quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Fruta madura

Gosto de coisas que você não gosta; vejo em nós diferenças que a você não interessam por não fazerem-se saber. Ouço seus chutes na porta e me questiono sobre o motivo do seu querer, paralisada pela inconsistência dessa história nascida de um instante, projetada por um par de curiosas expectativas. Sinto medo do escuro, mas avanço sem qualquer noção de espaço ou pretensão de mudar meu pensamento. Ventos me carregam e eu te levo comigo em um bolso escondido do coração - te desejo de um jeito errado e desmedido... e tenho medo... e fico no escuro... e te sinto perto, ouvindo aquela música que não me acrescenta, usando aquela gíria que não me representa, constantemente a chutar-me a porta com poses e apelos que de tão abstratos me inocentam. Não passamos de novelos coloridos, envoltos em desejos descabidos... que de tão bonitos nos aumentam, reinventam a nossa razão.

sábado, 2 de novembro de 2013

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Note to a complete stranger

Today I felt like saying thank you once again - maybe for the last time. For each moment of inspiration, for everything you made me feel without even trying, for allowing me to transform myself, to know what I want, to value what I have. Thank you for opening up this golden gate full of hope, possibilities, cultural diversity, idealism, search for change. We won't give up because that's our only bond, that's what makes us grow stronger out of hypocrisy, out of demagogy.
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I have always been true to you, and the truth is that I was a mess for quite some time - but hopefully not for too long. Love's at my door, waiting for me to get home every night, and for that I'll always be grateful. I feel blessed and I'd really like you to feel the same way.
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Here's something I wrote back in 2009, when we were just kids trying our luck elsewhere but inside ourselves.
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http://garrastazu.blogspot.com.br/2009/11/inefavel.html
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Peace and love now and always.
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Your friend,
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Érika

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Três

Três dias. Foi esse o tempo que durou o meu torpor. Sentia calafrios pelo corpo e me teletransportava para lugares diferentes a cada hora - ao redor tudo me lembrava ela. O sorriso dela morava em mim - era mesmo assim! - e imaginava que ela dava conta de todos os meus passos... um calor onipresente me doía. E ela sabia. Sabia porque me deixei contar, me fiz perceber - cartas, canções e telefonemas pela madrugada. Não sabia ao certo o que ela lia - eu já não pensava em coisa alguma - e lidava com suas respostas cordiais e vazias sem tristeza ou perspectiva de fuga. Em certo momento cheguei mesmo a pensar que ela sentia, que fechava os olhos e me escolhia, que parava o tempo e me encontrava no alto de um prédio que abrigava todas as banalidades do dia-a-dia com cara de coisa secreta. Sim, ela queria - ou quis, já não entendia, pois se no momento em que mostrei de um jeito delicado e confuso que ela estava lá, que por algum motivo estranho e não-convencional sempre estaria, que era só o que importava, que o melhor mesmo era não acreditar em mais nada, ela ficou muda do outro lado da linha; depois cordial; depois vazia, como bem o sabe, caro leitor. Por três dias fui além do romântico e do original - não fiz promessas nem loucuras... apenas preocupei-me em fazê-la saber que era parte do que mais me atraía, que poderia leva-la aos céus ou às mil maravilhas no correr da estrada, que aguardava pela coragem que ela teria. Seus dedos encheram a página de linhas, palavras que me perpassavam sem hora para dizer o que me bastaria. Sentimentalidades? Não, senhor! Alegria. Um gole de alegria barata no fundo daquela garrafa com licor de sobra renovaria minhas energias. Fui gentil; fui leal; fui aquele que ouve, que ampara, que ajuda, que acolhe e acalma. Até passou pela minha cabeça um daqueles filmes cujo começo inspira, o meio emudece e o fim angustia; logo preparei-me para a última cartada.
 
Medo, sorte, azar ou surpresa: por um descuido, deixei a janela aberta. Quando abri a porta, já não havia céu, sol, carta, rascunho de história nenhuma. Havia, contudo, uma sombra em meio à penumbra. Meu peito seguiu a galopes um peito que arfava, uma voz que bradava meu nome com braços e pernas, lágrimas brilhando no escuro; olhos febris de ternura. Tomei-a pela cintura e fizemos amor pela noite afora, certos de que em algum lugar alguém nos perdoaria.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Não analisa, não

É sabido que o ser humano tem como necessidade básica o direito à válvula de escape. É esse momentozinho de prazer que amortece as quedas, que equilibra a cabeça em cima do pescoço - afinal, extravasar faz bem à alma, não é mesmo? Bem, a verdade é só uma: nem sempre. A pressão acaba sendo diretamente proporcional à precisão de se viver o carpe diem a qualquer preço. O resultado? Alucinação coletiva, até que haja um desejo gradual de alívio alternativo. Contudo, num momento em que beber é doloroso, consumir é inviável, comer é errado e suar a camisa não sossega todos os leões que urram dentro do peito, o jeito é fazer uma análise.
Analisando-me descobri coisas incríveis, triviais e perigosas ao mesmo tempo. O mais óbvio - e talvez por isso tão surpreendente - é concluir, depois de meses de exposição gratuita de cada mazela pessoal a um total desconhecido, que você - e só você - pode mudar o rumo da sua história, virar o jogo de uma hora para a outra. Por que esse processo pode levar uma vida inteira? Perfeccionismo  + prepotência: uma bomba caseira pra psicólogo nenhum botar defeito. Tenho TOC, luto diariamente para deixar meu entorno literalmente mais bonito, limpo e organizado. Tornei-me uma pessoa careta e uso as roupas que passei a infância desenhando para minhas bonecas. Vocação reprimida? Vidas passadas? Culpa dos pais? Almeja-se ser grande, ser livre, e ainda assim o dia não termina sem que a culpa de cada insucesso recaia sobre alguém ou alguma coisa. Sinto-me impotente à noite e insistente pela manhã, alheia às notícias de novos tempos que não me dizem nada. Mas... a esperança sou eu, ora essa! A construção da verdade está intimamente ligada à minha entrega, sem máscaras, sem nuvens coloridas. Mentir para si mesmo só estende a distância, assim como confundir essência com qualidade essencial. Agora sei o que me diverte e o que me incomoda, simplesmente porque olhei com honestidade para mim, para vocês e para o mundo lá fora - e tentarei não me sentir mal se amanhã a verdade for outra. Deixo que o futuro elabore a pergunta: condicionamento ou rebelião? A vida em sociedade já condicionou tanta coisa que a sistematização das relações não me soa mais tão absurda - e na pior das hipóteses me impede de colocar o coração na mesa... O caso é que, felizmente, tive tempo para deleitar-me com o carpe diem quando a hora era oportuna, e talvez por isso penso, quando a vontade aperta, que libertinagem depois dos trinta é algo sofrível, próprio de quem nasce, cresce, reproduz e morre como pede a natureza.