quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

OD

I
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Hi. My name's Erin and I'm a junkie.
(pause)
Very well... would you like to talk about it?
What do you mean?
Er... would you like to mention the nature of your addiction?
Why not? I'm a love addict (laughter).
Sorry, but I can't help laughing myself! Do you mind being a bit more... specific?
You're such a wanker! I knew I shouldn't have come here in the first place...
Wait! Sorry, I didn't mean to... er... sorry, but you'll have to agree that it's at least unusual, right? Calm down, please take a sit. (pause) OK, go on. I'll try to follow.
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II
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I always thought I was different. Love has always made such a difference... I don't mean non-stop hugging and kissing, but real love - that energy. I was 7 or 8 when I first felt it. I used to steal stuff from my classmates at school, just for the fun of it. I would always return what I had stolen, on the same day, but the adrenaline of taking something without anybody noticing it was priceless! One day, obviously, I got caught, and the supervisor called my mom. On my way home all I could possibly think about was excuses. Loads of them, in all sizes and colours. Before I could say anything, however, my mom looked at me. Softly. Gently. Deeply. She said "I'm sorry, I should have taught you that this is wrong. Whenever you want something, talk to me and we'll work it out." I felt so much light, so much energy, that it filled me like a drug. After this day, I wanted to feel it again. Again. Again. I did all kinds of things to get love, to be filled up, warm, safe. I tried. Oh, yes, sir, I have tried. The bad thing about it is that money cannot solve the problem. You cannot go under the bridge and ask for 20 quid of love. I was desperate for some time, and didn't want any of my days to unfold. After some years, I found out that my body could give me love. I offered it to everybody I could, but I only felt drops of it pouring down on my face every now and then. I was on the verge of threatening someone to love me, but before I did somebody decided to play the role, deliberately. Nothing has never felt so good...
(pause)
Uh... excuse me, but what I don't understand is why you want to give it up. Being loved must feel quite nice, init?
Every addiction is a curse, don't you know that? Besides, I've OD'ed.
(deep silence)
(sigh)
(cough)
OK... let's hear it.

sábado, 28 de novembro de 2009

We're gonna change the world

Convido você a mudar de comportamento. Vamos parar de reproduzir as atitudes alheias que não levam a nada? Não é fácil, mas é necessário. Eu, por exemplo, falo muito, muito mal, muitas vezes. Coisas que não fazem sentido, coisas das quais mais tarde me arrependo. Percebo que falo o que penso das pessoas sem que elas tenham a chance de mostrarem-se diferentes. Falo o que penso, e penso tão diferente a cada instante... Reprovo comportamentos e admiro valores, lado a lado. Todo mundo tem seu lado ruim, todo mundo tem seu lado bom. Eu enxergo os dois, e falo. Todo mundo tem seus defeitos, quase todos têm qualidades inegáveis - eu percebo. Aos poucos quem não me faz bem vai procurando seu rumo, sem choro nem vela: uma questão de qualidade de vida. E para acompanhar esse processo, que tal transformar um comentário ruim em um bom? Afinal, comentários ruins enchem o estômago de sapos pesados, trazem culpa. No final, as pessoas nunca são tão ruins quanto parecem (pelo menos boa parte delas). O problema é meu reflexo nem sempre apurado, às vezes sem nexo: o que eu reflito, eu devolvo. Indiferença, amor, alegria, rudeza. Tento na medida do possível devolver a falsidade; nem sempre consigo - é uma senhora virtude!... Então aí vai um convite: esqueçamos os confidentes que espalharam confidências, perdoemos aos fracos cuja verdade não tem vez, louvemos os amigos de aluguel pelos serviços prestados, ignoremos a quem não consegue querer-nos bem, porque querer bem aos outros é um dom. Vamos trocar um comentário ruim por um bom às segundas-feiras. Na terceira semana tente dobrar esse número e aumente um comentário a cada semana. Depois do quinto, passe pra terça. É um exercício, vamos tentar? Se não aguentar, beba leite... e comece de novo. Vou começar, você vem? Malhar a alma pode ser tão tentador quanto malhar o outro.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Inefável

Hoje os mundos se encontram, as palavras se perdem.
Quando te conheci senti uma coisa doida, quase que como tudo na vida. Falei por nós dois, e um belo dia me veio à cabeça que você não ter me dito nada fez toda a diferença. O vento sopra suave, o calor é intenso, e nessa alegria abafada eu te procuro, te imagino. Penso no seu sorriso, na sua saúde, na sua tentativa de viver acuado, sufocado por desejos que na verdade, na verdade mesmo, nunca foram seus. Te penso, sem me dar conta te desejo muitíssimo por tantos infindáveis momentos... Dessa forma te alcanço. Recupero as cores do seu abraço, as formas do seu andar. Enxergo com toda clareza a intensidade do seu sono. Quisera Deus que fosse eu, quisera eu que na placidez desse dia morno te deixasse ir, com juízo, com cuidado, para algum lugar que te faça feliz... Talvez outro dia, mas não hoje. Hoje estamos conectados; é mais um daqueles dias em que você parece estar aqui. Amanhã certamente será diferente - energia nova, grandes expectativas. Amanhã faremos os dois outras coisas, ocuparemos nosso pensamento com outras pessoas, participaremos de outras ocasiões. Iremos à luta com unhas e dentes, amaremos estarmos vivos, sentiremos o clima da estação na pele fina do rosto. Amanhã não farei parte do seu capítulo, nem em sonho, mas hoje... Hoje eu mais uma vez me repito quando digo que o tempo parou de passar. Não há porque chorar ou se divertir. É quase tão louco quanto tudo na vida ser invadida por essa esperança involuntária. Hoje o episódio não conta - estamos de férias dessa paródia malcontada que é a nossa vida. Pra onde quer que o planeta gire, hoje os mundos se encontraram e as palavras se perderam. Até amanhã...

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Um pouco louco

Era uma vez uma menina que queria achar a chave pra tudo. Descobriu que a chave estava num lugar muito pertinho dela e ficou frustrada por ter demorado a descobrir. Num ímpeto, jogou a dita cuja pra lá de onde jamais se acha alguma coisa e foi dormir. Sonhou com travesseiros, lagartixas e um olho bem grande parado no meio do sonho, escancarado, olhando pra ela. Fez uma força muito grande pra fechar o olhão sinistro, mas ele estava preso a uma tomada e, na confusão, se soltou. Depois desse dia ela tentou me convencer de que sua vida está bem melhor, de que ela agora sabe da verdade. Eu a vejo falar sozinha e acho engraçado; os médicos acham patológico; os pais acham louco. Ela vive hoje em um local isolado. Ela fala comigo, ela me conhece, como isso pode ser louco? Como se enxerga a loucura, como se mede? Gosta de flores e coelhos, nunca fez mal a nenhum dos dois. Se ela é calma, por que remédios para ansiedade? Se ela é feliz consigo mesma, por que remédios para depressão? As pessoas não a compreendem. Linda, doce... e só. Tudo que ela queria era achar a chave para si. Soube um belo dia que a chave para si a separava do mundo. Não teve medo, não havia o que perder. Vive longe dos homens, mas depende deles para as coisas mais mundanas. Não se dá conta. É amada por alguém que não importa, coloca roupas que independem da hora certa. Vive sem estado civil, sem bandeira. Dorme e acorda. Há muito tempo deixou de sonhar. Conversa com os caracóis dos seus longos cabelos, e isso lhe basta. Como seria se isso bastasse pra você? Um pouco louco, né? Não se acanhe! É assim que a banda toca...

sábado, 21 de novembro de 2009

Dom Quixote

Deus misericordioso, o que fizeram com a idéia, com a mocréia, com a centopéia? Coitadinhas, ficaram tão tristes... arrancaram delas seu brilho, tiraram delas toda a sua força. Agora elas se chamam ideia, mocreia, centopeia. Estão xoxinhas, deprimidas. A mocreia está sem ideia, a centopeia até resolveu se compadecer da mocreia, já que além da condição lhe falta agora um pedaço. O vilão que realizou essa barbaridade não pensou sequer por um segundo na natureza dessas garotas. Uma boa idéia precisa de força pra vingar; uma centopéia precisa de força ao colocar aquilo tudo pra funcionar. E a mocréia precisa de muita força pra ter uma boa idéia e sair da zona das centopéicas desventuras. Eu acredito em vocês, palavras, e nunca hei de tirar-lhes a peruca de Sansão, ainda que ela lembre mais o cabelo do Cebolinha... Avante! Branca, Branca, Leone, Leone, Leone!

Conspiração

Ontem eu cantei depois de muito tempo. Foi despretensioso, foi gostoso... singular. Um pouco peculiar, é verdade, mas de um jeito estranho o universo parece conspirar para que o microfone caia na minha mão. Ontem eu respirei e peguei o tom sem saber explicar nada, sem estudo algum, quase sem educação. Meu corpo sorriu, minha cabeça voou longe, meu coração derramou cada uma daquelas doces palavras, de Chico, de Paulinho, de Cartola... Não é que o samba é a coisa mais bonita desse mundo? Minha boca se abriu sem eu pedir, e dela saíram os versos mágicos que embalam a cadência bonita. Demais. É engraçado como meu organismo reage ao absorver boa música. Me imagino como um daqueles personagens de desenho animado, que sentem um cheiro gostoso ou vêem alguém muito interessante e começam a flutuar naquela direção. Num instante estou lá, pentelhando os músicos. Não quero só ouvir, preciso participar, fico querendo cantar. Quase que desesperadamente. E quando o microfone cai na minha mão, ah! Sinto que minha vida está resolvida, meu segredo descoberto: é como se tivesse vindo ao mundo só pra viver de poesia, pra cantar a poesia... pra fazer isso e aquilo.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Either way

I have always liked what I don't know.
This could be a major mistake
or the key to a precious world.
Either way,
I just wanted you to know
in case you grow old
and never quite get
why I have fallen in love
and shown from day one
I wanted to have a go.
You could have let it flow
but you preferred to stay away.
Let's just say
I loved you so
when I didn't know you...
I've learned to throw up my hands
and live one new adventure at a time
I still like what I don't know
But, after all, you're old news;
There'll always be a better place to go...