segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

Cama de anjo

 Bem-aventurada seja minha primeira postagem do ano :) 

E hoje quero falar sobre uma cama de solteiro que nunca foi usada, no spare room da casa de alguém que a adquiriu por mera questão de protocolo. Esses dias comprei uma barraca pra um inquilino 0800 que construiu um puxado de papelão sob a marquise do meu prédio. Quanto mais chovia, mais eu pensava se minha condição privilegiada, ao cruzar quase diariamente com aquele carimbo de miséria na porta da minha casa, não estava gritando na minha cara que eu deveria fazer alguma coisa. Gritou, acudi: comprei uma barraca e pedi ao meu zelador que entregasse a ele de forma anônima. Se ele trocou por pedra, papel e tesoura, se usou de coberta, se jogou fora por ocupar espaço, se entregou como parte de uma dívida... não importa. Mesmo. Ainda que tenham tentado me convencer de que ele de fato não usaria a barraca para se abrigar, entendi que fiz a minha parte. Assim foi com as sacolas de roupas que deixei perto de um casal que dormia sob outra marquise próxima, com as roupas do meu pai que doei para moradores de rua. Entendi que eles podiam fazer o que bem entendessem, porque algum dia essas coisas iriam chegar às mãos de quem realmente precisava delas. Imagino que agora você deva estar se perguntando: mas o que isso tem a ver com a cama de solteiro que nunca foi usada, no spare room da casa de alguém que a adquiriu por mera questão de protocolo? Tudo, meus queridos. Tudo. Vou dar um tempo pra vocês fazerem o link. Enquanto isso saboreio um Ben and Jerry's de doce de leite e chocolate maravilhoso que meu namorado pediu junto com o antiinflamatório pra me mimar durante uma das minhas constantes e intermináveis crises de coluna. Estamos quase lá - e o último relato também faz parte do pacote. 

A cama era do meu pai. Comprou um apartamento de 2 quartos e mobiliou o segundo com uma cama de solteiro e uma cômoda. Praticamente um quarto de verdade, com guarda-roupas e um tamanho interessante. O mais interessante, contudo, é imaginar o por quê desse quarto montado pra ninguém dormir. Fui à casa do meu pai uma vez, com minhas irmãs. Praticamente invadimos a casa, nos convidamos e fomos sem ligar pra resposta. Foi a primeira vez em que me lembro de ter contato com a intimidade do meu pai. Ali ele era um ser indefeso, inofensivo, vulnerável, com a fragilidade aos berros, ecoando pelo vão onde ficaria o fogão, reverberando em cada móvel barato, em cada prato sujo em cima da pia, na camisa amassada com que ele abriu a porta, na poeira com cheiro de tristeza, de sozinheza, solidão sem prazer e sem drama. Mais adiante, fui adentrar a intimidade dele quando adoeceu - e não voltou pra casa. Ainda mais invasivo foi pegar as suas chaves e ir até lá mexer nas suas coisas, na vida que eu desconhecia. Curiosidade com angústia, tristeza com mágoa, era isso que eu sentia? Olhei praquela cama com o colchão ainda no plástico, pra cômoda que bem podia ter sido um criado mudo. Nunca cumpriram o papel de abrigar uma filha, um irmão, um amigo... Nunca receberam visita. Sem cheiro e sem história, aquela cama me olhava e de tanto olhar, um ano depois, visitou-me em sonho pra me mostrar o link com as coisas doadas e os casos doídos que por tanto tempo saíram da minha boca. Pregamos o dever de sermos bons com o próximo, e ignoramos a máxima que nos impede de engrandecer o processo - desde que o próximo não seja tão próximo. Damos pão e circo, colo e ombro pras visitas, a toalha mais alva sobre a mesa, enquanto pros de casa é custoso estender a mão. Não engoli aquela cama vazia - reflexo do espaço que estava lá pra eu ocupar e ele não quis. Essa cama vazia, contudo, me convidou um ano depois a abrir a porta daquele quarto coberto de pó de esquecimento e me disse que não foi por querer, que ninguém fez por merecer e que a chuva vai molhar a terra e unir em amor nossas almas sós - se não há perdão dentro, não há solo fértil fora de nós. Quero crer que toda noite, um anjo chegava manso pra conversar, aliviar a sozinhez tristonha de mais um dia à toa... discutia o jornal, se demorava até depois da novela, e quando via meu pai pescando no sofá, chamava Hélio, vamos dormir - e meu pai dizia Tá certo, mas fica aí, já está tarde, amanhã você vai, e ele fazia que sim com a cabeça e olhava pra cama vazia... e descansava sua auréola sobre a cômoda e acomodava suas asas de luz invisível no plástico barulhento do colchão. Até o dia seguinte; até a casa perder a voz. 

sábado, 31 de dezembro de 2022

Porta da esperança

Esse ano foi duro. Difícil. Novo. Diferente. Desafiador. Recompensador. Doído. Nu, doído. Doido. Imprevisível. Introspectivo por vezes, coletivo meio inesperado. Esse ano me ferrei, me achei, sofri, chorei, pensei... chorei mais; chorei mais, não. Esse ano tive que escolher milhões de vezes, decidir com a convicção que nem sempre estava. Fui firme, fui filme de ficção, de terror, de heroína, de pescador, fui feto e fui fato, sim senhor. Esse ano foi martírio, redenção, aprendizado, reconexão com quem veio e quem quis ficar, onda de luz cósmica pra quem não foi e não esteve, pra quem quis partir, pra quem quis chegar. Esse ano foi fé raciocinada, Tim Maia Racional, sangue no olho, faca na caveira, chute no estômago e cara na porta. Cara na porta. Cara na porta até ela abrir e eu ver mamãe, irmãs, sobrinhos, amigos, alunos, lições, tarefas, meu pai tímido do outro lado da sala e meu coração num ratimbum descompassado, doido pra agradecer pela minha vida com um beijo e um abraço de obrigada, pai, porque hoje eu sinto o seu amor, porque hoje eu tenho amor por quem me ama e quem me critica, por quem me guarda e quem me prejudica. Esse ano foi amor e caridade, redenção e saudade. Foi o primeiro ano da minha vida em que o Natal foi o dia de celebrar Jesus e tudo que ele me ensinou sobre família, amigos, afetos, gratidão, gentileza, perdão, contribuição com o bem maior, responsabilidade, leveza, fluidez no caminhar, sempre e lentamente. Esse ano foi plantio em chão despreparado, e cada galo, cada roxo, cada tombo, de um jeito estranho e não calculado,  foi um presente.

quarta-feira, 30 de novembro de 2022

Big Bang

Quando pequena, passava horas a fio a observar as nuvens, deitada na grama ou indo e vindo no balanço. Fazia perguntas imaginárias apertando meus olhos quase pretos no breu do dilema e, ao abri-los, ia esperando o céu se organizar e desenhar a resposta. Talvez assim tenha desenvolvido na minha cabeça um certo tique por sinais, uma mistura de fé com insanidade (mais tarde vim a saber que Dostoiévski já tinha misturado Jesus com Dom Quixote lá no século XIX e fiquei feliz). Esse meu conversar com Deus em horas tolas, esse meu abrir o peito pra sorte trouxe reflexões solitárias, duras, e vivências viciadas num perder que foi ganhando forças, tirando das minhas entranhas toda a minha sede de ser, extraindo todo o meu poder de viver essa minha história tão bonita. Não deixe o outro te moldar, você pensa. Os tempos são outros, você pondera. Pra onde vão essas pessoas que não aprenderam a lidar com a tecnologia em pleno 2022? As que trabalharam 25 anos de um jeito, que desenrolaram suas vidas, fizeram planos, tiveram sonhos em preto e branco, numa câmera fotográfica em que precisaram saborear o making-off pra escolher o take perfeito, aquele que registra em uma imagem todo um tempo feliz? Pra onde vão as pessoas que têm medo do escuro de si mesmas, do escuro que é um completo desconhecido, do escuro de um coração e de uma cabeça cheios de vivências viciadas num perder que foi ganhando forças, tirando das entranhas toda a sede de ser, extraindo todo o poder de viver essa história tão bonita? Pro olho da rua da sociedade ou... em uma jornada fantástica rumo ao magma de seu próprio planeta. Sem mas, você se despe. Tira peça por peça na frente do espelho. Repara em tudo com olhos serenos, gentis. Ri pra uma ruga, passa as mãos pela barriga, pelos seios. Checa o formato dos pés, das mãos, das unhas, percorre sua própria pele devagar, tato trôpego e etéreo... se abraça. Observa o peso das pernas segurando o corpo e agradece - elas estão ali, fortes. Atravessa os dedos pelos cabelos, fecha os olhos de prazer. Sente de olhos fechados cada parte do seu rosto, em pé, em silêncio, em comunhão com o tempo e o espaço que criou para ser você. Abre os olhos e sorri - o escuro não aflige mais. O tempo comum não te machuca; o espaço não te exclui, nem te sufoca. Não interessa o que vai acontecer amanhã, se existe vida fora daqui ou como surgiu a Terra. Nesse fundo azul onde as nuvens falam mais alto, eclodimos pós-Big Bang como flores novas num jardim primaveril, alheias à fúria do mundo, aos traumas da guerra.

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

Momentum

 Momentos são angústias; fragmentos de astúcia, paz e caos... momentos são minúcias. Detalhes do que vemos nos guardam em segredo; segredos de outrora se guardam em degredo... fluímos cheios de intenções, a plenos pulmões - corações cheios de medo. Não é isso que Deus quer pra nós: uma mesa pra ceiarmos sós, uma vida sem calor de pai, uma cama sem uivos nem ais, um enlace cruel, atroz; Ele quer é casa com jardim, girassóis, canários, querubins, nãos bonitos pra chamar de sims... um sonho feliz, um amor feroz. Essa vida que me pertenceu, essa noite que me amanheceu vem me cumprimentar; te imagino sob a luz solar, me arrisco, mudo de lugar e ainda sou eu, sempre a duvidar do que vai ser... ansiosa por sentir o poder da fé, da promessa, do toque, do nosso axé, do dia que ainda não se vê. Somos filhos do ontem; pagamos, sofremos nós, filhos do homem, buscando no céu o que não é de lá, querendo colo sem que nos domem, sem que nos tomem de assalto com afeto e zelo... querendo sem pensar em dar. Os planos vêm pra agradecer; os anjos vêm pra obedecer à sua resignação e ao seu impulso - que o livre arbítrio seja o norte de quem crê, de quem tem pulso pra recomeçar, pra se refazer de um salto. A alma vai permanecer, o amor há de prevalecer e os momentos, minúcias de sonho, de sentimento, serão lágrimas brilhantes de enternecimento pelo nosso voo mais alto.

domingo, 30 de outubro de 2022

Dost thou know I love thee?

 O ano era 2003. Pausa. Não sei quantos anos eu tinha quando comprei alguma coisa numa loja cara, daquelas pelas quais eu passava de cabeça baixa pra não ter vontade de entrar. Que sonhos são esses vendidos pelo capitalismo... Que loucura é essa de comprar dignidade, integridade, status, de comprar a próxima desculpa que você vai usar pra tentar se convencer de que está fazendo a coisa certa enquanto aquele aperto no peito te responde só que não? Fui ao centro espírita essa semana e meu mentor me disse que eu me encontro numa frequência de expiação, de pagamento de dívidas - e quem sou eu afinal pra chorar, espernear e achar que já paguei muito mais do que deveria? Eu, uai. No auge do meu desespero, ouvi dele que o desespero é bom, chama o fim da prova. Em meus momentos de desequilíbrio me considero bem dostoievskiana, naquela impáfia do só se vive uma vez, correndo perigo, me arriscando ao passar um cartão que vou suar pra pagar, só pelo gostinho de não ser medíocre, de permanecer inrotulável, de me surpreender - veja você que looping... Olho pra minha casa, pras coisas materiais que consegui, pro fato de gastar mais do que eu ganho como uma compensação pelo fato de não ter ninguém pra deixar nada quando eu me for mesmo tendo desejado tanto uma Alice e um Romeu plantando bananeira e dando estrela no quintal... Olho pra trás e me pergunto se eu ferrei de vez a minha vida ao sair de casa sem olhar pra trás ou se aquilo foi o marco inicial dessa história de lutas, dívidas e aprendizado que eu invariavelmente teria que viver. Ééééééééé... a vida não tem replay. O Cazuza disse que adorava um amor inventado, e só entendi isso quando, após um período amargo de luto não finalizado, cansei de tentar esperar a chuva passar e tentei fazer o mesmo. Parece estranho e até cínico, mas não é proposital nem deliberado. A gente quer amar, então surfa na onda de quem está ali disposto. A gente curte a companhia e fica até feliz, mas sabendo que, diferente de companhia, companheiro é outro departamento. A gente se joga porque tem medo de passar a vida procurando por um brilho no olho, um coração batendo acelerado, um transe, uma dormência, uma paz inexplicável em caber num abraço, em se despir sem pudor nenhum, em unir bocas e se enlaçar naquele corpo quente e sedento pelo seu... em fazer carinho e falar de sentimento de um jeito aberto, bonito, direto e rir junto, e rir antes, durante e depois, e rir ao lembrar de tudo isso e chorar de emoção. Pausa. O ano era 2003. Namorava há um ano com a pessoa que passaria mais 11 anos do meu lado. Cursava Letras/Inglês e as disciplinas de literatura eram simplesmente arrasadoras - nessas horas agradeço sinceramente pela minha oversensibilidade - eu sentia tudo! Amava decodificar o inglês arcaico e todo o romantismo ensandecido que ele carregava nas costas. Numa dessas viagens literárias apareceu a frase "Dost thou know I love thee?" - ela virou o nosso eu te amo na terra de dragões e gigantes, príncipe e princesa que sonhavam, cada um à sua maneira, com paz no castelo. Não nos falamos - presente do indicativo. A relação acabou, o sentimento se transformou, mas esse ressentimento que ficou do outro lado impediu o contato. Às vezes me pergunto: vai passar? Vou ter que esperar essa chuva toda cair pra sair na rua? E se eu quiser me molhar, será que alguém vai surgir em pé na esquina com um sorriso, um guarda-chuva e vontade de me aninhar? O ano era 2003 e agora, quase 20 anos depois, ainda ecoam os erros, os acertos, as investigações, decodificações, paranoias e mitos que o E se? tentou plantar aqui dentro. O capitalismo, o consumismo, o alcoolismo, tudo isso é explicável e previsível - queria que amar desse jeito certo, com lacunas e renúncias, também pudesse ser. 

quinta-feira, 27 de outubro de 2022

(R)evolução

Com a atual conjuntura do país, tenho pensado muito sobre o velho clichê – não menos importante por ser um clichê, contudo – “seja a mudança que você quer ver no mundo”. Não consigo entender por que as pessoas têm plantado ódio – e esperado – pasmem – colher amor. Christian Gurtner, autor do fantástico podcast Escriba Cafe, recentemente me presenteou com uma reflexão do filósofo escocês Adam Smith: “A ambição universal do homem é colher o que nunca plantou”. O que é que você vai fazer se o seu time não ganhar? Se domingo chegar e seu candidato não for eleito? Espero que algo diferente de torcer pro país se lascar e se contorcer de prazer quando algo der errado com um sorrisinho estampado de “eu te disse”. Tem muita coisa errada nesse governo, teve muita coisa errada nos anteriores e é preciso admitir – mas o que realmente precisamos assumir é nossa reponsabilidade enquanto criaturas habitantes desse enorme pedaço de terra e planta e gente e coisa chamado NOSSO país. O que você fez nesses últimos quatro anos em prol do seu semelhante? Reflita sobre isso com consciência. Além de reclamar e se desesperar como quando seu time perde um pênalti, além de compactuar com um gol roubado porque foi seu time que fez – porque afinal ele precisava do gol pra vencer – você ajudou alguém material ou moralmente? No espiritismo falamos em caridade moral, que, diferentemente da material, envolve empatia, escuta atenta, compreensão e respeito às diferenças, comunicação não-violenta, lealdade, honestidade, verdade – cuidado. Como sempre, vejo-me num ir e vir quando se trata de tais virtudes: a gente prega, mas dificilmente a gente faz. Dói em você quando se dá conta? Tem doído em mim cada vez mais, e cada vez mais tenho pedido força e coragem pra enfrentar meus próprios dragões e usar minha existência e minha posição nesse mundo pra de fato tentar ser menos vil, menos egoísta, menos intransigente: pra servir. Dói sair do sofá pra correr por uma hora seguida. Dói deixar alguém que você ama para que alguém que te ama possa te encontrar. Dói deixar uma vida, uma persona pra trás e junto com ela sonhos baseados no que você achava que te completaria, dói calçar aquele sapato lindo que te servia e agora só te machuca. Aos olhos de alguns, já fui mais interessante; aos meus, tento conter a angústia e a alegria de me moldar ao que realmente me pertence com trabalho, com perseverança, com a compreensão de que as palavras são fruto do pensamento e adubo para cada uma de nossas ações. No primeiro turno das eleições fui votar com um vestido branco e uma flor no cabelo – no peito a frase Vibre amor. Foi triste ver o olhar reprobatório de algumas pessoas, que associaram minha mensagem e minha luz ao comunismo que vai nos transformar na próxima Venezuela (!). Uma delas não se conteve e gritou do carro “vai pra Cuba, comunista!”. A única bandeira que eu carregava era a de paz e amor – sem bottom, sem camisa, sem cor, sem panfleto – e ela gerou ataque de pessoas que eu desconheço. Como bem pontua Krenak em A vida não é útil, “nós, seja na floresta, seja em um apartamento, precisamos despertar nosso poder interior e parar de ficar caçando um culpado ao nosso redor: uma corporação, um governo. Porque essas coisas todas acabam e nós não podemos ter uma data de validade igual à delas”. Mais amor por favor – a todo mundo que deseja de fato ver um país onde seu umbigo venha depois, um lugar onde todos possam ter os direitos fundamentais garantidos, onde todos nós nos mobilizaremos contra a fome, a miséria e a numeralização em detrimento da pessoização. Sem essa esperança somos somente um bando de almas perdidas plantando revolta e esperando lunaticamente por prosperidade e redenção.

domingo, 9 de outubro de 2022

24 horas

 Há pouco tempo, entre lágrimas contidas e sorrisos abertos, vi, em meio às várias maravilhosidades de um filme sensível e sincero, uma espécie de brinde às próximas 24 horas - um compromisso firmado, uma responsabilidade, uma esperança. A gente cresce se propondo planos tão mirabolantes pra um futuro indefinido e se esquece que o futuro segue abraçado ao presente a passos descoordenados, que o que acontece geralmente chama o que está por vir. Somos o que escolhemos ser, todos os dias, seja por comodismo, pertencimento, medo ou esforço. Pode ser que amanhã você mude de ideia, decida ter outra vida, outra cor favorita, outros sonhos pra chamar de seus. A mágica está justamente nesse dia-a-dia, no sol que não se cansa de subir e descer, na lua que vai, bem humildemente, ocupando seu lugar entre as estrelas. Não tem projeto que não caiba quando você aprende a se ouvir, a SE pertencer. O resto a gente equilibra, absorve, experimenta, adota ou descarta. A vida é feita de nãos sonoros ao que nos separa da nossa estrutura, ao que nutre o orgulho e a vaidade em nós. O céu desaba mas a escolha por dias melhores e pensamentos mais edificantes segue insistente, por mais um dia, e mais um dia, e mais um dia... Pelas próximas 24 horas escolha quem te acompanha, decida a nova tatuagem, o corte de cabelo, o próximo desafio... faça um pedido, peça a você mesmo em casamento e se prometa todo o carinho e a devoção que sempre sonhou em receber. Deixe o que é ruim, atraia algo bom, chore pra limpar o peito, renove seus votos, se acolha, se respeite, peça desculpas, agradeça com amor, com fé - RESISTA. Por mais 24 horas.