quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Unimagine

If you can't see me,
close your eyes and meet me in your dreams;
If you can't talk to me,
sing me in each of your love songs yet to be;
If you can't find me,
imagine the end of our distance;
If you can't touch me,
feel me in the strings of your existence;
If you can't walk with me,
figure out your own path and think of us;
If you can't sense me,
then there's plenty for you and your heart to discuss.

Unimagine

If you can't see me,
close your eyes and meet me in your dreams;
If you can't talk to me,
sing me in each of your love songs yet to be;
If you can't find me,
imagine the end of our distance;
If you can't touch me,
feel me in the strings of your existence;
If you can't walk with me,
figure out your own path and think of us;
If you can't sense me,
then there's plenty for you and your heart to discuss.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Por favor pare agora

Esse é o momento derradeiro: momento em que se olha pra trás procurando pelas glórias alcançadas; momento em que se olha para a frente planejando as próximas. Nesse momento especial, me vieram à cabeça duas lembranças que pretendo levar para toda a vida. 

A primeira é a de um trabalho voluntário que minha mãe realizou no CVV - Centro de Valorização à Vida - aqui em Belo Horizonte há alguns anos. Esse programa contava com um call center que recebia ligações de pessoas que, por algum motivo, não estavam felizes com suas vidas - sem eufemismos, suicidas em potencial. Não era um trabalho fácil por vários motivos evidentes, mas dentre os motivos não tão evidentes assim, não era fácil porque a tarefa era simplesmente OUVIR. Isso mesmo, ouvir. Ouvir sem dar palpites, sem analisar o que se ouve, sem buscar uma solução, sem tentar entender por quê. Ouvir com interesse - esse era o trabalho dos voluntários do CVV. Todos eles passavam por um treinamento cuidadoso de forma a cumprirem com esse precioso combinado. Se pararmos pra pensar, a dificuldade em ouvir parece ainda maior ao descobrirmos que ela vem de dentro. A impaciência e a ansiedade são grandes vilões nessa história, e no final das contas, a busca pela sabedoria envolve uma luta árdua, diária, insistente que muitas vezes não nos damos ao trabalho de vencer. Quando um amigo ou um parente deseja compartilhar um dissabor, nunca nos passa pela cabeça que talvez ele só queira ser ouvido; que falar sobre o problema vai fazer com que ele mesmo se alivie ou tenha uma boa ideia; que ouvi-lo terá muito mais valor que propor uma solução ou esfarelar suas mazelas em cima da mesa, felicidade de todo analista. Não importa o seu método - enfiar o dedo na ferida do outro, propor uma terapia que funciona pra você mas pode não funcionar pra mais ninguém, dar uma aula de moral e bons costumes, jogar os holofotes pra você e os seus "eu acho" - porque o assunto nesse momento não é você, o que você acha, o que te ajudou, o que você vê, o que faria... não. Esse é o espaço de uma pessoa que sofre e precisa de um ombro amigo. Se você não puder oferecer esse ombro, não ofereça outra coisa pelo costume de oferecer - nada mais importa.

A segunda vem do filme "Pride and prejudice", uma obra-prima, em uma cena de repreensão da mãe para com a filha mais nova. O comentário é pontual - quando não houver nada de bom para falar, fale sobre o tempo. Já partilhei essas palavras com vocês há mais tempo, mas reforço esses dizeres aqui porque desejo que eles jamais me abandonem. Falar é fácil, falar é rápido, falar é cômodo, porque, diferente de escrever, falar geralmente não envolve um pensamento prévio. As palavras têm a força para erguer e derrubar uma muralha, não se esqueçam. 

Ouvir pelo menos duas vezes mais do que se fala tem sido o meu lema por algum tempo, e mesmo assim não posso considerá-lo, até o momento, uma meta alcançada - nem mesmo alcançável. Ainda. Penso que quando chegar lá, conhecerei a verdadeira paz. Acho que muitos de vocês devem estar pensando que esse foi um ano de grandes mudanças, realizações de todo tipo, exploração do eu interior em busca de respostas, entendimento e clareza que fizeram com que você se sentisse seguro o bastante para transferir sua receita de sucesso para a vida alheia - em outras palavras: que você* se intitulasse o Mestre dos Magos e saísse por aí pregando o segredo da felicidade a quem quer que esteja mais próximo. Acredito realmente que a intenção seja boa, mas ainda acho que ouvir sem qualquer intenção gera um mundo inteiro de mudanças e novas perspectivas pra você também. 

Desejo um ano novo com mais amor, mais justiça, mais palavras de otimismo e encorajamento, mais sonhos que englobem uma área maior que o escopo do seu próprio umbigo. Mais liberdade, igualdade e fraternidade para todos nós - e isso só será reduzido a uma mera utopia se for o que a gente quiser. Não custa tentar... Feliz 2013!

*me included

Por favor pare agora

Esse é o momento derradeiro: momento em que se olha pra trás procurando pelas glórias alcançadas; momento em que se olha para a frente planejando as próximas. Nesse momento especial, me vieram à cabeça duas lembranças que pretendo levar para toda a vida. 

A primeira é a de um trabalho voluntário que minha mãe realizou no CVV - Centro de Valorização à Vida - aqui em Belo Horizonte há alguns anos. Esse programa contava com um call center que recebia ligações de pessoas que, por algum motivo, não estavam felizes com suas vidas - sem eufemismos, suicidas em potencial. Não era um trabalho fácil por vários motivos evidentes, mas dentre os motivos não tão evidentes assim, não era fácil porque a tarefa era simplesmente OUVIR. Isso mesmo, ouvir. Ouvir sem dar palpites, sem analisar o que se ouve, sem buscar uma solução, sem tentar entender por quê. Ouvir com interesse - esse era o trabalho dos voluntários do CVV. Todos eles passavam por um treinamento cuidadoso de forma a cumprirem com esse precioso combinado. Se pararmos pra pensar, a dificuldade em ouvir parece ainda maior ao descobrirmos que ela vem de dentro. A impaciência e a ansiedade são grandes vilões nessa história, e no final das contas, a busca pela sabedoria envolve uma luta árdua, diária, insistente que muitas vezes não nos damos ao trabalho de vencer. Quando um amigo ou um parente deseja compartilhar um dissabor, nunca nos passa pela cabeça que talvez ele só queira ser ouvido; que falar sobre o problema vai fazer com que ele mesmo se alivie ou tenha uma boa ideia; que ouvi-lo terá muito mais valor que propor uma solução ou esfarelar suas mazelas em cima da mesa, felicidade de todo analista. Não importa o seu método - enfiar o dedo na ferida do outro, propor uma terapia que funciona pra você mas pode não funcionar pra mais ninguém, dar uma aula de moral e bons costumes, jogar os holofotes pra você e os seus "eu acho" - porque o assunto nesse momento não é você, o que você acha, o que te ajudou, o que você vê, o que faria... não. Esse é o espaço de uma pessoa que sofre e precisa de um ombro amigo. Se você não puder oferecer esse ombro, não ofereça outra coisa pelo costume de oferecer - nada mais importa.

A segunda vem do filme "Pride and prejudice", uma obra-prima, em uma cena de repreensão da mãe para com a filha mais nova. O comentário é pontual - quando não houver nada de bom para falar, fale sobre o tempo. Já partilhei essas palavras com vocês há mais tempo, mas reforço esses dizeres aqui porque desejo que eles jamais me abandonem. Falar é fácil, falar é rápido, falar é cômodo, porque, diferente de escrever, falar geralmente não envolve um pensamento prévio. As palavras têm a força para erguer e derrubar uma muralha, não se esqueçam. 

Ouvir pelo menos duas vezes mais do que se fala tem sido o meu lema por algum tempo, e mesmo assim não posso considerá-lo, até o momento, uma meta alcançada - nem mesmo alcançável. Ainda. Penso que quando chegar lá, conhecerei a verdadeira paz. Acho que muitos de vocês devem estar pensando que esse foi um ano de grandes mudanças, realizações de todo tipo, exploração do eu interior em busca de respostas, entendimento e clareza que fizeram com que você se sentisse seguro o bastante para transferir sua receita de sucesso para a vida alheia - em outras palavras: que você* se intitulasse o Mestre dos Magos e saísse por aí pregando o segredo da felicidade a quem quer que esteja mais próximo. Acredito realmente que a intenção seja boa, mas ainda acho que ouvir sem qualquer intenção gera um mundo inteiro de mudanças e novas perspectivas pra você também. 

Desejo um ano novo com mais amor, mais justiça, mais palavras de otimismo e encorajamento, mais sonhos que englobem uma área maior que o escopo do seu próprio umbigo. Mais liberdade, igualdade e fraternidade para todos nós - e isso só será reduzido a uma mera utopia se for o que a gente quiser. Não custa tentar... Feliz 2013!

*me included

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar!

É, gente... Resumo da ópera: apesar do calor infernal, dos engarrafamentos surreais, da falta de educação e de respeito das pessoas umas com as outras, do egoísmo em proporções astronômicas e do individualismo que nasceu como forma de expressão e se tornou, com adventos babacas como o facebook, uma Síndrome da Importância generalizada... apesar de tudo isso... o tal do mundo não se acabou. Será que era uma metáfora? Um awakening para o fato de que estamos todos indo pro fundo do mesmo buraco enquanto nos preocupamos com a dieta mais apropriada, o creme que tira manchas ou o tratamento chinês que promete resultados eficazes contra a celulite, enquanto os caras perdem noites de sono imaginando se estão ganhando mais que os amigos de infância, se o carro deles é mais caro ou se a decoração do apartamento vai intimidar os vizinhos e colegas de trabalho? Não sei. Fato é que, para alívio de uns e desespero de outros (não sei vocês, mas eu teria muuuita vergonha de estar em um abrigo subterrâneo com estoque de comida numa hora dessas), parece que não vai ser tão fácil assim tirar a responsabilidade das costas e esperar que Deus nos poupe da agonia diária de se viver em um mundo tão fadado ao fracasso. Um purgatório pra quem precisa evoluir - é essa a realidade Matrix que, tão orgulhosamente, partilhamos, da qual só se leva uma trouxa pesada chamada 'história de cada um'. Se você acha que ainda é possível dar um 360 na sua, saiba que tempo está longe de ser uma desculpa. Enquanto isso, aproveite o global warming!

Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar!

É, gente... Resumo da ópera: apesar do calor infernal, dos engarrafamentos surreais, da falta de educação e de respeito das pessoas umas com as outras, do egoísmo em proporções astronômicas e do individualismo que nasceu como forma de expressão e se tornou, com adventos babacas como o facebook, uma Síndrome da Importância generalizada... apesar de tudo isso... o tal do mundo não se acabou. Será que era uma metáfora? Um awakening para o fato de que estamos todos indo pro fundo do mesmo buraco enquanto nos preocupamos com a dieta mais apropriada, o creme que tira manchas ou o tratamento chinês que promete resultados eficazes contra a celulite, enquanto os caras perdem noites de sono imaginando se estão ganhando mais que os amigos de infância, se o carro deles é mais caro ou se a decoração do apartamento vai intimidar os vizinhos e colegas de trabalho? Não sei. Fato é que, para alívio de uns e desespero de outros (não sei vocês, mas eu teria muuuita vergonha de estar em um abrigo subterrâneo com estoque de comida numa hora dessas), parece que não vai ser tão fácil assim tirar a responsabilidade das costas e esperar que Deus nos poupe da agonia diária de se viver em um mundo tão fadado ao fracasso. Um purgatório pra quem precisa evoluir - é essa a realidade Matrix que, tão orgulhosamente, partilhamos, da qual só se leva uma trouxa pesada chamada 'história de cada um'. Se você acha que ainda é possível dar um 360 na sua, saiba que tempo está longe de ser uma desculpa. Enquanto isso, aproveite o global warming!

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

À procura da felicidade

Acho que estamos precisando acessar o que realmente nos faz felizes... Muitas vezes é muito menos do que se imagina - um olhar, um gesto, um dia bonito, um sorriso, uma palavra, um nascer ou pôr do sol, esperança sempre - mas principalmente: viver o presente, transformar o agora!!! Vamos nessa?

À procura da felicidade

Acho que estamos precisando acessar o que realmente nos faz felizes... Muitas vezes é muito menos do que se imagina - um olhar, um gesto, um dia bonito, um sorriso, uma palavra, um nascer ou pôr do sol, esperança sempre - mas principalmente: viver o presente, transformar o agora!!! Vamos nessa?

Present Perfect

"A word is dead
when it is said", 
some say.
I say it just
begins to live
that day.  (E.D.)

Present Perfect

"A word is dead
when it is said", 
some say.
I say it just
begins to live
that day.  (E.D.)

domingo, 16 de dezembro de 2012

Canhoteiro

Meu pai foi uma daquelas pessoas que foram forçadas a escrever com a mão direita na escola, como a maioria dos canhotos natos daquela geração. Nunca vou entender por que ser canhoto era proibido; cada um fala uma coisa, mas só o que se sabe é que a letra do meu pai virou um hieroglifo que mais parece resultado de eletrocardiograma, um emaranhado de ups and downs que sentia-me orgulhosa por conseguir decifrar quando era ainda pequena. Apesar de ter passado esse gene canhoto para mim, minha irmã e meu sobrinho, meu pai nunca escreveu com a mão esquerda, porque quando o erro de ser canhoto tornou-se uma qualidade exótica, ele já havia se habituado a tentar domar o lápis com a outra mão. Se de um lado a escola foi inflexível, do outro o futebol foi generoso: deixou que meu pai fosse canhoto, que brilhasse e fizesse seu nome com a força de sua perna esquerda. Ser canhoto de pé não era pecado nem representava qualquer tipo de maldição ou malefício, e penso que devia ser até bem interessante, porque até hoje, tantos anos depois, ainda se fala daquele menino comprido, franzino e danado de bom com uma bola no pé. Pra você, Seu Hélio Caetano, o eterno Canhoteiro, a minha homenagem - antes do dia 25/12, mas já com gosto de presente de aniversário, hein? Adorei te ver assim magrinho, pai ;) Ainda bem que agora essa foto vai ficar guardadinha aqui no garrastazu, pra posteridade...

PS: Será que qualquer semelhança é mera coincidência? Acho que não...

Canhoteiro

Meu pai foi uma daquelas pessoas que foram forçadas a escrever com a mão direita na escola, como a maioria dos canhotos natos daquela geração. Nunca vou entender por que ser canhoto era proibido; cada um fala uma coisa, mas só o que se sabe é que a letra do meu pai virou um hieroglifo que mais parece resultado de eletrocardiograma, um emaranhado de ups and downs que sentia-me orgulhosa por conseguir decifrar quando era ainda pequena. Apesar de ter passado esse gene canhoto para mim, minha irmã e meu sobrinho, meu pai nunca escreveu com a mão esquerda, porque quando o erro de ser canhoto tornou-se uma qualidade exótica, ele já havia se habituado a tentar domar o lápis com a outra mão. Se de um lado a escola foi inflexível, do outro o futebol foi generoso: deixou que meu pai fosse canhoto, que brilhasse e fizesse seu nome com a força de sua perna esquerda. Ser canhoto de pé não era pecado nem representava qualquer tipo de maldição ou malefício, e penso que devia ser até bem interessante, porque até hoje, tantos anos depois, ainda se fala daquele menino comprido, franzino e danado de bom com uma bola no pé. Pra você, Seu Hélio Caetano, o eterno Canhoteiro, a minha homenagem - antes do dia 25/12, mas já com gosto de presente de aniversário, hein? Adorei te ver assim magrinho, pai ;) Ainda bem que agora essa foto vai ficar guardadinha aqui no garrastazu, pra posteridade...

PS: Será que qualquer semelhança é mera coincidência? Acho que não...

Medecins sans frontieres

What a thrilling experience to go somewhere you know nothing of... to see lips moving here and there without hearing what they have to say... Would it be worth the while anyway? I didn't think so. Laying down on a cold bed, humbly exposed while some make quite a show out of your misery. 'They need to learn' - so I've heard. I've been put to sleep till it was time to wake up, in a quieter spot, wearing different clothes, too dizzy to say I actually cared, too slow to claim for whatever felt closest to comfort. My weary eyes walked around spasms of pride echoing from all sides of the room with no honest reply. I was told I would survive, and that should suffice. Even if our bodies are so fragile as to pay the price, our souls are much stronger than we consider them to be: they carry such a great desire to hope  that the heart usually wins - we wrap our tiny selves in thoughts covered with silk... and feel glad to be alive once again.

Medecins sans frontieres

What a thrilling experience to go somewhere you know nothing of... to see lips moving here and there without hearing what they have to say... Would it be worth the while anyway? I didn't think so. Laying down on a cold bed, humbly exposed while some make quite a show out of your misery. 'They need to learn' - so I've heard. I've been put to sleep till it was time to wake up, in a quieter spot, wearing different clothes, too dizzy to say I actually cared, too slow to claim for whatever felt closest to comfort. My weary eyes walked around spasms of pride echoing from all sides of the room with no honest reply. I was told I would survive, and that should suffice. Even if our bodies are so fragile as to pay the price, our souls are much stronger than we consider them to be: they carry such a great desire to hope  that the heart usually wins - we wrap our tiny selves in thoughts covered with silk... and feel glad to be alive once again.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Alterego



Hum... Does it remind you of anyone you might know?...

Alterego



Hum... Does it remind you of anyone you might know?...

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Bem leve

Quero menos. Quero mais. Quero o que der pra levar dessa vida nessa mala: leve, leve... leve. Quero que eu levite, que você levante, que levemos o bom, que bons ventos nos levem, que leve o melhor em mim, que não me leve assim - quero que o amor me leve. Não me leve a mal! All I need... é uma levada mais leve que a de costume.

Bem leve

Quero menos. Quero mais. Quero o que der pra levar dessa vida nessa mala: leve, leve... leve. Quero que eu levite, que você levante, que levemos o bom, que bons ventos nos levem, que leve o melhor em mim, que não me leve assim - quero que o amor me leve. Não me leve a mal! All I need... é uma levada mais leve que a de costume.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

How I wish...

So,
so you think you can tell Heaven from Hell,
blue skies from pain?
Can you tell a green field from a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?
And did they get you to trade your heroes for ghosts?
Hot ashes for trees?
Hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?
And did you exchange a walk on part in the war for a lead role in a cage?
How I wish, how I wish you were here
We're just two lost souls swimming in a fish bowl, year after year,
Running over the same old ground
What have you found? 
The same old fears
Wish you were here...

How I wish...

So,
so you think you can tell Heaven from Hell,
blue skies from pain?
Can you tell a green field from a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?
And did they get you to trade your heroes for ghosts?
Hot ashes for trees?
Hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?
And did you exchange a walk on part in the war for a lead role in a cage?
How I wish, how I wish you were here
We're just two lost souls swimming in a fish bowl, year after year,
Running over the same old ground
What have you found? 
The same old fears
Wish you were here...

domingo, 9 de dezembro de 2012

Scintillanti

Eccomi qui, nuovamente ad inamorarmi delle storie degli altri, nuovamente a cercare la luce che mi porterà a una vita semplice, facile, dolce come gli occhi che un giorno mi hanno guardato con qualche dubbio, qualche curiosità, qualche sentimento vero che non posso ancora capire. Ti ho detto che  ora non riesco ad essere felice perché voglio una posizione, una spiegazione che le stelle mi hanno promesso. Sono stanca, non mi inamorerò di più - resterò a una casa che non è mia, penserò alle persone che hanno avuto un passato diverso e adesso possono avere un futuro scintillante. Vado via? Domani chissà - oggi devo dormire e fare belli sogni con gli stessi colori della tua speranza.

Scintillanti

Eccomi qui, nuovamente ad inamorarmi delle storie degli altri, nuovamente a cercare la luce che mi porterà a una vita semplice, facile, dolce come gli occhi che un giorno mi hanno guardato con qualche dubbio, qualche curiosità, qualche sentimento vero che non posso ancora capire. Ti ho detto che  ora non riesco ad essere felice perché voglio una posizione, una spiegazione che le stelle mi hanno promesso. Sono stanca, non mi inamorerò di più - resterò a una casa che non è mia, penserò alle persone che hanno avuto un passato diverso e adesso possono avere un futuro scintillante. Vado via? Domani chissà - oggi devo dormire e fare belli sogni con gli stessi colori della tua speranza.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Way too much

Ah, mas para que ser assim tão delicada, se o mundo esbraveja e engole a gente lá fora... Conheci uma menina que tinha duas nuvens negras debaixo dos olhos, e quando chovia, elas subiam e encobriam seu olhar já triste, colorindo aquele semblante cansado e inexpressivo de pura solidão. Ela realmente achava que sabia das coisas, e disso senti pena, mas hoje acho graça. Tem dias em que comer resolve; já em outros beber faz falta. Os fisiologicamente bem alimentados, por outro lado, é que têm razão: nada de ficar dando pinta de doida em dia de chuva quando na verdade se peca por nada mais que desorganização. Novamente bebi o suco do meu desgosto e ele desceu amargo, até que o desconforto virou prazer e me fez forte, pura sorte, pronta para esse novo dia que nada tem de romântico ou delicado, mas que sopra voraz e calado pela janela afora, pintada de céu, som, flor e animosidades.

Way too much

Ah, mas para que ser assim tão delicada, se o mundo esbraveja e engole a gente lá fora... Conheci uma menina que tinha duas nuvens negras debaixo dos olhos, e quando chovia, elas subiam e encobriam seu olhar já triste, colorindo aquele semblante cansado e inexpressivo de pura solidão. Ela realmente achava que sabia das coisas, e disso senti pena, mas hoje acho graça. Tem dias em que comer resolve; já em outros beber faz falta. Os fisiologicamente bem alimentados, por outro lado, é que têm razão: nada de ficar dando pinta de doida em dia de chuva quando na verdade se peca por nada mais que desorganização. Novamente bebi o suco do meu desgosto e ele desceu amargo, até que o desconforto virou prazer e me fez forte, pura sorte, pronta para esse novo dia que nada tem de romântico ou delicado, mas que sopra voraz e calado pela janela afora, pintada de céu, som, flor e animosidades.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

One day

"I love you - I just don't like you anymore."

http://www.youtube.com/watch?v=zVuuooZqVaU

PS: By the way, nice to meet you - I'm Emma (just not a successful writer yet ;)

One day

"I love you - I just don't like you anymore."

http://www.youtube.com/watch?v=zVuuooZqVaU

PS: By the way, nice to meet you - I'm Emma (just not a successful writer yet ;)

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Intelectrico

... e tenho de forma cada vez mais petulante me sentido... inteligente.  O contato com a vida acadêmica me libertou de um trauma antigo: o de gostar de livros em um momento, digamos, desfavorável. Agora uso óculos, ouço a música que eu quiser e leio. Muito. Sempre foi assim, mas agora tem um fato novo: posso falar sobre isso com outras pessoas e, dentro dessas intermináveis discussões que flutuam pelas salas de aula e perdem a classe em fóruns online, acabo por construir algo diferente, algo no qual talvez eu não tenha tido a sorte (ou o azar) de pensar antes. Depois das tantas coisas que tentei começar, improvisar, aperfeiçoar, percebi que estudar não depende de mais ninguém; é fluido, confortável, sozinho sem ser solitário, como nadar no escuro em uma noite de lua cheia, água morna. Enfim, nessa onda antes tarde do que blablabla, cá estou eu, pensando como louca. Penso e isso deveria diminuir a minha angústia, mas esse é o mal dos velhos junkies: acabam transferindo o vício, porque viver sem a compulsão não faz o menor sentido - o peito precisa dar uns pulos de vez em quando, velho, senão qual é a graça disso tudo? Desconto toda a saudade da minha Brahma em monólogos, diálogos, a falácia de quem acha que sabe das coisas - mal de professor. Em um ano já pensei em ir para a África, para Londres, para o campo, para a televisão, para os quintos dos infernos, para um lugar ao sol, aquele lugar quentinho em que ele nasce pra todos, mas acabei ficando aqui. Penso e acho que decidi, fico só, fico sã, fico meio desiludida com o jeito do amanhã que debruça na minha janela, mas ao final do dia nada disso importa muito, porque outro artigo se aproxima, outro livro se abre, mais um Power Point, teleduc, apresentação... e puf! Lá se foi a aspirante a bailarina que sonhava acordada e tomava um litro de leite por dia. Essa profundidade intelectual tem me deixado muito prática, cética, meio sem emoção, e ainda que coloque a mão no coração ao defender uma ideia, sei que não é amor daqueles que suspiram na boca do estômago e viram poema - é só vontade de se agarrar a qualquer coisa que traga ordem à casa, linearidade à vida e talvez...

Intelectrico

... e tenho de forma cada vez mais petulante me sentido... inteligente.  O contato com a vida acadêmica me libertou de um trauma antigo: o de gostar de livros em um momento, digamos, desfavorável. Agora uso óculos, ouço a música que eu quiser e leio. Muito. Sempre foi assim, mas agora tem um fato novo: posso falar sobre isso com outras pessoas e, dentro dessas intermináveis discussões que flutuam pelas salas de aula e perdem a classe em fóruns online, acabo por construir algo diferente, algo no qual talvez eu não tenha tido a sorte (ou o azar) de pensar antes. Depois das tantas coisas que tentei começar, improvisar, aperfeiçoar, percebi que estudar não depende de mais ninguém; é fluido, confortável, sozinho sem ser solitário, como nadar no escuro em uma noite de lua cheia, água morna. Enfim, nessa onda antes tarde do que blablabla, cá estou eu, pensando como louca. Penso e isso deveria diminuir a minha angústia, mas esse é o mal dos velhos junkies: acabam transferindo o vício, porque viver sem a compulsão não faz o menor sentido - o peito precisa dar uns pulos de vez em quando, velho, senão qual é a graça disso tudo? Desconto toda a saudade da minha Brahma em monólogos, diálogos, a falácia de quem acha que sabe das coisas - mal de professor. Em um ano já pensei em ir para a África, para Londres, para o campo, para a televisão, para os quintos dos infernos, para um lugar ao sol, aquele lugar quentinho em que ele nasce pra todos, mas acabei ficando aqui. Penso e acho que decidi, fico só, fico sã, fico meio desiludida com o jeito do amanhã que debruça na minha janela, mas ao final do dia nada disso importa muito, porque outro artigo se aproxima, outro livro se abre, mais um Power Point, teleduc, apresentação... e puf! Lá se foi a aspirante a bailarina que sonhava acordada e tomava um litro de leite por dia. Essa profundidade intelectual tem me deixado muito prática, cética, meio sem emoção, e ainda que coloque a mão no coração ao defender uma ideia, sei que não é amor daqueles que suspiram na boca do estômago e viram poema - é só vontade de se agarrar a qualquer coisa que traga ordem à casa, linearidade à vida e talvez...

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Brancaleone

Mal cheguei e fui abraçada pelas folhas secas que se aninhavam bem na porta de minha casa. Aproximei-me delas porque achei que por algum motivo elas queriam me dizer alguma coisa. Fiquei ali por algum tempo tentando compreender os ruídos que vinham da rua - cães, mães e todos o tipos de parasita ronronavam seus bordões, seus carrões, suas televisões idióticas. Olhei de soslaio para a guarita; pensei em chamar o vigia para um forró ou uma queda de braço. Quis gritar ali mesmo que ler a Ideologia Alemã é imprescindível para se compreender Marx e compreender por que ele está errado, que quem semeia desejo colhe opressão*. Seria um feito memorável, digno de admiração e horror. As opiniões se dividiriam com certeza, mas quem estivesse comigo haveria de estar até o fim. Lutaríamos contra o desrespeito e entregaríamos papeis pregando o amor e a cidadania às mães que estacionam o carro em fila dupla na porta do Instituto da Criança. Mudaríamos toda a sistemática do bairro, e nossos novos irmãos seguiriam conosco rumo à recivilização da avenida Prudente de Morais e arredores. Não tardaria para termos apoio das mídias: restituiríamos à cidade o silêncio, o bom senso à frente do volante e os bons fluidos que serviriam de base para futuros debates sobre a convivência social, o limite do outro e, por último, a educação dos povos. Caminhei trôpega pelos degraus, e ao cruzar a porta já não sabia mais o que vinha a ser uma folha seca. Lembrei-me de Brancaleone - com um copo de leite, meia dúzia de biscoitos e um banho quente, até que ele teria sido um bom sujeito.

*trecho de A elegância do ouriço

Brancaleone

Mal cheguei e fui abraçada pelas folhas secas que se aninhavam bem na porta de minha casa. Aproximei-me delas porque achei que por algum motivo elas queriam me dizer alguma coisa. Fiquei ali por algum tempo tentando compreender os ruídos que vinham da rua - cães, mães e todos o tipos de parasita ronronavam seus bordões, seus carrões, suas televisões idióticas. Olhei de soslaio para a guarita; pensei em chamar o vigia para um forró ou uma queda de braço. Quis gritar ali mesmo que ler a Ideologia Alemã é imprescindível para se compreender Marx e compreender por que ele está errado, que quem semeia desejo colhe opressão*. Seria um feito memorável, digno de admiração e horror. As opiniões se dividiriam com certeza, mas quem estivesse comigo haveria de estar até o fim. Lutaríamos contra o desrespeito e entregaríamos papeis pregando o amor e a cidadania às mães que estacionam o carro em fila dupla na porta do Instituto da Criança. Mudaríamos toda a sistemática do bairro, e nossos novos irmãos seguiriam conosco rumo à recivilização da avenida Prudente de Morais e arredores. Não tardaria para termos apoio das mídias: restituiríamos à cidade o silêncio, o bom senso à frente do volante e os bons fluidos que serviriam de base para futuros debates sobre a convivência social, o limite do outro e, por último, a educação dos povos. Caminhei trôpega pelos degraus, e ao cruzar a porta já não sabia mais o que vinha a ser uma folha seca. Lembrei-me de Brancaleone - com um copo de leite, meia dúzia de biscoitos e um banho quente, até que ele teria sido um bom sujeito.

*trecho de A elegância do ouriço

domingo, 11 de novembro de 2012

Quatro anos

Em quatro anos dá pra acontecer muita coisa. Muita. Dá pro amor chegar e ir embora, pra um bebê virar uma pessoa, pra uma mãe ter dois filhos, pra perdermos uma pessoa importante, digerirmos isso e tentarmos tocar a vida depois que a ferida cicatriza. Em quatro anos dá pra fazer uma nova faculdade, pra começar uma nova carreira, pra jogar uma vida monótona pro alto e mergulhar numa grande história, pra escrever um livro, pra emagrecer muito e engordar de novo, pra tratar uma depressão, pra encontrar uma atividade física interessante, pra profissionalizar um hobby, pra planejar aquela viagem, pra namorar, casar, separar, juntar os cacos na terapia de casal e olhar pro teto na hora do sexo, pra descobrir que o amor não é suficiente, pra correr atrás de uma vida com mais dinheiro ou com mais afeto, pra dar valor a outras coisas de verdade, pra tornar-se sério, pra tornar-se bobo, pra amolecer ou ficar mais forte, pra ser o que você precisar. Em quatro anos dá pra olhar pra dentro e descobrir quem você é e quem você quer, não? Dá pra fazer uma retrospectiva crítica de tudo que aconteceu nos últimos quatro anos e analisar se de fato você mudou, se de fato você ajudou, se compreendeu, se perdoou, se você se curou daquele medo de pular o muro pro lado de cá, se aprendeu uma música nova, se conseguiu preparar a cabeça pra amar outra vez, pra amar como nunca, pra fechar os olhos e sorrir simplesmente, pra relaxar, pra ser mais coerente com o seu coração, pra ser livre. Em quatro anos dá pra ensaiar vôos de partidas e chegadas, pra tirar a coragem de um bolso e guardá-la no outro, pra deletar aquele telefone e ir até o fim para encontrá-lo depois de tanto tempo, pra pensar, ligar e surpreender-se. Concordo que em quatro anos dá pra transformar muita coisa, mas pra esquecer acho que é pouco demais. Vou vivendo e revivendo essas memórias até que outras apareçam, até chegar aquele tempo em que não poderei mais me lembrar.

Quatro anos

Em quatro anos dá pra acontecer muita coisa. Muita. Dá pro amor chegar e ir embora, pra um bebê virar uma pessoa, pra uma mãe ter dois filhos, pra perdermos uma pessoa importante, digerirmos isso e tentarmos tocar a vida depois que a ferida cicatriza. Em quatro anos dá pra fazer uma nova faculdade, pra começar uma nova carreira, pra jogar uma vida monótona pro alto e mergulhar numa grande história, pra escrever um livro, pra emagrecer muito e engordar de novo, pra tratar uma depressão, pra encontrar uma atividade física interessante, pra profissionalizar um hobby, pra planejar aquela viagem, pra namorar, casar, separar, juntar os cacos na terapia de casal e olhar pro teto na hora do sexo, pra descobrir que o amor não é suficiente, pra correr atrás de uma vida com mais dinheiro ou com mais afeto, pra dar valor a outras coisas de verdade, pra tornar-se sério, pra tornar-se bobo, pra amolecer ou ficar mais forte, pra ser o que você precisar. Em quatro anos dá pra olhar pra dentro e descobrir quem você é e quem você quer, não? Dá pra fazer uma retrospectiva crítica de tudo que aconteceu nos últimos quatro anos e analisar se de fato você mudou, se de fato você ajudou, se compreendeu, se perdoou, se você se curou daquele medo de pular o muro pro lado de cá, se aprendeu uma música nova, se conseguiu preparar a cabeça pra amar outra vez, pra amar como nunca, pra fechar os olhos e sorrir simplesmente, pra relaxar, pra ser mais coerente com o seu coração, pra ser livre. Em quatro anos dá pra ensaiar vôos de partidas e chegadas, pra tirar a coragem de um bolso e guardá-la no outro, pra deletar aquele telefone e ir até o fim para encontrá-lo depois de tanto tempo, pra pensar, ligar e surpreender-se. Concordo que em quatro anos dá pra transformar muita coisa, mas pra esquecer acho que é pouco demais. Vou vivendo e revivendo essas memórias até que outras apareçam, até chegar aquele tempo em que não poderei mais me lembrar.

Manner of speaking

“In a manner of speaking
I just want to say
That I could never forget the way
You told me everything
By saying nothing

In a manner of speaking
I don't understand
How love in silence becomes reprimand
But the way that I feel about you
Is beyond words

Oh give me the words
Give me the words
That tell me nothing
Oh give me the words
Give me the words
That tell me everything

In a manner of speaking
Semantics won't do
In this life that we live we only make do
And the way that we feel
Might have to be sacrificed

So in a manner of speaking
I just want to say
That just like you I should find a way
To tell you everything
By saying nothing

Oh give me the words
Give me the words
That tell me nothing
Oh give me the words
Give me the words
That tell me everything…”


Manner of speaking

“In a manner of speaking
I just want to say
That I could never forget the way
You told me everything
By saying nothing

In a manner of speaking
I don't understand
How love in silence becomes reprimand
But the way that I feel about you
Is beyond words

Oh give me the words
Give me the words
That tell me nothing
Oh give me the words
Give me the words
That tell me everything

In a manner of speaking
Semantics won't do
In this life that we live we only make do
And the way that we feel
Might have to be sacrificed

So in a manner of speaking
I just want to say
That just like you I should find a way
To tell you everything
By saying nothing

Oh give me the words
Give me the words
That tell me nothing
Oh give me the words
Give me the words
That tell me everything…”


sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Ainda

Ainda que não tenha sido você o autor daquela carta, fiquei inquieta. Devorava cada uma daquelas palavras sem entender ao certo que gosto tinham - só sabia que queria mais: precisava. Corria os dedos pela página que, lépida, sussurrava as partes da nossa história que você por algum motivo guardou na gaveta, respostas que há tanto tempo eu procurava. Os dias, as horas, sentimentos em cima da mesa, montanhas de declarações e dúvidas: tinha que ser você, tinha que ser nós dois, era só o que eu pensava. Ainda que cantassem nossa música com outro sotaque, caminhei ávida por nossos desencontros, e inspirava cada "eu te amo"como se você os tivesse escrito e espalhado ao seu bel-prazer pela estrada afora, esperando que eu os colhesse com a emoção que me dominaria, e que de fato, naquele momento, me dominava. Ainda que aquele cálice não me tivesse sido oferecido, bebi toda a sua essência sem pensar em nada, até ela virar um soluço chamado curiosidade incerta. Pois o que seria a vida adulta sem um drama adolescente ou uma porta aberta? Viveria descalça numa terra distante se pudesse sentir meus pés no ar com um simples abraço; nada me faltaria se o som da sua presença me afagasse os cabelos, e a batida forte do seu coração me fechasse os olhos! Mas nada de fato acontece no futuro do pretérito. No presente do indicativo, a vida corre impiedosa e o mundo gira com pressa; enquanto penteio os cabelos, concluo com uma mistura de pesar e serenidade que, na verdade, ainda que você tivesse sido o autor daquela carta, talvez eu ficasse quieta. Sou bonita demais pra matar qualquer coisa, ainda que seja um sonho vazio ou um soluço chamado curiosidade incerta. 

Ainda

Ainda que não tenha sido você o autor daquela carta, fiquei inquieta. Devorava cada uma daquelas palavras sem entender ao certo que gosto tinham - só sabia que queria mais: precisava. Corria os dedos pela página que, lépida, sussurrava as partes da nossa história que você por algum motivo guardou na gaveta, respostas que há tanto tempo eu procurava. Os dias, as horas, sentimentos em cima da mesa, montanhas de declarações e dúvidas: tinha que ser você, tinha que ser nós dois, era só o que eu pensava. Ainda que cantassem nossa música com outro sotaque, caminhei ávida por nossos desencontros, e inspirava cada "eu te amo"como se você os tivesse escrito e espalhado ao seu bel-prazer pela estrada afora, esperando que eu os colhesse com a emoção que me dominaria, e que de fato, naquele momento, me dominava. Ainda que aquele cálice não me tivesse sido oferecido, bebi toda a sua essência sem pensar em nada, até ela virar um soluço chamado curiosidade incerta. Pois o que seria a vida adulta sem um drama adolescente ou uma porta aberta? Viveria descalça numa terra distante se pudesse sentir meus pés no ar com um simples abraço; nada me faltaria se o som da sua presença me afagasse os cabelos, e a batida forte do seu coração me fechasse os olhos! Mas nada de fato acontece no futuro do pretérito. No presente do indicativo, a vida corre impiedosa e o mundo gira com pressa; enquanto penteio os cabelos, concluo com uma mistura de pesar e serenidade que, na verdade, ainda que você tivesse sido o autor daquela carta, talvez eu ficasse quieta. Sou bonita demais pra matar qualquer coisa, ainda que seja um sonho vazio ou um soluço chamado curiosidade incerta. 

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Angels

" Light reflects from your shadow
It is more than I thought could exist
You move through the room
Like breathing was easy
If someone believed me

They would be
As in love with you as I am
They would be
As in love with you as I am
They would be
As in love with you as I am
They would be
In love, love, love

And every day
I'm learning about you
The things that no one else sees
And the end comes too soon
Like dreaming of angels

And leaving without them
And leaving without them

Being
As in love with you as I am
Being
As in love with you as I am
Being
As in love with you as I am
Being
As in love, love, love
Love, love, love
Love, love, love

And with words unspoken
A silent devotion
I know you know what I mean
And the end is unknown
But I think I'm ready
As long as you're with me

Being
As in love with you as I am
Being
As in love with you as I am
Being
As in love with you as I am
Being
As in love, love, love."

Angels

" Light reflects from your shadow
It is more than I thought could exist
You move through the room
Like breathing was easy
If someone believed me

They would be
As in love with you as I am
They would be
As in love with you as I am
They would be
As in love with you as I am
They would be
In love, love, love

And every day
I'm learning about you
The things that no one else sees
And the end comes too soon
Like dreaming of angels

And leaving without them
And leaving without them

Being
As in love with you as I am
Being
As in love with you as I am
Being
As in love with you as I am
Being
As in love, love, love
Love, love, love
Love, love, love

And with words unspoken
A silent devotion
I know you know what I mean
And the end is unknown
But I think I'm ready
As long as you're with me

Being
As in love with you as I am
Being
As in love with you as I am
Being
As in love with you as I am
Being
As in love, love, love."

domingo, 28 de outubro de 2012

Florence the fairy

Aproveitando a inspiração... Cosmic Love: http://www.youtube.com/watch?feature=endscreen&v=_gMq3hRLDD0&NR=1

A falling star fell from your heart
And landed in my eyes
I screamed aloud, as it tore through them
And now it's left me blind


The stars, the moon
They have all been blown out
You left me in the dark
No dawn, no day
I'm always in this twilight
In the shadow of your heart


And in the dark
I can hear your heartbeat
I tried to find the sound
But then it stopped
And I was in the darkness
So darkness I became


The stars, the moon
They have all been blown out
You left me in the dark
No dawn, no day
I'm always in this twilight
In the shadow of your heart


I took the stars from my eyes
And then I made a map
And knew that somehow
I could find my way back
Then I heard your heart beating
You were in the darkness too
So I stayed in the darkness with you


The stars, the moon
They have all been blown out
You left me in the dark
No dawn, no day
I'm always in this twilight
In the shadow of your heart


The stars, the moon...

Florence the fairy

Aproveitando a inspiração... Cosmic Love: http://www.youtube.com/watch?feature=endscreen&v=_gMq3hRLDD0&NR=1

A falling star fell from your heart
And landed in my eyes
I screamed aloud, as it tore through them
And now it's left me blind


The stars, the moon
They have all been blown out
You left me in the dark
No dawn, no day
I'm always in this twilight
In the shadow of your heart


And in the dark
I can hear your heartbeat
I tried to find the sound
But then it stopped
And I was in the darkness
So darkness I became


The stars, the moon
They have all been blown out
You left me in the dark
No dawn, no day
I'm always in this twilight
In the shadow of your heart


I took the stars from my eyes
And then I made a map
And knew that somehow
I could find my way back
Then I heard your heart beating
You were in the darkness too
So I stayed in the darkness with you


The stars, the moon
They have all been blown out
You left me in the dark
No dawn, no day
I'm always in this twilight
In the shadow of your heart


The stars, the moon...

The xx

Fruto de um sábado feliz em casa de minha amiga Mandjuras. Nota: Os ingleses são musicalmente FODA. Ponto.
 

The xx

Fruto de um sábado feliz em casa de minha amiga Mandjuras. Nota: Os ingleses são musicalmente FODA. Ponto.
 

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Dentro de um livro

Se eu tivesse lido aquele livro com outros olhos... talvez toda a minha vida fosse diferente agora. Tem tanta coisa que a gente deixa de pensar quando acha que a cabeça já está cheia demais! As mudanças acabam sendo mais subjetivas do que necessárias, e isso me dá medo, a ponto de eu armar-me até os dentes contra um inimigo que jaz bem no fundo dos meus olhos. Preciso compensar esse medo com outra coisa, não sei - talvez eu precise relaxar, viver mais; talvez eu precise de ajuda. Se ao menos... mas não - já está feito. Li o livro e fiz o que achei que era certo, mas te entendo quando você diz que eu era uma completa idiota. Passei esses últimos anos aprendendo sobre o que realmente vale a pena, pensando se você concordaria. Não ando mais de patins, falo mais baixo e me comunico pelo computador - ainda assim luto para não soar hipócrita. Essa prudência enfadonha é tudo que eu gostaria de evitar; afinal, ser uma personagem de Dostoiévski em pleno século XXI é, sem dúvida, a missão mais kamikaze da atualidade. O que será que crescer significa? Vejo tanta gente se matando para manter o mesmo número de roupa e me pergunto por que é que eles não têm escolha. Quando eu era criança, sentia-me sempre observada, e achava que isso poderia ser bom. Faz alguma diferença se é você ou se sou eu quem observa? Já vi que sim: agora falta saber se sofro, cresço ou ignoro tudo isso.

Dentro de um livro

Se eu tivesse lido aquele livro com outros olhos... talvez toda a minha vida fosse diferente agora. Tem tanta coisa que a gente deixa de pensar quando acha que a cabeça já está cheia demais! As mudanças acabam sendo mais subjetivas do que necessárias, e isso me dá medo, a ponto de eu armar-me até os dentes contra um inimigo que jaz bem no fundo dos meus olhos. Preciso compensar esse medo com outra coisa, não sei - talvez eu precise relaxar, viver mais; talvez eu precise de ajuda. Se ao menos... mas não - já está feito. Li o livro e fiz o que achei que era certo, mas te entendo quando você diz que eu era uma completa idiota. Passei esses últimos anos aprendendo sobre o que realmente vale a pena, pensando se você concordaria. Não ando mais de patins, falo mais baixo e me comunico pelo computador - ainda assim luto para não soar hipócrita. Essa prudência enfadonha é tudo que eu gostaria de evitar; afinal, ser uma personagem de Dostoiévski em pleno século XXI é, sem dúvida, a missão mais kamikaze da atualidade. O que será que crescer significa? Vejo tanta gente se matando para manter o mesmo número de roupa e me pergunto por que é que eles não têm escolha. Quando eu era criança, sentia-me sempre observada, e achava que isso poderia ser bom. Faz alguma diferença se é você ou se sou eu quem observa? Já vi que sim: agora falta saber se sofro, cresço ou ignoro tudo isso.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Silent language

Qual é o papel do não-dito?
Esconder o que está escrito?
Gerar vontade
curiosidade
tornar a trivialidade algo mais... bonito?
Talvez seja verdade;
talvez a falta de oportunidade
mate ou acorde
uma muda de sonho, sede, pensamento aflito
ou talvez
talvez seja tarde
para transformar serenidade em conflito.
O fato é que, na verdade,
na verdade mesmo,
nunca se há de saber o veredito.

Silent language

Qual é o papel do não-dito?
Esconder o que está escrito?
Gerar vontade
curiosidade
tornar a trivialidade algo mais... bonito?
Talvez seja verdade;
talvez a falta de oportunidade
mate ou acorde
uma muda de sonho, sede, pensamento aflito
ou talvez
talvez seja tarde
para transformar serenidade em conflito.
O fato é que, na verdade,
na verdade mesmo,
nunca se há de saber o veredito.

domingo, 21 de outubro de 2012

Amar é

Ontem vi uma frase boba que me fez rir e de quebra ainda deu a entender alguma coisa não tão boba assim: "Amar é: não ter que pedir pensão". Não é que é mesmo? Se estamos, em pleno século 21, querendo contemplar toda forma de amor, essa certamente é uma bem importante. Fica aí o recado para os que, assim como eu, dão piti por qualquer coisinha (ainda bem que a idade de Cristo quando morreu não demora a chegar - e espero eu que, com ela, mais maturidade, compreensão da vida e um pouquinho de juízo).

Amar é

Ontem vi uma frase boba que me fez rir e de quebra ainda deu a entender alguma coisa não tão boba assim: "Amar é: não ter que pedir pensão". Não é que é mesmo? Se estamos, em pleno século 21, querendo contemplar toda forma de amor, essa certamente é uma bem importante. Fica aí o recado para os que, assim como eu, dão piti por qualquer coisinha (ainda bem que a idade de Cristo quando morreu não demora a chegar - e espero eu que, com ela, mais maturidade, compreensão da vida e um pouquinho de juízo).

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Do you have any children?

I understand the problems in the world we live in... but I don't want this to be my world. All I want is to love and be loved as though there was no tomorrow, to feel this love, so free of guilt or interest, free of conventions, free of the idea that love comes from the flesh, that my looks and my wit shall guarantee how much and how long I am to be loved. All I ever wanted was love without questions or promises, something to call real, to call mine, to bring me calm and courage. I would wait for it, I know I would simply because it would be worth waiting. I believe we need to share the most beautiful feelings!

Yesterday I finished reading another book by my favourite author, and there were two fantastic narratives which, as usual, have made me realize so much about my own character. In the first one, the narrator is cruel to his wife meaning the opposite, and he imagines the way she feels about him and is so convinced by it that when things turn out completely different - the truth is that the way he treated her has made any kind of good feeling disappear - he just can't understand what went wrong. She ends up in a coffin; he ends up by her side, tears in his eyes, reassessing why things couldn't be any different. It was called A gentle creature.

In the second one, The dream of a ridiculous man, the narrator is considered ridiculous because he feels indifferent to the world, so indifferent that one morning he wakes up and decides to kill himself just to have a different day. On this same day, he comes across a little poor girl who he mistreats, goes back home and has a dream - in this dream, the world was pure and crowded with innocent and beautiful creatures, but as he comes along, he spreads evil all over the place. He is so ridiculous that when he asks to be crucified to pay for all the harm he's done, people laugh at him. So ridiculous that when he preaches about unconditional love, he's considered mentally ill - just ridiculous.

This world that we see, this is not where I stand. I stand on clouds of mercy; I'm embraced by a constant understanding that love is all we have left, a key to a secret universe. I can't have children, and I think somebody is going to tell me that sooner or later. The consequence? Maybe a limited life, I don't know. All I shall always want is pure love pumping through my veins, that's all that matters. So I guess I'll wait, live a little, love in all sorts of possible ways... and see what happens.

Do you have any children?

I understand the problems in the world we live in... but I don't want this to be my world. All I want is to love and be loved as though there was no tomorrow, to feel this love, so free of guilt or interest, free of conventions, free of the idea that love comes from the flesh, that my looks and my wit shall guarantee how much and how long I am to be loved. All I ever wanted was love without questions or promises, something to call real, to call mine, to bring me calm and courage. I would wait for it, I know I would simply because it would be worth waiting. I believe we need to share the most beautiful feelings!

Yesterday I finished reading another book by my favourite author, and there were two fantastic narratives which, as usual, have made me realize so much about my own character. In the first one, the narrator is cruel to his wife meaning the opposite, and he imagines the way she feels about him and is so convinced by it that when things turn out completely different - the truth is that the way he treated her has made any kind of good feeling disappear - he just can't understand what went wrong. She ends up in a coffin; he ends up by her side, tears in his eyes, reassessing why things couldn't be any different. It was called A gentle creature.

In the second one, The dream of a ridiculous man, the narrator is considered ridiculous because he feels indifferent to the world, so indifferent that one morning he wakes up and decides to kill himself just to have a different day. On this same day, he comes across a little poor girl who he mistreats, goes back home and has a dream - in this dream, the world was pure and crowded with innocent and beautiful creatures, but as he comes along, he spreads evil all over the place. He is so ridiculous that when he asks to be crucified to pay for all the harm he's done, people laugh at him. So ridiculous that when he preaches about unconditional love, he's considered mentally ill - just ridiculous.

This world that we see, this is not where I stand. I stand on clouds of mercy; I'm embraced by a constant understanding that love is all we have left, a key to a secret universe. I can't have children, and I think somebody is going to tell me that sooner or later. The consequence? Maybe a limited life, I don't know. All I shall always want is pure love pumping through my veins, that's all that matters. So I guess I'll wait, live a little, love in all sorts of possible ways... and see what happens.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Depois de ontem

Acho que é a primeira vez que não expresso meus sentimentos com relação ao dia quinze de outubro no dia quinze de outubro. Deve ter sido porque eu trabalhei, estudei, ensaiei minha coreografia em casa pro Bruno ver - e ele fingiu que viu, valeu a intenção - mas não parei pra pensar no meu dia nem na minha profissão. Recebi um email lindo de um aluno querido, um presente de uma aluna particular muito delicada e parabéns da minha mãe e do meu sobrinho, que me dão presente todo ano. De bênção a maldição, já xinguei e agradeci mais vezes do que meus dedos podem contar, e mesmo com tantos percalços, continuo a estudar e a vislumbrar um futuro realmente melhor, com condições dignas de trabalho para os professores de inglês de verdade do nosso país. Quando digo de verdade, me refiro à formação, à qualificação continuada e ao compromisso com a classe, com a profissão e com a disciplina. Apesar de ser uma maçã que caiu da árvore de Tiradentes (sim, existe um parentesco; não, nunca parei para descobrir exatamente qual), não nasci pra ser mártir, e gostaria muito de bater no peito e dizer que minha missão no mundo é iniciar uma revolução, deixar minha marca por esses caminhos bem aqui, na minha própria terra, mas quando vejo essa política, essa República do Café com Leite que só está disfarçada pra quem nunca teve uma boa aula de história, fico descrente demais. Ainda bem que descrença não é sinônimo de desistência. Mais do que cantar ou escrever, ensinar é deixar o seu recado, é transformar com um sorriso, uma opinião, é acreditar que todo mundo pode aprender, é se emocionar com a forma como uma aula pode mudar uma pessoa, duas, várias... para sempre. Ensinar é a minha cachaça, e o que eu recebo, o que eu aprendo, tudo isso vale muito mais que dinheiro de gente grande - vale dinheiro de gente sábia. Parabéns, professores de verdade. Avante!

Depois de ontem

Acho que é a primeira vez que não expresso meus sentimentos com relação ao dia quinze de outubro no dia quinze de outubro. Deve ter sido porque eu trabalhei, estudei, ensaiei minha coreografia em casa pro Bruno ver - e ele fingiu que viu, valeu a intenção - mas não parei pra pensar no meu dia nem na minha profissão. Recebi um email lindo de um aluno querido, um presente de uma aluna particular muito delicada e parabéns da minha mãe e do meu sobrinho, que me dão presente todo ano. De bênção a maldição, já xinguei e agradeci mais vezes do que meus dedos podem contar, e mesmo com tantos percalços, continuo a estudar e a vislumbrar um futuro realmente melhor, com condições dignas de trabalho para os professores de inglês de verdade do nosso país. Quando digo de verdade, me refiro à formação, à qualificação continuada e ao compromisso com a classe, com a profissão e com a disciplina. Apesar de ser uma maçã que caiu da árvore de Tiradentes (sim, existe um parentesco; não, nunca parei para descobrir exatamente qual), não nasci pra ser mártir, e gostaria muito de bater no peito e dizer que minha missão no mundo é iniciar uma revolução, deixar minha marca por esses caminhos bem aqui, na minha própria terra, mas quando vejo essa política, essa República do Café com Leite que só está disfarçada pra quem nunca teve uma boa aula de história, fico descrente demais. Ainda bem que descrença não é sinônimo de desistência. Mais do que cantar ou escrever, ensinar é deixar o seu recado, é transformar com um sorriso, uma opinião, é acreditar que todo mundo pode aprender, é se emocionar com a forma como uma aula pode mudar uma pessoa, duas, várias... para sempre. Ensinar é a minha cachaça, e o que eu recebo, o que eu aprendo, tudo isso vale muito mais que dinheiro de gente grande - vale dinheiro de gente sábia. Parabéns, professores de verdade. Avante!

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Tout le monde

"Tout le monde est une drôle de personne,
Et tout le monde a l'âme emmêlée,
Tout le monde a de l'enfance qui ronronne,
Au fond d'une poche oubliée,
Tout le monde a des restes de rêves,
Et des coins de vie dévastés,
Tout le monde a cherché quelque chose un jour,
Mais tout le monde ne l'a pas trouvé,
Mais tout le monde ne l'a pas trouvé.
Il faudrait que tout le monde réclame auprès des autorités,
Une loi contre toute notre solitude,
Que personne ne soit oublié,
Et que personne ne soit oublié
Tout le monde a une seule vie qui passe,
Mais tout le monde ne s'en souvient pas,
J'en vois qui la plient et même qui la cassent,
Et j'en vois qui ne la voient même pas,
Et j'en vois qui ne la voient même pas.
Il faudrait que tout le monde réclame auprès des autorités,
Une loi contre toute notre indifférence,
Que personne ne soit oublié,
Et que personne ne soit oublié.
Tout le monde est une drôle de personne,
Et tout le monde a une âme emmêlée,
Tout le monde a de l'enfance qui résonne,
Au fond d'une heure oubliée,
Au fond d'une heure oubliée."

http://letras.mus.br/carla-bruni/190189/

 

Tout le monde

"Tout le monde est une drôle de personne,
Et tout le monde a l'âme emmêlée,
Tout le monde a de l'enfance qui ronronne,
Au fond d'une poche oubliée,
Tout le monde a des restes de rêves,
Et des coins de vie dévastés,
Tout le monde a cherché quelque chose un jour,
Mais tout le monde ne l'a pas trouvé,
Mais tout le monde ne l'a pas trouvé.
Il faudrait que tout le monde réclame auprès des autorités,
Une loi contre toute notre solitude,
Que personne ne soit oublié,
Et que personne ne soit oublié
Tout le monde a une seule vie qui passe,
Mais tout le monde ne s'en souvient pas,
J'en vois qui la plient et même qui la cassent,
Et j'en vois qui ne la voient même pas,
Et j'en vois qui ne la voient même pas.
Il faudrait que tout le monde réclame auprès des autorités,
Une loi contre toute notre indifférence,
Que personne ne soit oublié,
Et que personne ne soit oublié.
Tout le monde est une drôle de personne,
Et tout le monde a une âme emmêlée,
Tout le monde a de l'enfance qui résonne,
Au fond d'une heure oubliée,
Au fond d'une heure oubliée."

http://letras.mus.br/carla-bruni/190189/

 

domingo, 14 de outubro de 2012

Faltam seis meses

Ai, que saudade do meu sorriso...

Faltam seis meses

Ai, que saudade do meu sorriso...

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Letramento conjugal

Eu disse que iria com ele; isso é um fato. Havíamos já há algum tempo estabelecido esse planejamento. Configuramos nossas vidas visando a acessar mais facilmente nossas atribuições dentro de uma concepção comum acerca do que vem a ser um relacionamento. Absorvia todas aquelas regras e pensava: Continue assim - isso é só um teste; você está indo bem. Desenvolvemos uma planilha de gastos mensais e outra de tarefas domésticas, mais um cardápio semanal com os nutrientes e calorias necessários para uma vida, digamos, sem muitas emoções. Investigamos por um período aproximado de seis meses qual seria o animal de estimação mais adequado para as dimensões exatas de nosso apartamento - os resultados foram inconclusivos. Estabelecemos um plano de ação que abarcava atividades a serem realizadas dentro de nosso tempo livre, que fora calculado com precisão de forma a otimizar horários vagos em comum. O coito era programado para atender às necessidades fisiológicas e reprodutivas simultaneamente. Os vícios foram erradicados com o objetivo de aumentar o valor das parcelas do financiamento imobiliário, e atividades remuneradas esporádicas foram incorporadas à rotina a fim de alimentar o fundo de pensão, o de reformas eventuais e o de viagens de fim de ano. Criou-se um mecanismo sólido, acima de qualquer suspeita - e a máquina ia girando sem grandes atribulações. Ao antecipar qualquer tipo de problema, meu marido não fazia economia: adquiria o óleo mais sofisticado e sem demora lubrificava o segmento que começava a dar sinais de ferrugem ou descarrilhamento. Essas pequenas extravagâncias serenavam meus anseios por um momento, e no próximo já havia uma série de outras atribuições a serem cumpridas. A disciplina organiza o tempo produtivo e otimiza o tempo ocioso em torno do trivial. Falta-me, por conseguinte, embasamento para compreender o motivo pelo qual vive-se de maneira total e completamente diversa. Ah, mas isso é história para outra história. Eu disse que iria com ele; isso é um fato. Vesti minha melhor roupa, escovei os cabelos e usei o perfume mais apropriado para a ocasião. À porta da rua, senti-me indisposta, o que não constituía motivo relevante para uma recusa de acordo com nosso código de conduta. Tirei os sapatos, gritei, rasguei as roupas caras que envolviam meu corpo saudável, perfumado, macio, intacto... subi as escadas. Mergulhei na banheira quente e aguardei que ele chegasse com uma xícara de chá e uma dose de calma. Em poucos minutos ele trouxe o chá e a calma. Sentou-se ao meu lado e tirou do bolso um frasco conhecido. Olhou-me nos olhos com ternura e tomou metade dos comprimidos; eu o observava em silêncio. Sem dificuldade, cumpriu aquela última tarefa com a classe que nunca haveria de abandoná-lo - estendeu-me o vidro. Eu disse que iria com ele; isso é um fato. Havíamos já há algum tempo estabelecido esse planejamento. Ele entrou na banheira com meu terno preferido e abraçou-se ao meu corpo trêmulo. Ficamos ali, eu a afagar seus cabelos descoloridos pelo tempo, enquanto ele gradualmente empalidecia, não sei se pelo medo da morte ou por cogitar a ideia de que eu não o faria. Ainda que os anos tenham tecido uma colcha pesada sobre minha memória, lembro-me desse dia com bastante clareza.

Letramento conjugal

Eu disse que iria com ele; isso é um fato. Havíamos já há algum tempo estabelecido esse planejamento. Configuramos nossas vidas visando a acessar mais facilmente nossas atribuições dentro de uma concepção comum acerca do que vem a ser um relacionamento. Absorvia todas aquelas regras e pensava: Continue assim - isso é só um teste; você está indo bem. Desenvolvemos uma planilha de gastos mensais e outra de tarefas domésticas, mais um cardápio semanal com os nutrientes e calorias necessários para uma vida, digamos, sem muitas emoções. Investigamos por um período aproximado de seis meses qual seria o animal de estimação mais adequado para as dimensões exatas de nosso apartamento - os resultados foram inconclusivos. Estabelecemos um plano de ação que abarcava atividades a serem realizadas dentro de nosso tempo livre, que fora calculado com precisão de forma a otimizar horários vagos em comum. O coito era programado para atender às necessidades fisiológicas e reprodutivas simultaneamente. Os vícios foram erradicados com o objetivo de aumentar o valor das parcelas do financiamento imobiliário, e atividades remuneradas esporádicas foram incorporadas à rotina a fim de alimentar o fundo de pensão, o de reformas eventuais e o de viagens de fim de ano. Criou-se um mecanismo sólido, acima de qualquer suspeita - e a máquina ia girando sem grandes atribulações. Ao antecipar qualquer tipo de problema, meu marido não fazia economia: adquiria o óleo mais sofisticado e sem demora lubrificava o segmento que começava a dar sinais de ferrugem ou descarrilhamento. Essas pequenas extravagâncias serenavam meus anseios por um momento, e no próximo já havia uma série de outras atribuições a serem cumpridas. A disciplina organiza o tempo produtivo e otimiza o tempo ocioso em torno do trivial. Falta-me, por conseguinte, embasamento para compreender o motivo pelo qual vive-se de maneira total e completamente diversa. Ah, mas isso é história para outra história. Eu disse que iria com ele; isso é um fato. Vesti minha melhor roupa, escovei os cabelos e usei o perfume mais apropriado para a ocasião. À porta da rua, senti-me indisposta, o que não constituía motivo relevante para uma recusa de acordo com nosso código de conduta. Tirei os sapatos, gritei, rasguei as roupas caras que envolviam meu corpo saudável, perfumado, macio, intacto... subi as escadas. Mergulhei na banheira quente e aguardei que ele chegasse com uma xícara de chá e uma dose de calma. Em poucos minutos ele trouxe o chá e a calma. Sentou-se ao meu lado e tirou do bolso um frasco conhecido. Olhou-me nos olhos com ternura e tomou metade dos comprimidos; eu o observava em silêncio. Sem dificuldade, cumpriu aquela última tarefa com a classe que nunca haveria de abandoná-lo - estendeu-me o vidro. Eu disse que iria com ele; isso é um fato. Havíamos já há algum tempo estabelecido esse planejamento. Ele entrou na banheira com meu terno preferido e abraçou-se ao meu corpo trêmulo. Ficamos ali, eu a afagar seus cabelos descoloridos pelo tempo, enquanto ele gradualmente empalidecia, não sei se pelo medo da morte ou por cogitar a ideia de que eu não o faria. Ainda que os anos tenham tecido uma colcha pesada sobre minha memória, lembro-me desse dia com bastante clareza.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Sinais

Nunca tive pretensão alguma e por isso querem que eu sinta culpa agora. A cada braçada, bebo um pouco d'água - pois se até a tentação me ignora... Acreditei nas cartas marcadas do universo e fui deixando que o tempo me empurrasse, que Deus me carregasse ou salpicasse o chão com estrelas douradas que me mostrariam o caminho. Bem, aqui estou: sempre inquieta, nunca sozinha, a olhar pro lado na esperança de alguém me cutucar e dizer que eu estou fazendo tudo errado, que esse negócio de captar os sinais do cosmos é coisa pra gente mais esperta ou coco descomplicado; que eu complico demais por entender de menos, que a resposta está ali, ali, ó, logo depois do meu quadrado. Não chego a buscar outro lugar, mas danço, canto, estudo e penso e tento digerir tudo aquilo e me pergunto tanta coisa e dirijo como gostaria de correr, vôo de olhos abertos... engulo a comida num pulo e sempre tenho um insight na hora de me trocar, uma luzinha dentro da minha cabeça dizendo Ah, Érika, vai com essa que vai fazer muito calor hoje - TRUST ME. Eu acredito. Saio bonita, graciosa, mas chove gatos e cachorros, como dizem os ingleses, e papagaios, meu toque brasileiro. Quase tudo que eu penso é o contrário e já quebrei a cabeça pra olhar bem dentro dela e ver de perto se o parafuso solto pode ser recolocado, recalchutado ou reproduzido em local mais apropriado. O resultado é essa falta de convenções sociais, esse medo do ser humano e esse cansaço que faz doer o corpo de tanto ser lançada num mundo tão grande que mais parece uma prova de múltipla escolha cheia de respostas certas que podem estar erradas. Sou ruim pra caramba em V ou F, me desculpe por chegar a esse lugar sem sonhos no bolso ou balas na boca, sem acreditar em nada. Ao invés de pensar no que eu fiz pra conseguir um vestido branco, flores no cabelo e um quarto-e-sala, feche os olhos e imagine que eu soprei dentro de um balão, ele cresceu, me levou consigo e me deixou aqui, careless, restless but, above all, with no hard feelings.

Sinais

Nunca tive pretensão alguma e por isso querem que eu sinta culpa agora. A cada braçada, bebo um pouco d'água - pois se até a tentação me ignora... Acreditei nas cartas marcadas do universo e fui deixando que o tempo me empurrasse, que Deus me carregasse ou salpicasse o chão com estrelas douradas que me mostrariam o caminho. Bem, aqui estou: sempre inquieta, nunca sozinha, a olhar pro lado na esperança de alguém me cutucar e dizer que eu estou fazendo tudo errado, que esse negócio de captar os sinais do cosmos é coisa pra gente mais esperta ou coco descomplicado; que eu complico demais por entender de menos, que a resposta está ali, ali, ó, logo depois do meu quadrado. Não chego a buscar outro lugar, mas danço, canto, estudo e penso e tento digerir tudo aquilo e me pergunto tanta coisa e dirijo como gostaria de correr, vôo de olhos abertos... engulo a comida num pulo e sempre tenho um insight na hora de me trocar, uma luzinha dentro da minha cabeça dizendo Ah, Érika, vai com essa que vai fazer muito calor hoje - TRUST ME. Eu acredito. Saio bonita, graciosa, mas chove gatos e cachorros, como dizem os ingleses, e papagaios, meu toque brasileiro. Quase tudo que eu penso é o contrário e já quebrei a cabeça pra olhar bem dentro dela e ver de perto se o parafuso solto pode ser recolocado, recalchutado ou reproduzido em local mais apropriado. O resultado é essa falta de convenções sociais, esse medo do ser humano e esse cansaço que faz doer o corpo de tanto ser lançada num mundo tão grande que mais parece uma prova de múltipla escolha cheia de respostas certas que podem estar erradas. Sou ruim pra caramba em V ou F, me desculpe por chegar a esse lugar sem sonhos no bolso ou balas na boca, sem acreditar em nada. Ao invés de pensar no que eu fiz pra conseguir um vestido branco, flores no cabelo e um quarto-e-sala, feche os olhos e imagine que eu soprei dentro de um balão, ele cresceu, me levou consigo e me deixou aqui, careless, restless but, above all, with no hard feelings.

domingo, 7 de outubro de 2012

Lá de longe

A distância. À distância? Ah, distância, eu ainda te pego; mas com toda essa distância... Com toda essa distância a cabeça fica doida e passa a criar um milhão de fantasias. A distância é a irmã mais velha da hipocrisia, tia do juízo, juíza do supremo tribunal da vida política, amorosa e desatinos de todo dia. A distância transforma cachorro em gato, olhadinha na rua em amor eterno não realizado... tragédia grega em casinho engraçado. À distância se esquece que aquele príncipe sempre será um sapo e que não há nada de extraordinário naquela história que nasceu, morreu e acabou sem que alguém tivesse sido comunicado. Pois se à distância nem parece que o Collor foi impeachmado... A distância tinha era que curar, não virar palco de maluco ou migalha pra  necessitado.

Lá de longe

A distância. À distância? Ah, distância, eu ainda te pego; mas com toda essa distância... Com toda essa distância a cabeça fica doida e passa a criar um milhão de fantasias. A distância é a irmã mais velha da hipocrisia, tia do juízo, juíza do supremo tribunal da vida política, amorosa e desatinos de todo dia. A distância transforma cachorro em gato, olhadinha na rua em amor eterno não realizado... tragédia grega em casinho engraçado. À distância se esquece que aquele príncipe sempre será um sapo e que não há nada de extraordinário naquela história que nasceu, morreu e acabou sem que alguém tivesse sido comunicado. Pois se à distância nem parece que o Collor foi impeachmado... A distância tinha era que curar, não virar palco de maluco ou migalha pra  necessitado.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Attraversare

Foi num domingo não tão distante que te vi pela última vez, olhos aflitos de quem não me veria mais. Não foi como num filme - seu semblante foi tomado pelo medo e eu o lia bem dentro dos seus olhos negros que ainda reconhecia. Num ímpeto, você tomou minha mão e a apertou com força, e por algum motivo entendi que você não queria que eu me fosse porque sabia que não me tornaria a ver. Em tão breves minutos, passaram pela minha frente nossas idas à fazenda, nossas férias animadas com conversas no alpendre e pé de moleque da vovó, a sala cheia de fotos da nossa história, de todos nós, a copa, o seu quarto enfeitado por um mural de momentos em que estivemos todos juntos. Lembrei-me das poucas vezes em que fui à igreja só porque sabia que você estaria lá, pra dizer a todo mundo que te conhecia. Inundaram-me a memória cenas de um tempo fácil ainda quando tudo o mais parecia difícil. Das gandaias às tardes tranquilas, fomos felizes ao nosso jeito. Por que é que pensei que te veria de novo enquanto você me dizia em sonhos que precisava ir? Ainda sinto sua mão frágil apertando a minha com firmeza, e eu me segurando e sorrindo e rezando pelo seu conforto em silêncio, e pensando entre quatro paredes que esse mundo é mesmo injusto, que você não tinha que sofrer assim. Você não. Você é meu avô, um homem forte e bonito... um homem bom. Gostaria de ter te dado a mão, te ajudado a atravessar; gostaria de ter podido te dizer para não ter medo, mas acho que na hora certa você laçou a morte como cavalo bravo, montou em seu dorso resoluto e foi devagarinho rumo à porta do céu, aos braços de Deus. Aqui, fica a saudade. Te amo, vô. Boa viagem.

Attraversare

Foi num domingo não tão distante que te vi pela última vez, olhos aflitos de quem não me veria mais. Não foi como num filme - seu semblante foi tomado pelo medo e eu o lia bem dentro dos seus olhos negros que ainda reconhecia. Num ímpeto, você tomou minha mão e a apertou com força, e por algum motivo entendi que você não queria que eu me fosse porque sabia que não me tornaria a ver. Em tão breves minutos, passaram pela minha frente nossas idas à fazenda, nossas férias animadas com conversas no alpendre e pé de moleque da vovó, a sala cheia de fotos da nossa história, de todos nós, a copa, o seu quarto enfeitado por um mural de momentos em que estivemos todos juntos. Lembrei-me das poucas vezes em que fui à igreja só porque sabia que você estaria lá, pra dizer a todo mundo que te conhecia. Inundaram-me a memória cenas de um tempo fácil ainda quando tudo o mais parecia difícil. Das gandaias às tardes tranquilas, fomos felizes ao nosso jeito. Por que é que pensei que te veria de novo enquanto você me dizia em sonhos que precisava ir? Ainda sinto sua mão frágil apertando a minha com firmeza, e eu me segurando e sorrindo e rezando pelo seu conforto em silêncio, e pensando entre quatro paredes que esse mundo é mesmo injusto, que você não tinha que sofrer assim. Você não. Você é meu avô, um homem forte e bonito... um homem bom. Gostaria de ter te dado a mão, te ajudado a atravessar; gostaria de ter podido te dizer para não ter medo, mas acho que na hora certa você laçou a morte como cavalo bravo, montou em seu dorso resoluto e foi devagarinho rumo à porta do céu, aos braços de Deus. Aqui, fica a saudade. Te amo, vô. Boa viagem.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Ready

eu queria um dia saber o por quê de sermos tão despreparados, principalmente porque entre o nascer e o morrer fica subentendido que é preciso aprender alguma coisa (e me frustra bastante entender que existe realmente um manual de instruções em qualquer lugar que eu não alcanço, ainda que possa tocá-lo com um ínfimo esforço da minha indiferença forjada, forçada, pois se ainda agora me privo de querer adentrar por essa porta aberta...), uma que seja, para que tenhamos aquela sensação de sermos livres, grandes, de estarmos vivos: te olho de longe, despenteado, despreparado para lidar com o clichê mais comum, na iminência de topar com uma ideia qualquer que te vire a cabeça e te perfume o sono enquanto você vira pro lado direito e sorri em silêncio porque acha naquela impossibilidade uma pureza charmosa, certeza maravilhosa de que nada tomará seu tempo enquanto aquele frio na barriga persistir - enquanto o coração doer com uma lembrança longínqua dos mas e por quês que poderiam ter sido uma bela resposta para uma hora mais certa que agora. já é tarde; vá dormir e me leve consigo, e deixe a razão bufar como uma tia louca, que faz careta e se pergunta por que diabos temos que ser assim tão despreparados.  

Ready

eu queria um dia saber o por quê de sermos tão despreparados, principalmente porque entre o nascer e o morrer fica subentendido que é preciso aprender alguma coisa (e me frustra bastante entender que existe realmente um manual de instruções em qualquer lugar que eu não alcanço, ainda que possa tocá-lo com um ínfimo esforço da minha indiferença forjada, forçada, pois se ainda agora me privo de querer adentrar por essa porta aberta...), uma que seja, para que tenhamos aquela sensação de sermos livres, grandes, de estarmos vivos: te olho de longe, despenteado, despreparado para lidar com o clichê mais comum, na iminência de topar com uma ideia qualquer que te vire a cabeça e te perfume o sono enquanto você vira pro lado direito e sorri em silêncio porque acha naquela impossibilidade uma pureza charmosa, certeza maravilhosa de que nada tomará seu tempo enquanto aquele frio na barriga persistir - enquanto o coração doer com uma lembrança longínqua dos mas e por quês que poderiam ter sido uma bela resposta para uma hora mais certa que agora. já é tarde; vá dormir e me leve consigo, e deixe a razão bufar como uma tia louca, que faz careta e se pergunta por que diabos temos que ser assim tão despreparados.  

The Night

Não sei se por teimosia ou medo do escuro. Talvez pelo frescor do silêncio trazendo pra perto o mais simples barulhinho, ou pela calma que toma meus pulmões nos braços - eis enfim o término de mais uma batalha sem mortos ou feridos. Enfim um pedaço de um momento sem pessoa alguma. Aqui a luz está acesa, mas lá fora tudo mais adormece com ou sem calma, com ou sem remorso, problema respiratório, zumzum no ouvido, preguiça, esperança... volúpia. Ouço a geladeira e o cachorro do vizinho que, como eu, se recusa a fechar os olhos. Meu corpo se entrega, cansado, ao sofá surrado com cheiro de sonho antigo. Não me abrace assim, seu sofá, eu peço porque já não sei o que pedir. Minhas sapatilhas me olham com suas fitas de cetim - querem que eu vá já para a cama: amanhã preciso estar em minha melhor forma para pegar de vez a coreografia. Arquivos em pdf piscam enquanto um trabalho no word suga meus dizeres mais secretos. Acho que preciso organizar minhas prioridades. O vento sopra fresco e devagar me desperta. Se não fosse perigoso sairia agora para uma longa caminhada - concluo que um cachorro realmente faz falta. Quero também um jardim, cores e uma meia dúzia de sonhos possíveis. Onde é que eu aperto? Onde é que eu assino? Posso pagar com cartão?
 
Va bene, eu me rendo. Hora de dormir como as pessoas que acordam com os passarinhos.

The Night

Não sei se por teimosia ou medo do escuro. Talvez pelo frescor do silêncio trazendo pra perto o mais simples barulhinho, ou pela calma que toma meus pulmões nos braços - eis enfim o término de mais uma batalha sem mortos ou feridos. Enfim um pedaço de um momento sem pessoa alguma. Aqui a luz está acesa, mas lá fora tudo mais adormece com ou sem calma, com ou sem remorso, problema respiratório, zumzum no ouvido, preguiça, esperança... volúpia. Ouço a geladeira e o cachorro do vizinho que, como eu, se recusa a fechar os olhos. Meu corpo se entrega, cansado, ao sofá surrado com cheiro de sonho antigo. Não me abrace assim, seu sofá, eu peço porque já não sei o que pedir. Minhas sapatilhas me olham com suas fitas de cetim - querem que eu vá já para a cama: amanhã preciso estar em minha melhor forma para pegar de vez a coreografia. Arquivos em pdf piscam enquanto um trabalho no word suga meus dizeres mais secretos. Acho que preciso organizar minhas prioridades. O vento sopra fresco e devagar me desperta. Se não fosse perigoso sairia agora para uma longa caminhada - concluo que um cachorro realmente faz falta. Quero também um jardim, cores e uma meia dúzia de sonhos possíveis. Onde é que eu aperto? Onde é que eu assino? Posso pagar com cartão?
 
Va bene, eu me rendo. Hora de dormir como as pessoas que acordam com os passarinhos.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Ghostbusters

Não tem nada que me faça querer hoje o que eu quis antes. Nada. Ainda assim, suspiro ao passar por alguns lugares cheios de lembranças de tempos felizes. Felizes? Será? Acho que tá mais praquela história da grama do vizinho...

Ghostbusters

Não tem nada que me faça querer hoje o que eu quis antes. Nada. Ainda assim, suspiro ao passar por alguns lugares cheios de lembranças de tempos felizes. Felizes? Será? Acho que tá mais praquela história da grama do vizinho...

sábado, 25 de agosto de 2012

Cartas de amor

Uma amiga minha tem um blog muito legal, o cartasnaoenviadas.com. No egoísmo do ser humano, fiquei pensando se haveria alguma carta lá pra mim ;) Acho que não tem, não, mas de qualquer forma fiz questão de anunciá-lo aqui, porque acredito que todo mundo tenha uma história mal resolvida, cheia de coisas pra dizer que não podem ser ditas (pelo menos publicamente). Se você tem muita coisa pra dizer mas não quer dar nome aos bois, só tirar as coisas do seu peito pra ver se elas vão embora, entre lá e deixe seu recado. As postagens são 100% anônimas -  e tem um pouco de tudo. Vale a pena conferir!

Cartas de amor

Uma amiga minha tem um blog muito legal, o cartasnaoenviadas.com. No egoísmo do ser humano, fiquei pensando se haveria alguma carta lá pra mim ;) Acho que não tem, não, mas de qualquer forma fiz questão de anunciá-lo aqui, porque acredito que todo mundo tenha uma história mal resolvida, cheia de coisas pra dizer que não podem ser ditas (pelo menos publicamente). Se você tem muita coisa pra dizer mas não quer dar nome aos bois, só tirar as coisas do seu peito pra ver se elas vão embora, entre lá e deixe seu recado. As postagens são 100% anônimas -  e tem um pouco de tudo. Vale a pena conferir!

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Faz um link ;)

Pessoal, pra quem não entendeu muito bem o que foi a Amâncio FM, as palavras em vermelho são um LINK. Cada dia tem um vídeo de uma música comentada no post. Todas as postagens com DIA... são músicas. Resultado: 365 músicas. Sei que vários vídeos são removidos do youtube diariamente, mas tenho uma lista de todas as músicas que apareceram aqui pra quem quiser. Bjos a todos!

Faz um link ;)

Pessoal, pra quem não entendeu muito bem o que foi a Amâncio FM, as palavras em vermelho são um LINK. Cada dia tem um vídeo de uma música comentada no post. Todas as postagens com DIA... são músicas. Resultado: 365 músicas. Sei que vários vídeos são removidos do youtube diariamente, mas tenho uma lista de todas as músicas que apareceram aqui pra quem quiser. Bjos a todos!

domingo, 19 de agosto de 2012

Dia 365

Pronto: chegamos à reta final do projeto Amâncio FM. Confesso que em alguns dias eu ficava louca pensando "E agora? Que música vou postar hoje?", e agora que fui chegando aos últimos dias, muita coisa legal apareceu. Para o último dia, no entanto, queria algo especial, especial demais mesmo. Depois de muito bater a cabeça, I decided to hire a little help from a very, very special friend. Conheci o Tatá na escola, e nossa amizade era, para os devidos fins, a mais improvável. Não tínhamos nada a ver um com o outro à primeira vista, mas... peraí... tinha uma coisa em comum ali, uma coisa enorme que nos rendeu muitos dias de chapação e gargalhada - resumindo, uma coisa que mudou nossa vida pra melhor além de nos tornar grandes amigos. Fomos unidos pela música há exatos 16 anos, e desde então muita coisa aconteceu até que a gente se sentasse de novo no sofá da casa da Denise e do Zé Mauro pra recomeçar a cantoria. O que era bom ficou muito melhor, em todos os sentidos. Não há nada mais prazeroso que fazer música com o coração, tocar com o prazer de abrir os olhos depois de uma canção tão profunda e ver que é o seu amigo que está ali, sentindo a mesma coisa, achando tudo aquilo uma maravilha. Eu também acho, Tátas, porque antes de qualquer coisa a gente se diverte... demais! 

Com vocês, um momento descontraído naquele mesmo sofá, sem equipamento, ensaio, maquiagem, cabelo ou roupa bonita, diretamente de uma tarde fria de domingo. Essa vai pra vc, Tátas, meu bom e velho amigo, e para todos os meus bons amigos e companheiros de plantão. All I want is to be with you, my friends... Always!!

Amâncio FM would like to thank you all for your time. I'll be looking forward to seeing you around ;)