segunda-feira, 31 de julho de 2023

...pediu um café à João Gilberto

Era perto das três da tarde e eu equilibrava papéis e livros a passos largos, em direção ao meu carro; na contramão, duas moças nos seus vinte e poucos anos puxavam inconscientemente a mochila junto às costas enquanto travavam uma conversação interessante pelo caminho estreito que àquela hora dividíamos. Meu pensar piscava aturdido por confusões de todo tipo, mas nenhuma delas impediu que minha antena captasse, naquele pequeno momento em que nos apertamos para caber naquele caminho, uma onda de palavras que se quebrou sobre os meus ouvidos: ... a gente sentou e ele pediu um café à João Gilberto... Assim. Uma onda. Quebrando pelo meu casco endurecido de vivicionices capricornianescas, planilhas em word riscadas a lápis. Criei uma imagem de um casal que sai junto pela primeira vez e me vieram as emoções do primeiro encontro, as inseguranças, os traumas e as expectativas, o que se inventa, o que se admite logo de cara, o que se omite, o que se aumenta - e o que tudo isso que se seleciona ilustra o medo que temos de nós. Nesse meu devaneio mais sistêmico que sistemático vi o moço chamando a garçonete timidamente com um breve aceno, seus movimentos leves e coordenados, seu olhar tranquilo a maquiar uma breve ansiedade, a esconder uma rabugice teimosa quando lhe passava pela cabeça a possibilidade de tocar distraído uma nota errada... de desafinar. À medida em que a atendente se aproximava, ele ensaiava mentalmente os passos e compassos, os sis e os fás, um dó desenganado. Pelo bloquinho de anotações foram-se desenhando os detalhes do pedido em notas suaves, tom melancólico e incerto de quem não sabe ainda em que momento daquela história uma daquelas mãos sobre a mesa abraçaria a outra - em que momento ele por fim entenderia que a perfeição encobre a essência, e é essa mesma essência, com seus encantos e desatinos, que sintoniza cada par de corações desafinados, roucos, uivantes, estelares. A vida é cheia de personagens marcantes, e de tanto viver e querer achar um sentido, uma tribo, um ouvido, seguimos o caminho dos outros, ouvimos essa e aquela conversa, represamos a onda que passa numa piscina cheia de água que não é nossa, que ensina, que purifica mas que não nos pertence nem define - que não nos simplifica nem adoça. Engessamos nossa existência enquanto assistimos por uma janela embaçada os desafinos alheios que a gente endossa, fracassos que nosso olhar hipermétrope transforma em receitas de sucesso instantâneas, espinhos que a gente quer porque quer que sejam rosas. Às vezes me lembro daquelas meninas cruzando meu caminho estreito, daquelas palavras soltas que ecoaram pela minha alma e despertaram as reflexões que hoje compartilho, e penso que possivelmente o que se passou nada tem a ver com aquela cena criada pela minha imaginação; que em algum canto desse mundo pode existir um café à João Gilberto, cujo sabor é tímido e perfeccionista como ele próprio. Mas quer saber?  O que se inventa, o que se admite logo de cara, o que se omite, o que se aumenta -  tudo isso que se seleciona só ilustra o medo que temos de nós. Hoje pedi um café à João Gilberto e cada gole quente, amargo e perfumado acordou em mim a lembrança de que somos todos desafinados com corações batendo no fundo do peito, pulsando um querer feroz.  

quinta-feira, 13 de abril de 2023

Columbine

 Tenho achado difícil demais viver nesse mundo. Sinto como se eu estivesse encostando o joelho no asfalto a cada passo, num dia insuportavelmente quente, e tivesse que me erguer do chão com a força do meu corpo. A cada passo. Num dia insuportavelmente quente. De pelo menos trinta horas. Na minha vida o principal meio de emancipação de mim mesma, dos meus antepassados que fracassaram no amor e em outras drogas, foi o conhecimento - consciência de que os erros fortalecem, que saber ler as entrelinhas é a chave pra compreender o todo, que a humildade é a mãe da sabedoria, da prosperidade, da mais-valia, de tudo que importa, que a esperança derrete a pedra que cristalizou o sofrer do coração da gente. Conhecimento de causa, de matéria, de energia, de caminho, de verdade, de propósito, de argumento, de sentimento, de anseio e de glória - conhecimento do que vem a ser a fé, o meu problema, o problema do outro, o que está sob meu controle e o que foge dele e não pode, por isso, me descabelar. Li há pouco tempo dois livros de uma autora que ganhou o Nobel de literatura em 2022 pelo conjunto da obra - infeliz coincidência, já que o primeiro foi tão desagradável que passei dias arrotando aquelas linhas indigestas. O segundo foi melhorzinho, mas, como minha leitura dos franceses, blazé: sem emoção. Fiquei atordoada com o fato de uma pessoa que discorre sobre um aborto na juventude com frieza ártica disfarçada de naturalidade/autonomia/independência/maturidade (pelo amor de Deus chega) não só concorrer mas ganhar o maior prêmio mundial atribuído a um escritor. E não estou falando aqui de culpa cristã nem da minha opinião sobre o ato em si; estou problematizando uma tentativa - a meu ver muitíssimo frustrada - de naturalizar uma situação banalizando-a, trivializando o que não tem absolutamente uma vírgula de trivial. Em minhas palestras espíritas, falava sempre do orgulho e da vaidade como os maiores vilões da humanidade, e ao ser desmentida e acusada téte-a-téte em nome de Jesus, fico pensando que não reagir negativamente, não querer que a pessoa pague, se ferre, se estrepe é tarefa pra santo, e santo nenhum está preparado pra habitar esta terra. Viver é foda, morrer dá medo e ser atacado no meio do caminho é tudo que eu rezo pra não me acontecer desde que fui de fato atacada a mão armada dentro de um ônibus de viagem (voltando de um enterro), dentro de um restaurante e, menos de vinte e quatro horas depois, dentro de um shopping. Éééééééé... o inferno é aqui. Hoje meus alunos apareceram ressabiados, com medo de um grupo de Tik-Tokers ameaçando promover ataques em escolas, pagando de avengers de Columbine - falácia + ócio + falta de empatia + bebida + droga + sexo barato e zero pista de onde vêm o pânico, a ansiedade, a depressão, o surto a cada nota baixa, cada plano frustrado, cada advertência, cada não. Conhecimento é controle; vitimização é conforto. O que me cabe é acompanhar de longe essa fila de patos sem mãe engrossando a homogeneidade ideológica, o maria-vai-com-as-outrismo, o coitadismo, a histeria coletiva. Se eu não trabalhasse, não tinha dinheiro pra estudar; pra comer; pra fumar meu cigarro, tomar minha cerveja, me embriagar de experiências que me afrontam, me confrontam e me impulsionam pra fora da bolha de mediocridade que quis, lá atrás, me abocanhar. O que as pessoas hoje fazem pelo determinismo, comunismo, egocentrismo, vitimismo, conformismo, até pelo (pseudo)altruísmo é nocivo demais - e demais é muito mais, é excesso, é sufocante... insuportável. Talvez por isso uma autora que narra tão casualmente o processo de transar sem proteção-descobrir uma coisa dentro do corpo-procurar meios para se livrar dessa coisa e ganha o Nobel de literatura seja a ilustração perfeita do que melhor representa o sucesso em nossos dias, porque profundidade dói e machuca na mesma proporção - profundidade é que nem bolsa de grife: custa caro e ninguém quer pagar, mas é fácil imitar, fácil blefar que tem. Talvez o melhor mesmo seja não acreditar em nada, seguir correndo com sapatos desamarrados pela chuva fina, cabelo grudando no rosto, roupa pesando o corpo, água salgando os olhos que pouco enxergam porque decidiram que, afinal, enxergar é só uma questão de perspectiva; que, no final, um pouco de positividade tóxica é a lente rosa que faltava pra fingir que o que a gente sente ou pensa na verdade pouco importa. Tenho achado difícil demais viver nesse mundo. Sinto como se eu estivesse encostando o joelho no asfalto a cada passo, num dia insuportavelmente quente, e tivesse que me erguer do chão com a força do meu corpo. A cada passo. Num dia insuportavelmente quente. De pelo menos trinta horas.

segunda-feira, 20 de março de 2023

Sonharte

 Sonhos são muito mais que devaneios. São goles de expectativa por uma vida no mínimo menos ordinária, cercada pelo amor de nossos pais, de nossos cães. Já cheguei a pensar que sonhos nada mais são do que uma projeção de nossa amargura. Hoje quero crer que eles nos fazem inclusive acessar nossa parte adormecida, aquela que quer uma vida de outra vida, outra natureza, outra interseção que não seja divina - ao menos para que Deus tenha certo apreço por nós. 

segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

Cama de anjo

 Bem-aventurada seja minha primeira postagem do ano :) 

E hoje quero falar sobre uma cama de solteiro que nunca foi usada, no spare room da casa de alguém que a adquiriu por mera questão de protocolo. Esses dias comprei uma barraca pra um inquilino 0800 que construiu um puxado de papelão sob a marquise do meu prédio. Quanto mais chovia, mais eu pensava se minha condição privilegiada, ao cruzar quase diariamente com aquele carimbo de miséria na porta da minha casa, não estava gritando na minha cara que eu deveria fazer alguma coisa. Gritou, acudi: comprei uma barraca e pedi ao meu zelador que entregasse a ele de forma anônima. Se ele trocou por pedra, papel e tesoura, se usou de coberta, se jogou fora por ocupar espaço, se entregou como parte de uma dívida... não importa. Mesmo. Ainda que tenham tentado me convencer de que ele de fato não usaria a barraca para se abrigar, entendi que fiz a minha parte. Assim foi com as sacolas de roupas que deixei perto de um casal que dormia sob outra marquise próxima, com as roupas do meu pai que doei para moradores de rua. Entendi que eles podiam fazer o que bem entendessem, porque algum dia essas coisas iriam chegar às mãos de quem realmente precisava delas. Imagino que agora você deva estar se perguntando: mas o que isso tem a ver com a cama de solteiro que nunca foi usada, no spare room da casa de alguém que a adquiriu por mera questão de protocolo? Tudo, meus queridos. Tudo. Vou dar um tempo pra vocês fazerem o link. Enquanto isso saboreio um Ben and Jerry's de doce de leite e chocolate maravilhoso que meu namorado pediu junto com o antiinflamatório pra me mimar durante uma das minhas constantes e intermináveis crises de coluna. Estamos quase lá - e o último relato também faz parte do pacote. 

A cama era do meu pai. Comprou um apartamento de 2 quartos e mobiliou o segundo com uma cama de solteiro e uma cômoda. Praticamente um quarto de verdade, com guarda-roupas e um tamanho interessante. O mais interessante, contudo, é imaginar o por quê desse quarto montado pra ninguém dormir. Fui à casa do meu pai uma vez, com minhas irmãs. Praticamente invadimos a casa, nos convidamos e fomos sem ligar pra resposta. Foi a primeira vez em que me lembro de ter contato com a intimidade do meu pai. Ali ele era um ser indefeso, inofensivo, vulnerável, com a fragilidade aos berros, ecoando pelo vão onde ficaria o fogão, reverberando em cada móvel barato, em cada prato sujo em cima da pia, na camisa amassada com que ele abriu a porta, na poeira com cheiro de tristeza, de sozinheza, solidão sem prazer e sem drama. Mais adiante, fui adentrar a intimidade dele quando adoeceu - e não voltou pra casa. Ainda mais invasivo foi pegar as suas chaves e ir até lá mexer nas suas coisas, na vida que eu desconhecia. Curiosidade com angústia, tristeza com mágoa, era isso que eu sentia? Olhei praquela cama com o colchão ainda no plástico, pra cômoda que bem podia ter sido um criado mudo. Nunca cumpriram o papel de abrigar uma filha, um irmão, um amigo... Nunca receberam visita. Sem cheiro e sem história, aquela cama me olhava e de tanto olhar, um ano depois, visitou-me em sonho pra me mostrar o link com as coisas doadas e os casos doídos que por tanto tempo saíram da minha boca. Pregamos o dever de sermos bons com o próximo, e ignoramos a máxima que nos impede de engrandecer o processo - desde que o próximo não seja tão próximo. Damos pão e circo, colo e ombro pras visitas, a toalha mais alva sobre a mesa, enquanto pros de casa é custoso estender a mão. Não engoli aquela cama vazia - reflexo do espaço que estava lá pra eu ocupar e ele não quis. Essa cama vazia, contudo, me convidou um ano depois a abrir a porta daquele quarto coberto de pó de esquecimento e me disse que não foi por querer, que ninguém fez por merecer e que a chuva vai molhar a terra e unir em amor nossas almas sós - se não há perdão dentro, não há solo fértil fora de nós. Quero crer que toda noite, um anjo chegava manso pra conversar, aliviar a sozinhez tristonha de mais um dia à toa... discutia o jornal, se demorava até depois da novela, e quando via meu pai pescando no sofá, chamava Hélio, vamos dormir - e meu pai dizia Tá certo, mas fica aí, já está tarde, amanhã você vai, e ele fazia que sim com a cabeça e olhava pra cama vazia... e descansava sua auréola sobre a cômoda e acomodava suas asas de luz invisível no plástico barulhento do colchão. Até o dia seguinte; até a casa perder a voz. 

sábado, 31 de dezembro de 2022

Porta da esperança

Esse ano foi duro. Difícil. Novo. Diferente. Desafiador. Recompensador. Doído. Nu, doído. Doido. Imprevisível. Introspectivo por vezes, coletivo meio inesperado. Esse ano me ferrei, me achei, sofri, chorei, pensei... chorei mais; chorei mais, não. Esse ano tive que escolher milhões de vezes, decidir com a convicção que nem sempre estava. Fui firme, fui filme de ficção, de terror, de heroína, de pescador, fui feto e fui fato, sim senhor. Esse ano foi martírio, redenção, aprendizado, reconexão com quem veio e quem quis ficar, onda de luz cósmica pra quem não foi e não esteve, pra quem quis partir, pra quem quis chegar. Esse ano foi fé raciocinada, Tim Maia Racional, sangue no olho, faca na caveira, chute no estômago e cara na porta. Cara na porta. Cara na porta até ela abrir e eu ver mamãe, irmãs, sobrinhos, amigos, alunos, lições, tarefas, meu pai tímido do outro lado da sala e meu coração num ratimbum descompassado, doido pra agradecer pela minha vida com um beijo e um abraço de obrigada, pai, porque hoje eu sinto o seu amor, porque hoje eu tenho amor por quem me ama e quem me critica, por quem me guarda e quem me prejudica. Esse ano foi amor e caridade, redenção e saudade. Foi o primeiro ano da minha vida em que o Natal foi o dia de celebrar Jesus e tudo que ele me ensinou sobre família, amigos, afetos, gratidão, gentileza, perdão, contribuição com o bem maior, responsabilidade, leveza, fluidez no caminhar, sempre e lentamente. Esse ano foi plantio em chão despreparado, e cada galo, cada roxo, cada tombo, de um jeito estranho e não calculado,  foi um presente.

quarta-feira, 30 de novembro de 2022

Big Bang

Quando pequena, passava horas a fio a observar as nuvens, deitada na grama ou indo e vindo no balanço. Fazia perguntas imaginárias apertando meus olhos quase pretos no breu do dilema e, ao abri-los, ia esperando o céu se organizar e desenhar a resposta. Talvez assim tenha desenvolvido na minha cabeça um certo tique por sinais, uma mistura de fé com insanidade (mais tarde vim a saber que Dostoiévski já tinha misturado Jesus com Dom Quixote lá no século XIX e fiquei feliz). Esse meu conversar com Deus em horas tolas, esse meu abrir o peito pra sorte trouxe reflexões solitárias, duras, e vivências viciadas num perder que foi ganhando forças, tirando das minhas entranhas toda a minha sede de ser, extraindo todo o meu poder de viver essa minha história tão bonita. Não deixe o outro te moldar, você pensa. Os tempos são outros, você pondera. Pra onde vão essas pessoas que não aprenderam a lidar com a tecnologia em pleno 2022? As que trabalharam 25 anos de um jeito, que desenrolaram suas vidas, fizeram planos, tiveram sonhos em preto e branco, numa câmera fotográfica em que precisaram saborear o making-off pra escolher o take perfeito, aquele que registra em uma imagem todo um tempo feliz? Pra onde vão as pessoas que têm medo do escuro de si mesmas, do escuro que é um completo desconhecido, do escuro de um coração e de uma cabeça cheios de vivências viciadas num perder que foi ganhando forças, tirando das entranhas toda a sede de ser, extraindo todo o poder de viver essa história tão bonita? Pro olho da rua da sociedade ou... em uma jornada fantástica rumo ao magma de seu próprio planeta. Sem mas, você se despe. Tira peça por peça na frente do espelho. Repara em tudo com olhos serenos, gentis. Ri pra uma ruga, passa as mãos pela barriga, pelos seios. Checa o formato dos pés, das mãos, das unhas, percorre sua própria pele devagar, tato trôpego e etéreo... se abraça. Observa o peso das pernas segurando o corpo e agradece - elas estão ali, fortes. Atravessa os dedos pelos cabelos, fecha os olhos de prazer. Sente de olhos fechados cada parte do seu rosto, em pé, em silêncio, em comunhão com o tempo e o espaço que criou para ser você. Abre os olhos e sorri - o escuro não aflige mais. O tempo comum não te machuca; o espaço não te exclui, nem te sufoca. Não interessa o que vai acontecer amanhã, se existe vida fora daqui ou como surgiu a Terra. Nesse fundo azul onde as nuvens falam mais alto, eclodimos pós-Big Bang como flores novas num jardim primaveril, alheias à fúria do mundo, aos traumas da guerra.

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

Momentum

 Momentos são angústias; fragmentos de astúcia, paz e caos... momentos são minúcias. Detalhes do que vemos nos guardam em segredo; segredos de outrora se guardam em degredo... fluímos cheios de intenções, a plenos pulmões - corações cheios de medo. Não é isso que Deus quer pra nós: uma mesa pra ceiarmos sós, uma vida sem calor de pai, uma cama sem uivos nem ais, um enlace cruel, atroz; Ele quer é casa com jardim, girassóis, canários, querubins, nãos bonitos pra chamar de sims... um sonho feliz, um amor feroz. Essa vida que me pertenceu, essa noite que me amanheceu vem me cumprimentar; te imagino sob a luz solar, me arrisco, mudo de lugar e ainda sou eu, sempre a duvidar do que vai ser... ansiosa por sentir o poder da fé, da promessa, do toque, do nosso axé, do dia que ainda não se vê. Somos filhos do ontem; pagamos, sofremos nós, filhos do homem, buscando no céu o que não é de lá, querendo colo sem que nos domem, sem que nos tomem de assalto com afeto e zelo... querendo sem pensar em dar. Os planos vêm pra agradecer; os anjos vêm pra obedecer à sua resignação e ao seu impulso - que o livre arbítrio seja o norte de quem crê, de quem tem pulso pra recomeçar, pra se refazer de um salto. A alma vai permanecer, o amor há de prevalecer e os momentos, minúcias de sonho, de sentimento, serão lágrimas brilhantes de enternecimento pelo nosso voo mais alto.