Meu amor sussurrou no meu ouvido
que eu deveria saber um pouco de tudo;
Meu amigo disse que eu deveria escrever
de forma mais rebuscada, sem meias palavras.
Minha irmã falou um dia desses
que eu deveria me casar;
Minha amiga se indignou e me acudiu:
afirmou que eu deveria viajar.
Meu espelho tentou me provar
que eu deveria ser mais sábia
Minha mãe disse e repetiu
que eu deveria estudar pra sair de onde estava
Meu guarda-roupa me mostrou
que eu deveria me dar por satisfeita.
A solidão me disse pra escrever
quando o coração me deu carta branca pra chorar.
O sonho insistiu que eu deveria cantar
pra tentar me compreender.
A realidade me ensinou a lecionar
e a ela sou grata, e por ela não sou completa.
A esperança ponderou que eu deveria esperar.
Antes de morrer, queria fazer tudo isso;
agora minha música só tem uma nota -
estou do outro lado da linha, do lado de fora
e aguardo em silêncio pelo dia do juízo.
Estou morta
Correr, parar, já não me importa
Sorrir, falar, já não me importa
Você, eu, já foi-se o tempo
Palavra gasta, passado tolo
Egoísmo, arrependimento
Foi-se o tempo
em que eu queria não fazer nada
ou fazer alguma coisa.
Se me procurarem
diga que morri.
Parei de sentir
não vejo
não ouço
não choro
não espero
não quero
não quero
não quero
não quero
Não quero que me olhe assim
Não diga que não é o fim
Morri de tanto viver -
Não espere nada de nós
Não guarde nada pra mim.
Esse blog é destinado a compartilhar viagens literárias, e está aberto a seres humanos e afins... Divirtam-se!
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Aviso
Meu amor sussurrou no meu ouvido
que eu deveria saber um pouco de tudo;
Meu amigo disse que eu deveria escrever
de forma mais rebuscada, sem meias palavras.
Minha irmã falou um dia desses
que eu deveria me casar;
Minha amiga se indignou e me acudiu:
afirmou que eu deveria viajar.
Meu espelho tentou me provar
que eu deveria ser mais sábia
Minha mãe disse e repetiu
que eu deveria estudar pra sair de onde estava
Meu guarda-roupa me mostrou
que eu deveria me dar por satisfeita.
A solidão me disse pra escrever
quando o coração me deu carta branca pra chorar.
O sonho insistiu que eu deveria cantar
pra tentar me compreender.
A realidade me ensinou a lecionar
e a ela sou grata, e por ela não sou completa.
A esperança ponderou que eu deveria esperar.
Antes de morrer, queria fazer tudo isso;
agora minha música só tem uma nota -
estou do outro lado da linha, do lado de fora
e aguardo em silêncio pelo dia do juízo.
Estou morta
Correr, parar, já não me importa
Sorrir, falar, já não me importa
Você, eu, já foi-se o tempo
Palavra gasta, passado tolo
Egoísmo, arrependimento
Foi-se o tempo
em que eu queria não fazer nada
ou fazer alguma coisa.
Se me procurarem
diga que morri.
Parei de sentir
não vejo
não ouço
não choro
não espero
não quero
não quero
não quero
não quero
Não quero que me olhe assim
Não diga que não é o fim
Morri de tanto viver -
Não espere nada de nós
Não guarde nada pra mim.
que eu deveria saber um pouco de tudo;
Meu amigo disse que eu deveria escrever
de forma mais rebuscada, sem meias palavras.
Minha irmã falou um dia desses
que eu deveria me casar;
Minha amiga se indignou e me acudiu:
afirmou que eu deveria viajar.
Meu espelho tentou me provar
que eu deveria ser mais sábia
Minha mãe disse e repetiu
que eu deveria estudar pra sair de onde estava
Meu guarda-roupa me mostrou
que eu deveria me dar por satisfeita.
A solidão me disse pra escrever
quando o coração me deu carta branca pra chorar.
O sonho insistiu que eu deveria cantar
pra tentar me compreender.
A realidade me ensinou a lecionar
e a ela sou grata, e por ela não sou completa.
A esperança ponderou que eu deveria esperar.
Antes de morrer, queria fazer tudo isso;
agora minha música só tem uma nota -
estou do outro lado da linha, do lado de fora
e aguardo em silêncio pelo dia do juízo.
Estou morta
Correr, parar, já não me importa
Sorrir, falar, já não me importa
Você, eu, já foi-se o tempo
Palavra gasta, passado tolo
Egoísmo, arrependimento
Foi-se o tempo
em que eu queria não fazer nada
ou fazer alguma coisa.
Se me procurarem
diga que morri.
Parei de sentir
não vejo
não ouço
não choro
não espero
não quero
não quero
não quero
não quero
Não quero que me olhe assim
Não diga que não é o fim
Morri de tanto viver -
Não espere nada de nós
Não guarde nada pra mim.
domingo, 30 de agosto de 2009
Butterfly effect
I was talking non-stop, as if it was my last time to say something. My ideas were overflowing, I couldn't keep them inside. That was the moment to take each and every single thing off my chest. I knew she would pay attention. Well, let's go back a little bit. She was a really nice girl who soon became my friend. She understood me, and it just felt so right to be with her, to experience the calmness and inner peace I felt whenever she was next to me. Her voice was soft and there was something special about her accent. She had a troubled mind, she meant trouble, that's for sure, and still I felt so good when we were together. At ease. We could talk about anything. She would listen to me and everything I said seemed to have an effect on her. She believed in me. She liked my smile and my hands, she laughed at my silly jokes and she made me laugh as well. I could be myself - no tricks, no games, just that old fellow who made me proud deep inside. I was so confused... I needed comfort, she gave it to me. One day she told me she liked me and that's when things started getting a bit akward. I decided to stay away for a while. I stopped taking her calls, I didn't reply to her e-mails. One day I woke up and thought "Come on, she's a nice girl. If I tell her what she's doing wrong, maybe she'll act differently and things might get better between us". We planned to meet in front of a popular pub. It took us some time to find each other, the place was really crowded. I hadn't seen her for quite some time, and I was determined to tell her how I felt, I wanted to say it all. She asked me to sit next to her for a while. That's all she asked. She was visibly drunk, and all she wanted was to stay there, in silence, arm in arm, head on my shoulder. She was nice, but also a fucked-up human being! A real mess. I wanted to show her how selfish she was. I wanted her to understand that she wasn't being wise, that I would never be attracted to a person who was always saying "I don't care", whose best words were "here and now". Didn't I have enough problems already? The more she wanted from me, the less I felt like giving. That's it, I thought. We can't even be friends anymore, I can't cope with the unstable, the unknown, the unexpected. Suddenly, I glanced at her. She was smiling. I kept staring at her. I couldn't say a word. I had never seen such an evil smile before. I was trully scared. She looked at me, stood up and started singing "You're so vain", her eyes full of hate. Then she came real close, kissed me on both cheeks and got on the first bus. From the window, she screamed at the top of her lungs "You're a selfish mother-fucker!" and even had time to show me the finger. I was paralised. I didn't know what to do, where to go. I was in shock, completely alone in a damn cold night. Penniless. Motionless. Humiliated. All the worst words came to my mind. I felt so angry and hurt I couldn't even cry. I kept thinking about her long after that.
Butterfly effect
I was talking non-stop, as if it was my last time to say something. My ideas were overflowing, I couldn't keep them inside. That was the moment to take each and every single thing off my chest. I knew she would pay attention. Well, let's go back a little bit. She was a really nice girl who soon became my friend. She understood me, and it just felt so right to be with her, to experience the calmness and inner peace I felt whenever she was next to me. Her voice was soft and there was something special about her accent. She had a troubled mind, she meant trouble, that's for sure, and still I felt so good when we were together. At ease. We could talk about anything. She would listen to me and everything I said seemed to have an effect on her. She believed in me. She liked my smile and my hands, she laughed at my silly jokes and she made me laugh as well. I could be myself - no tricks, no games, just that old fellow who made me proud deep inside. I was so confused... I needed comfort, she gave it to me. One day she told me she liked me and that's when things started getting a bit akward. I decided to stay away for a while. I stopped taking her calls, I didn't reply to her e-mails. One day I woke up and thought "Come on, she's a nice girl. If I tell her what she's doing wrong, maybe she'll act differently and things might get better between us". We planned to meet in front of a popular pub. It took us some time to find each other, the place was really crowded. I hadn't seen her for quite some time, and I was determined to tell her how I felt, I wanted to say it all. She asked me to sit next to her for a while. That's all she asked. She was visibly drunk, and all she wanted was to stay there, in silence, arm in arm, head on my shoulder. She was nice, but also a fucked-up human being! A real mess. I wanted to show her how selfish she was. I wanted her to understand that she wasn't being wise, that I would never be attracted to a person who was always saying "I don't care", whose best words were "here and now". Didn't I have enough problems already? The more she wanted from me, the less I felt like giving. That's it, I thought. We can't even be friends anymore, I can't cope with the unstable, the unknown, the unexpected. Suddenly, I glanced at her. She was smiling. I kept staring at her. I couldn't say a word. I had never seen such an evil smile before. I was trully scared. She looked at me, stood up and started singing "You're so vain", her eyes full of hate. Then she came real close, kissed me on both cheeks and got on the first bus. From the window, she screamed at the top of her lungs "You're a selfish mother-fucker!" and even had time to show me the finger. I was paralised. I didn't know what to do, where to go. I was in shock, completely alone in a damn cold night. Penniless. Motionless. Humiliated. All the worst words came to my mind. I felt so angry and hurt I couldn't even cry. I kept thinking about her long after that.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Na crista da onda de calor da aura rosa
Você viu?
O quê?
A minha aura...
... Como assim?
Como assim o quê?
Sua aura?
É, tá vendo agora?
Não, por que, era pra ver alguma coisa?
Tá tentando pelo menos?
Boa pergunta! Não!
Então por que vc tá me encarando desse jeito?
... Porque você é bonita, uai...
Que isso... você tá me olhando nos olhos há horas!
Queria saber se são marrons ou pretos.
Ah... ... ... tá... e...
Rosa.
Hã?
Sua aura. É rosa.
É bonita?
Linda. Quente, suave, parece uma onda de calor de cobertor felpudo.
Hum... que lindo...
Vem cá.
Me dá um abraço?
Assim?
É... que bom... tá sentindo?
Hum-hum. Tudo rosa... tem até cheiro sua aura...
Sério? De quê?
De não me esquece.
Que cheiro é esse? Não conheço.
Ué, de não te esqueço.
...
Dá a mão.
Pra onde?
Tô na crista da onda de calor da aura rosa... vem comigo.
Sua aura também tá rosa...
Vem, que o dia é pequeno quando a gente tá junto.
Sorte.
Muita.
Tempo...
Agora. Caso-te, menina da aura rosa.
Te dói? Gostar de mim?
Mais que em você.
Respira e vamos esperar passar.
Mas e esse cheiro de não te esqueço?
Toma um pouco dele pra você.
Te amo.
Te ligo.
Te sinto, te respiro.
Te espero.
Sempre?
Sempre...
O quê?
A minha aura...
... Como assim?
Como assim o quê?
Sua aura?
É, tá vendo agora?
Não, por que, era pra ver alguma coisa?
Tá tentando pelo menos?
Boa pergunta! Não!
Então por que vc tá me encarando desse jeito?
... Porque você é bonita, uai...
Que isso... você tá me olhando nos olhos há horas!
Queria saber se são marrons ou pretos.
Ah... ... ... tá... e...
Rosa.
Hã?
Sua aura. É rosa.
É bonita?
Linda. Quente, suave, parece uma onda de calor de cobertor felpudo.
Hum... que lindo...
Vem cá.
Me dá um abraço?
Assim?
É... que bom... tá sentindo?
Hum-hum. Tudo rosa... tem até cheiro sua aura...
Sério? De quê?
De não me esquece.
Que cheiro é esse? Não conheço.
Ué, de não te esqueço.
...
Dá a mão.
Pra onde?
Tô na crista da onda de calor da aura rosa... vem comigo.
Sua aura também tá rosa...
Vem, que o dia é pequeno quando a gente tá junto.
Sorte.
Muita.
Tempo...
Agora. Caso-te, menina da aura rosa.
Te dói? Gostar de mim?
Mais que em você.
Respira e vamos esperar passar.
Mas e esse cheiro de não te esqueço?
Toma um pouco dele pra você.
Te amo.
Te ligo.
Te sinto, te respiro.
Te espero.
Sempre?
Sempre...
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