quinta-feira, 30 de maio de 2013

O jogador

Eram cinco da tarde quando te vi voando em seu carro esporte. Camisa de marca, som da moda, gel no cabelo, loira gelada fingindo que é quente bem à vontade no banco do passageiro. Talvez ela fosse morena - mais socialmente interessante, convenhamos. Felizes, vocês se dirigiram a um destino exclusivo da capital, onde uma garrafa com o seu nome descansava à mesa de sempre. Todos riram, serviram-se de petiscos caros e falaram alto sobre suas opiniões e verdades absolutas, respeitando-se a hierarquia de quem ostenta a maior conta bancária. Após algumas brincadeiras de mau gosto com o garçom, que, impassível, enchia os copos de agressividade com a máxima elegância, você decidiu sair enquanto abaixo do cinto as coisas ainda pareciam funcionar. A moça esboçou naturalidade quando você abriu a carteira e tirou todo aquele dinheiro para pagar a conta. Ainda tinha muito mais para pagar pela suíte mais cara do motel. Ela era linda; o movimento dos cabelos e dos quadris, cheiro e textura importados de longe, peitos fartos, cem por cento pagos... que bom poder abrir o bolso e ter tudo isso, você sorriu com confiança. Pensou no babaca do chefe, nos sapos de todo dia, e decidiu engoli-los de novo quantas vezes fosse necessário pelo prazer de viver aquilo, de representar um modelo de sucesso para toda uma geração. Impressionado com seu próprio requinte, te vi visivelmente confuso quando me achou um dia tão bonita. Conversamos e você se convenceu de que eu era também inteligente e doce - foi engraçado como essa constatação te soou estranha. "Há muitas como eu no planeta de onde eu venho", eu disse; você nem queria pensar nisso. Perguntava-se como de repente não era mais tão fascinante, como seus poderes mágicos não se manifestavam na minha presença. Saiu, bebeu, pagou a conta e o motel com a mesada da sua mãe tantas outras vezes... mas não é que aquilo não te fazia sentir especial, não parecia certo? Prontificou-se a impressionar a menina que não se importava. Ela, no entanto, só queria que você parasse para se perguntar: "How do you afford your Casanova lifestyle?". Sentado no topo daquele planeta longínquo, você pensou em mim e em nós até concluir o óbvio: o importante não é ganhar, mas jamais se deixar perder. Jogar era uma arte per se,  e você sabia que podia transformar cada entrave em uma dança cálida e suave... só porque sabia esperar.

O jogador

Eram cinco da tarde quando te vi voando em seu carro esporte. Camisa de marca, som da moda, gel no cabelo, loira gelada fingindo que é quente bem à vontade no banco do passageiro. Talvez ela fosse morena - mais socialmente interessante, convenhamos. Felizes, vocês se dirigiram a um destino exclusivo da capital, onde uma garrafa com o seu nome descansava à mesa de sempre. Todos riram, serviram-se de petiscos caros e falaram alto sobre suas opiniões e verdades absolutas, respeitando-se a hierarquia de quem ostenta a maior conta bancária. Após algumas brincadeiras de mau gosto com o garçom, que, impassível, enchia os copos de agressividade com a máxima elegância, você decidiu sair enquanto abaixo do cinto as coisas ainda pareciam funcionar. A moça esboçou naturalidade quando você abriu a carteira e tirou todo aquele dinheiro para pagar a conta. Ainda tinha muito mais para pagar pela suíte mais cara do motel. Ela era linda; o movimento dos cabelos e dos quadris, cheiro e textura importados de longe, peitos fartos, cem por cento pagos... que bom poder abrir o bolso e ter tudo isso, você sorriu com confiança. Pensou no babaca do chefe, nos sapos de todo dia, e decidiu engoli-los de novo quantas vezes fosse necessário pelo prazer de viver aquilo, de representar um modelo de sucesso para toda uma geração. Impressionado com seu próprio requinte, te vi visivelmente confuso quando me achou um dia tão bonita. Conversamos e você se convenceu de que eu era também inteligente e doce - foi engraçado como essa constatação te soou estranha. "Há muitas como eu no planeta de onde eu venho", eu disse; você nem queria pensar nisso. Perguntava-se como de repente não era mais tão fascinante, como seus poderes mágicos não se manifestavam na minha presença. Saiu, bebeu, pagou a conta e o motel com a mesada da sua mãe tantas outras vezes... mas não é que aquilo não te fazia sentir especial, não parecia certo? Prontificou-se a impressionar a menina que não se importava. Ela, no entanto, só queria que você parasse para se perguntar: "How do you afford your Casanova lifestyle?". Sentado no topo daquele planeta longínquo, você pensou em mim e em nós até concluir o óbvio: o importante não é ganhar, mas jamais se deixar perder. Jogar era uma arte per se,  e você sabia que podia transformar cada entrave em uma dança cálida e suave... só porque sabia esperar.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Etiqueta

Te vejo naufragando entre minhas lágrimas e meus sorrisos, lutando para ficar de pé sobre minhas decepções e certezas sempre incertas. Seu olhar cansado me enche de tristeza, luto antes da morte esperada. Do lado de cá, bradei, sofri, mas nunca parei pra pensar em como seria. E quando a morte chegar, o que vem a seguir? Cartões de obrigada pela visita, talvez um chá... nota de falecimento nas mídias públicas? E os cacos do que sobrou, para onde vão? Como é que se vira uma página tão pesada da história, como é que o livro se fecha? Ando a tatear esse novo mundo com pesar e sem nenhum senso de etiqueta - mas como diabos se aprende essas coisas afinal? Como se aprende tudo o que é necessário, ainda que difícil - com dor e dúvida, desassossego de quem vê a água encher o copo lá de dentro. Com medo, olhando pra trás a cada segundo à espera de um sinal, de um milagre, de uma exclamação ou um ponto final. E se... Por que não... Mas... Tarde demais? Quando essa porta se fechar, estarei muito fraca para pensar em reabri-la, coração calejado além da conta para acompanhar qualquer outra novela. Amigos? Ex-qualquer coisa? Futuros desconhecidos que tanto se conheceram... e em eventos sociais se cumprimentam com um meio sorriso e um aceno de cabeça, esbanjando a indiferença e o desconforto que vêm com as melhores maneiras.

Etiqueta

Te vejo naufragando entre minhas lágrimas e meus sorrisos, lutando para ficar de pé sobre minhas decepções e certezas sempre incertas. Seu olhar cansado me enche de tristeza, luto antes da morte esperada. Do lado de cá, bradei, sofri, mas nunca parei pra pensar em como seria. E quando a morte chegar, o que vem a seguir? Cartões de obrigada pela visita, talvez um chá... nota de falecimento nas mídias públicas? E os cacos do que sobrou, para onde vão? Como é que se vira uma página tão pesada da história, como é que o livro se fecha? Ando a tatear esse novo mundo com pesar e sem nenhum senso de etiqueta - mas como diabos se aprende essas coisas afinal? Como se aprende tudo o que é necessário, ainda que difícil - com dor e dúvida, desassossego de quem vê a água encher o copo lá de dentro. Com medo, olhando pra trás a cada segundo à espera de um sinal, de um milagre, de uma exclamação ou um ponto final. E se... Por que não... Mas... Tarde demais? Quando essa porta se fechar, estarei muito fraca para pensar em reabri-la, coração calejado além da conta para acompanhar qualquer outra novela. Amigos? Ex-qualquer coisa? Futuros desconhecidos que tanto se conheceram... e em eventos sociais se cumprimentam com um meio sorriso e um aceno de cabeça, esbanjando a indiferença e o desconforto que vêm com as melhores maneiras.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Depois da chuva

Desde aquele dia tenho tentado encontrar uma brecha para dizer Me desculpe. Os anos deixaram de abrigar minhas expectativas e nem por isso plantaram algo no lugar; enquanto isso penso sem sofrer. Percorro minha memória RAM em busca de mais um olhar, e quando finalmente o encontro depois de cada 'tanto tempo', não me sinto em paz, não entendo o fim que veio com a natureza de tudo que perece, tudo que parece simples. Por que eu? Por que você? Não há uma alma nesse vasto mundo a dizer que daria certo, como se o que dá certo já tivesse sido traçado há muito tempo, longa distância. Insisti em ocupar esse lugar, em procurar e encontrar respostas que me olhavam de longe, aflitas por fazerem-se perceber. Não espero nada e no entanto aqui estou, a esperar que você me desculpe por não conseguir fazê-lo acreditar em mim quando eu te dizia que amar é a única coisa que vale a pena. Conforme andam os dias, vou pensando e torcendo para que você saiba, querendo que, numa bela tarde de outono, você possa descobrir... ou se lembrar.

Depois da chuva

Desde aquele dia tenho tentado encontrar uma brecha para dizer Me desculpe. Os anos deixaram de abrigar minhas expectativas e nem por isso plantaram algo no lugar; enquanto isso penso sem sofrer. Percorro minha memória RAM em busca de mais um olhar, e quando finalmente o encontro depois de cada 'tanto tempo', não me sinto em paz, não entendo o fim que veio com a natureza de tudo que perece, tudo que parece simples. Por que eu? Por que você? Não há uma alma nesse vasto mundo a dizer que daria certo, como se o que dá certo já tivesse sido traçado há muito tempo, longa distância. Insisti em ocupar esse lugar, em procurar e encontrar respostas que me olhavam de longe, aflitas por fazerem-se perceber. Não espero nada e no entanto aqui estou, a esperar que você me desculpe por não conseguir fazê-lo acreditar em mim quando eu te dizia que amar é a única coisa que vale a pena. Conforme andam os dias, vou pensando e torcendo para que você saiba, querendo que, numa bela tarde de outono, você possa descobrir... ou se lembrar.

domingo, 12 de maio de 2013

Detached

Trust is something strange, but even stranger is the so-called belief. Believing is passionate: you simply assume there are no better options available. Life goes by, and after so many years, you and only you are the one to blame. I was raised to believe I was alone and to trust no one but my own gut. Oh, but how tiring... The misconception of the word family rings bells in my mind, though I can't figure out what to think of mine. This strong sense of not belonging, not fitting in makes me think I could be anywhere else building up relationships with strangers who would actually come to care a lot more about who I am and what I need. I have to thank no one but my parents for showing me nobody is guilty of anything - we just happen to make unfortunate choices based on our own lack of a good role model every now and again. Everyone has problems and we try to do the best we can despite how damaged we might be - children are supposed to understand, to learn what not to do, to overcome; to bear and succeed. Sarcastic? Overwhelming? How about... empowering? I'd say the answer lies on what you think of yourself and the place you occupy in this world. For now, the only thing I know is that I'm relieved to share a home with a potential stranger instead of living with people I haven't chosen to be with. Hum... strange sense of freedom - I guess I'll trust that. Believing, on the other hand, requires more passion than I'll possibly have in me.

Detached

Trust is something strange, but even stranger is the so-called belief. Believing is passionate: you simply assume there are no better options available. Life goes by, and after so many years, you and only you are the one to blame. I was raised to believe I was alone and to trust no one but my own gut. Oh, but how tiring... The misconception of the word family rings bells in my mind, though I can't figure out what to think of mine. This strong sense of not belonging, not fitting in makes me think I could be anywhere else building up relationships with strangers who would actually come to care a lot more about who I am and what I need. I have to thank no one but my parents for showing me nobody is guilty of anything - we just happen to make unfortunate choices based on our own lack of a good role model every now and again. Everyone has problems and we try to do the best we can despite how damaged we might be - children are supposed to understand, to learn what not to do, to overcome; to bear and succeed. Sarcastic? Overwhelming? How about... empowering? I'd say the answer lies on what you think of yourself and the place you occupy in this world. For now, the only thing I know is that I'm relieved to share a home with a potential stranger instead of living with people I haven't chosen to be with. Hum... strange sense of freedom - I guess I'll trust that. Believing, on the other hand, requires more passion than I'll possibly have in me.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Dona Baratinha

Nunca me toquei que a história da Dona Baratinha era tão feminista... Moral da história: é melhor mandar o leão dormir na sala, porque ursinho amigo é historinha de criança, e um bom cobertor de orelha  não se compra com Mastercard...

http://www.historiasemmovimento.com.br/2013/04/historia-da-semana-dona-baratinha.html

Dona Baratinha

Nunca me toquei que a história da Dona Baratinha era tão feminista... Moral da história: é melhor mandar o leão dormir na sala, porque ursinho amigo é historinha de criança, e um bom cobertor de orelha  não se compra com Mastercard...

http://www.historiasemmovimento.com.br/2013/04/historia-da-semana-dona-baratinha.html

terça-feira, 7 de maio de 2013

Lelé

Conheci o Lelé aos 17 anos, em uma Banda Mole. Os 17 anos já quase dobraram, a Banda Mole nem existe mais, mas o Lelé passou a fazer parte da minha vida de várias maneiras desde então. Hoje sei que nossa história vem de outras vidas, que nossas almas têm o mesmo propósito: a evolução de dentro para fora, do espírito para o sorriso, do sorriso para a família, para os amigos, para o que houver à nossa volta. Isso ninguém nunca contou pra gente - aprendemos sozinhos, observando um ao outro, trocando ideias de bem. Um dia ele me mostrou a carta de um tio, e talvez tenha sido a coisa mais legal que alguém já dividiu comigo. Além das risadas, dos papos cabeça, dos devaneios e das notícias de todo dia, dividimos uma história de cumplicidade que só Deus explica, um carinho que há de nos acompanhar pelos dias quentes e noites frias, pela vida afora. Para você, meu querido Leandro, muita felicidade no dia de hoje e nos outros que não forem seu aniversário também. Muita luz, uma vida repleta de amor, compreensão, paciência, justiça, prosperidade, bem. Parabéns pela família linda que você tem, pelo seu coração e caráter, por não desistir de fazer o que acha certo e de pensar em se melhorar quando o resto do mundo se mata por uma vaga no shopping. Um abraço apertado da amiga de sempre...

Lelé

Conheci o Lelé aos 17 anos, em uma Banda Mole. Os 17 anos já quase dobraram, a Banda Mole nem existe mais, mas o Lelé passou a fazer parte da minha vida de várias maneiras desde então. Hoje sei que nossa história vem de outras vidas, que nossas almas têm o mesmo propósito: a evolução de dentro para fora, do espírito para o sorriso, do sorriso para a família, para os amigos, para o que houver à nossa volta. Isso ninguém nunca contou pra gente - aprendemos sozinhos, observando um ao outro, trocando ideias de bem. Um dia ele me mostrou a carta de um tio, e talvez tenha sido a coisa mais legal que alguém já dividiu comigo. Além das risadas, dos papos cabeça, dos devaneios e das notícias de todo dia, dividimos uma história de cumplicidade que só Deus explica, um carinho que há de nos acompanhar pelos dias quentes e noites frias, pela vida afora. Para você, meu querido Leandro, muita felicidade no dia de hoje e nos outros que não forem seu aniversário também. Muita luz, uma vida repleta de amor, compreensão, paciência, justiça, prosperidade, bem. Parabéns pela família linda que você tem, pelo seu coração e caráter, por não desistir de fazer o que acha certo e de pensar em se melhorar quando o resto do mundo se mata por uma vaga no shopping. Um abraço apertado da amiga de sempre...

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Aparências

Não sei como uma pessoa que nunca te viu escreve um perfil baseado no seu nome que casa perfeitamente com você. Esse auto-retrato que recebi de um amigo por email me arrepiou. E eu achando que me conhecia... Fiquei tão paranóica pela possibilidade de alguém saber tanta coisa sem nunca ter sequer visto a minha cara que cheguei ao salão exigindo uma mudança. Mudou mesmo, mudou tudo; foi como se de repente eu tivesse me tornado outra pessoa. Mais loira, mais repicada, muito menos frágil e atrapalhada, bem mais atrevida. Será que eu daria conta de sustentar esse personagem? Sentia-me preparada para arrasar Paris em chamas quando, no meio do transe, fui interrompida por uma senhora com cara de senhora que não quer ser senhora. Quem?, foi só isso o que eu entendi. Notei que as pessoas me olhavam, mas não consegui me posicionar naquela cena. Seria meu cabelo novo? Comecei a me preocupar. Se eu tivesse cara de patricinha, provavelmente sairia daquela cadeira com um look homogêneo e discreto, beirando o natural belo-horizontino, mas não! Essa menina tem uma cara rock'n'roll - vamos aproveitar esse potencial e fazer uma coisa bem kamikaze. Se der certo, a tribo dela acaba passando por aqui... Desculpa, tava longe, não te ouvi. Quem foi que fez?, ela disse enquanto atraía a atenção de todos os presentes, exclamando admirada Olha que perfeição! Chegou a tirar o telefone celular da bolsa e parou na minha frente em posição de largada. Entendi - ela queria saber quem tinha "feito" meu nariz. Dizem que foi Deus, respondi a ela sorrindo, mas minha mãe diz que foi ela, sem falsa modéstia. A senhora ficou pálida, depois ruborizada; guardou o telefone de volta na bolsa, sentou-se e não disse mais nada. Saí do salão querendo meu cabelo de volta, mas entendi que enquanto certas coisas nos acompanham, outras jamais serão como antes. Considerei minha extravagância uma ode aos cabelos brancos que não querem mais ficar em segredo. Que fase estranha: rugas, cabelos brancos, lei da gravidade... e aquela sabedoria que compensa isso tudo? Deve estar no papel, ou em bocas de quem nunca precisou se olhar no espelho para acordar bem de manhã. Uma coisa é fato: as aparências não enganam mais.

Aparências

Não sei como uma pessoa que nunca te viu escreve um perfil baseado no seu nome que casa perfeitamente com você. Esse auto-retrato que recebi de um amigo por email me arrepiou. E eu achando que me conhecia... Fiquei tão paranóica pela possibilidade de alguém saber tanta coisa sem nunca ter sequer visto a minha cara que cheguei ao salão exigindo uma mudança. Mudou mesmo, mudou tudo; foi como se de repente eu tivesse me tornado outra pessoa. Mais loira, mais repicada, muito menos frágil e atrapalhada, bem mais atrevida. Será que eu daria conta de sustentar esse personagem? Sentia-me preparada para arrasar Paris em chamas quando, no meio do transe, fui interrompida por uma senhora com cara de senhora que não quer ser senhora. Quem?, foi só isso o que eu entendi. Notei que as pessoas me olhavam, mas não consegui me posicionar naquela cena. Seria meu cabelo novo? Comecei a me preocupar. Se eu tivesse cara de patricinha, provavelmente sairia daquela cadeira com um look homogêneo e discreto, beirando o natural belo-horizontino, mas não! Essa menina tem uma cara rock'n'roll - vamos aproveitar esse potencial e fazer uma coisa bem kamikaze. Se der certo, a tribo dela acaba passando por aqui... Desculpa, tava longe, não te ouvi. Quem foi que fez?, ela disse enquanto atraía a atenção de todos os presentes, exclamando admirada Olha que perfeição! Chegou a tirar o telefone celular da bolsa e parou na minha frente em posição de largada. Entendi - ela queria saber quem tinha "feito" meu nariz. Dizem que foi Deus, respondi a ela sorrindo, mas minha mãe diz que foi ela, sem falsa modéstia. A senhora ficou pálida, depois ruborizada; guardou o telefone de volta na bolsa, sentou-se e não disse mais nada. Saí do salão querendo meu cabelo de volta, mas entendi que enquanto certas coisas nos acompanham, outras jamais serão como antes. Considerei minha extravagância uma ode aos cabelos brancos que não querem mais ficar em segredo. Que fase estranha: rugas, cabelos brancos, lei da gravidade... e aquela sabedoria que compensa isso tudo? Deve estar no papel, ou em bocas de quem nunca precisou se olhar no espelho para acordar bem de manhã. Uma coisa é fato: as aparências não enganam mais.

sábado, 4 de maio de 2013

Auto-retrato

Érika
Como você opera, age, frente aos seus objetivos e desejos:
Espera que os laços de afeição e boa camaradagem lhe tragam libertação e alegria. Sua própria necessidade de aprovação torna-o disposto a ajudar aos outros e, em troca, quer calor humano e compreensão. Acessível a novas idéias e possibilidades, que espera mostrarem-se proveitosas e interessantes.

Quer que aconteçam coisas interessantes e emocionantes. É capaz de se fazer muito apreciado pelo seu interesse evidente, e pela franqueza do seu encanto. É excessivamente imaginativo e dado a fantasia ou a devaneio.

Suas preferências reais:
Age de modo organizado, metódico e auto-suficiente. Precisa da compreensão indulgente de alguém que lhe dê valor e aprovação.
 

 É autoritário ou está em posição de autoridade, mas sujeito a sentir que maior progresso torna-se problemático, pelas dificuldades presentes. Persevera, a despeito de oposição.

Sua situação real:
Egocêntrico; ofende-se, portanto, com facilidade.

Está angustiado com os obstáculos que enfrenta, e sem ânimo para qualquer forma de atividade ou para exigências adicionais que lhe sejam feitas. Precisa de calma e tranqüilidade, e de evitar qualquer coisa que possa angustiá-lo ainda mais.

O que você quer evitar:
Interpretação fisiológica: Tensão resultante de restrição ou limitação desagradável. Interpretação psicológica: Resiste a qualquer forma de pressão dos outros e insiste na sua independência como individuo. Quer tomar resoluções sem interferência, tirar suas conclusões e chegar às suas próprias decisões. Detesta a monotonia e a mediocridade. Como quer ser considerado como alguém que dá opiniões abalizadas, acha difícil reconhecer que está errado, ao mesmo tempo que reluta em aceitar ou compreender o ponto de vista dos outros. Em suma: Exigência de independência e perfeição.

Seu problema real:
Sente-se insuficientemente apreciado na sua situação atual e está procurando condições favoráveis, onde tenha maior oportunidade de demonstrar seu valor.

Grandemente impressionado pelo que é singular, original e por pessoas de características notáveis. Procura assimilar as qualidades que admira e demonstra originalidade em sua própria personalidade.

Auto-retrato

Érika
Como você opera, age, frente aos seus objetivos e desejos:
Espera que os laços de afeição e boa camaradagem lhe tragam libertação e alegria. Sua própria necessidade de aprovação torna-o disposto a ajudar aos outros e, em troca, quer calor humano e compreensão. Acessível a novas idéias e possibilidades, que espera mostrarem-se proveitosas e interessantes.

Quer que aconteçam coisas interessantes e emocionantes. É capaz de se fazer muito apreciado pelo seu interesse evidente, e pela franqueza do seu encanto. É excessivamente imaginativo e dado a fantasia ou a devaneio.

Suas preferências reais:
Age de modo organizado, metódico e auto-suficiente. Precisa da compreensão indulgente de alguém que lhe dê valor e aprovação.
 

 É autoritário ou está em posição de autoridade, mas sujeito a sentir que maior progresso torna-se problemático, pelas dificuldades presentes. Persevera, a despeito de oposição.

Sua situação real:
Egocêntrico; ofende-se, portanto, com facilidade.

Está angustiado com os obstáculos que enfrenta, e sem ânimo para qualquer forma de atividade ou para exigências adicionais que lhe sejam feitas. Precisa de calma e tranqüilidade, e de evitar qualquer coisa que possa angustiá-lo ainda mais.

O que você quer evitar:
Interpretação fisiológica: Tensão resultante de restrição ou limitação desagradável. Interpretação psicológica: Resiste a qualquer forma de pressão dos outros e insiste na sua independência como individuo. Quer tomar resoluções sem interferência, tirar suas conclusões e chegar às suas próprias decisões. Detesta a monotonia e a mediocridade. Como quer ser considerado como alguém que dá opiniões abalizadas, acha difícil reconhecer que está errado, ao mesmo tempo que reluta em aceitar ou compreender o ponto de vista dos outros. Em suma: Exigência de independência e perfeição.

Seu problema real:
Sente-se insuficientemente apreciado na sua situação atual e está procurando condições favoráveis, onde tenha maior oportunidade de demonstrar seu valor.

Grandemente impressionado pelo que é singular, original e por pessoas de características notáveis. Procura assimilar as qualidades que admira e demonstra originalidade em sua própria personalidade.

Invisível Fio


"Chovia, chovia, chovia

Sem guarda-chuva
Conhaque no peito
Corria pra te encontrar

Sem Taxi
Maço molhado no bolso
Frio, frio
Corria pra te encontrar

Esperava te encontrar
Vozes roucas
Aquele sax gemido
Ducha morna distendendo meus músculos

Frio, frio
O catarro a endurecer nas costas das mãos

Pulando poças, com as pernas geladas
Não querendo te ver pensar
que eu andava bebendo
e andava
que eu andava sem grana
e andava
que eu andava insone
e andava
roxas olheiras
um dente lascado
eu andava relaxado?
sim, eu andava

Eu era eu, não podia
Ou podia
mas não devia
Ou queria
Mas não cabia

Caía, caía, caía
Vontade de voltar
pra algum lugar
Seco, quente
Mas como, já não sabia
  
E eu tentando ver para além daquele ponto
De onde eu vinha
Puxado por um invisível fio
Vindo da tua cabeça
Até a minha"


Invisível Fio


"Chovia, chovia, chovia

Sem guarda-chuva
Conhaque no peito
Corria pra te encontrar

Sem Taxi
Maço molhado no bolso
Frio, frio
Corria pra te encontrar

Esperava te encontrar
Vozes roucas
Aquele sax gemido
Ducha morna distendendo meus músculos

Frio, frio
O catarro a endurecer nas costas das mãos

Pulando poças, com as pernas geladas
Não querendo te ver pensar
que eu andava bebendo
e andava
que eu andava sem grana
e andava
que eu andava insone
e andava
roxas olheiras
um dente lascado
eu andava relaxado?
sim, eu andava

Eu era eu, não podia
Ou podia
mas não devia
Ou queria
Mas não cabia

Caía, caía, caía
Vontade de voltar
pra algum lugar
Seco, quente
Mas como, já não sabia
  
E eu tentando ver para além daquele ponto
De onde eu vinha
Puxado por um invisível fio
Vindo da tua cabeça
Até a minha"