entender que é ela quem revela tudo o que há aí dentro de mais genuíno, raro, precioso.

Que o bem sempre te habite, que os céus te guardem, que a coragem e a sorte te guiem.

Eu acredito em você.

Paz...

Érika

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Tênue

"Why am I compelled to write? Because the writing saves me from this complacency I fear. Because I have no choice. Because I must keep the spirit of my revolt and myself alive. Because the world I create in the writing compensates for what the real world does not give me. By writing, I put order in the world, give it a handle so I can grasp it." (Gloria E. Anzaldúa)