Num sábado nublado, deixei a casa ressabiada – outra vez a viajar sozinha, cansada, pro destino aquiescer. Ia atrás das verdades difíceis de engolir, difíceis de esquecer. Buscava aquela beleza longa, lenta, aquela que fica, que é toda sua, crua, e que pra tanta gente nada representa. Ressignificar histórias... deitar o corpo, fechar os olhos cheios de memória e pedir pra sonhar com sensatez. Em menos de um mês corria de um lado pro outro querendo a mesma coisa – afeto, família, lar... esperava o aconchego se aprochegar. Devagar, pequenices começaram a se formar com cor e cheiro de nuvens – quanto amor, quantas luzes se acenderam pra eu passar! Veio até mim um lindo menino e perguntou Por que você chora? Porque seu pai te ama tanto que já o amo agora – quis que o meu me amasse assim... não consigo ir embora. Segurou minha mão. Por que então te afastas? Fique aqui – só isso basta. Afaguei suas bochechas rosadas – Talvez você tenha razão, mas preciso saber onde dá essa estrada.
Esse blog é destinado a compartilhar viagens literárias, e está aberto a seres humanos e afins... Divirtam-se!
segunda-feira, 15 de agosto de 2022
Away with the fairies
IPÊ AMARELO
Como ela é linda...
sábado, 13 de agosto de 2022
Con-solo
Mas o que é esse tal de amor? Pra uns, amor é segurança; para outros, paz - e para a maioria (afirmo no maior atrevimento), amor é aquele torpor gostoso, aquela onda alta, perigosa, mas que você quer surfar até o final porque bate um sino lá dentro do peito e o barulhinho é bom. Ainda que haja perspectivas químicas, psicológicas e espirituais sobre o que é o amor, o que ele não pode (sou atrevida mesmo, chupa essa manga) é ser morno. O amor não pode ser morno porque morno dói, porque morno é sinal de desatenção, de descuido, de sem desejo, sem vontade... de desafeto de corpo, de cabeça e de coração. Começa com um, mas o outro se cansa de nadar sozinho, de tentar sozinho, de estar sozinho num baião de dois. E por algum motivo mais estranho que os mistérios de Stranger Things, eles seguem juntos, descoordenados, duas almas sozinhas que foram ensinadas a serem felizes sozinhas, que a solitude é o novo hype. É esse o motivo, não tem mistério algum: temos sido ensinados que precisamos estar bem com nosso próprio ser antes de trabalhar em dupla. Já te disseram isso na escola? Nada! Pelo contrário: na escola a gente aprende que precisa da expertise do outro, da força do outro, da disposição, energia, alegria do outro pra construir nosso barquinho, a maquete da feira de ciências, pra fazer o macarrão do dia dos países, pra montar uma linha de acusação sem qualquer conhecimento de direito que vai condenar Capitu pra surpresa do próprio Machado de Assis. Na escola aprendi a entender a importância do outro em um projeto de grande porte, em um plano que, com falas emboladas e ideias várias, torna-se um majestoso estandarte à frente de um bloco de forró que conta com músicos, dançarinos, artistas, produtores, cada um com seu papel. Quando a gente pensa em uma banda, um grupo de dança, um filme, quando a gente se lembra de projetos que tinham tudo pra dar certo e deram foi com os burros n'água porque a gente decidiu fazer sozinho ou o resto do pessoal deu pra trás, a gente entende a importância do outro nas nossas vidas. Nem meu pai, que lutou tanto pra se isolar do mundo, deu o último suspiro desacompanhado - e tenho pra mim que, pra ele, fez toda a diferença. Pois que quando a gente pensa em se relacionar, vem um psicólogo ou um coach de relacionamentos cuja única formação são coleções de desabafos que ele transformou com palavras bonitas e te diz que sua independência e tenacidade assustam os homens; que você é areia demais pro caminhão de muita gente; que você nasceu sozinha e vai morrer sozinha, então tem que aprender a ficar bem sozinha na vida (e que atingir esse nirvana vai causar inveja nas mulheres mal amadas e pânico nos coitados despreparados dos homens). Aiai... Aqui vou eu desfilar minhas convicções ariscas pela sua timeline - já que esse é um espaço meu, deixa eu debater sozinha sobre a sozinhez (vocês já devem ter visto que eu adoro inventar palavras - aprendi com meu brother Guiminha desde o grande sertão e não parei mais :)). Pra começar minha reflexão, acredito que se acontecer de a gente partir desse plano sem companhia física no momento do desencarne, temos muitos companheiros encarnados e desencarnados que nos estarão guiando e amparando em pensamento - eu estive lá com meu pai sem estar; sei que ele não se foi só. Nascer sozinho, então, sei que a gente não nasce - somos amparados por um grupo de pessoas especializadas em nos ajudar a vir ao mundo, e ainda que desgrudem nossa mãe da gente, ela nunca (mais) se desgruda de nós - cá estou do alto dos meus 42 anos e meio pra te trazer essa verdade. Pois se até pra você virar gente na barriga da sua mãe ela precisa do seu pai... A gente nasce, cresce e, ao longo da vida, temos os laços de sangue e os do coração, e vamos, cada um no seu tempo e do seu jeito, tecendo essa teia de relações por toda uma existência (e nem vamos aqui adentrar a perspectiva espiritual que traz conexões de muitas vidas). Tem aqueles que a gente acha que nasceu conhecendo, tem aqueles que temos certeza que fazem parte das nossas vidas sem nunca terem feito, tem os que a gente queria que ficassem mas que se vão, tem os que deixam a gente ir sem cerimônia, tem os que querem que a gente vá; tem os que querem e se esforçam pra que a gente fique. Pela minha experiência: foque nesses. Olhe pra quem olha pra você de um jeito diferente em primeiro lugar - queira quem te quer bem, quem se faz feliz na sua companhia. Já compartilhei com vocês há mais tempo reflexões doídas sobre o coração de quem já amou uma vez, no Rowing. É doído porque quanto mais bonito, mais profundo, mais sincrônico e mais mágico, mais difícil é seguir em paz quando já não há mais aquela pessoa que representa todo o amor que você nem sabia que buscava de tão bonito - e é impossível (repito: impossível) ter isso outra vez. É o que eu e meu grupo de achismos arrogantes achamos, tu que lute pra nos provar o contrário ;) Quando a gente vive uma coisa inteira, sincera, mútua, quando a gente se entrega sem medo e partilha a intimidade de um jeito natural e se sente acolhida, protegida, desejada, mimada, linda na nossa singularidade, compreendida na nossa loucura, é como se o tempo abrisse uma fenda, um portal atrás da cachoeira, e tudo parasse pra gente amolecer o corpo, baixar a guarda e viver a lindura daquela coisa. E aí, depois de alguns anos e alguns encontros com pessoas especiais mas incompatíveis, você começa a pedalar de novo, e contabilizar suas horas de prazer e lazer consigo mesma, porque é assim que você vai se sentir plena. Você não é mais aquela pessoa ingênua que vive de ar e de amor - o amor não é suficiente, você constata. Elenca o que precisa em um relacionamento. Faz cursos de autoconhecimento pra não cair na balela do tal frio na barriga que não enche barriga de ninguém. Agora você se conhece; se cuida; se basta. Sozinha tá ótimo, poderia viver assim minha vida inteira (?). Tá bom, se cuidar e se amar são as bases do nosso bem-estar, de uma passagem mais confortável por essa vida, mas se bastar... Tenho certeza que eu me basto, mas me bastar não é suficiente pra mim, com toda a suficiência e filosofia que essa frase requer. Quero colo, quero fugir de casa, quero dormir aqui com você, quero alguém pra me abraçar quando eu estiver com medo, quando tiver um pesadelo, quero não precisar voltar depois das três. Quero companheiro de viagem, interlocutor, contador de piadas, ouvinte de desabafos, modalizador de críticas, dissipador de discórdias, desconversador de conversas que não alegram ninguém. Quero vetor de otimismo, incentivador sincero - quero sincero -- quero sincero. E quero o tcham que separa o amigo que é tudo isso e muito mais do amante que te desnuda com olhos sedentos de desejo, curiosidade, compreensão, afeto - amor. Sem isso, seu par é só mais um grande motivador da sua solitude, alguém que, com(o) você, torce pra acreditar que é possível ser feliz sem sentir, porque sentir está fora de moda, superestimado, clichê danado pra quem instagrama solitude e sofre de solidão.
quarta-feira, 10 de agosto de 2022
Cruzadas
... fazia conjecturas das mais profundas sentado àquela mesa. Acompanhava-me uma garrafa de cerveja que, para minha tristeza, não esboçava qualquer sinal de condescendência ou reprovação. Era uma terça-feira morna e eu olhava em volta - mesas ocupadas por dois casais e uma pá de figuras solitárias (se bem que poderiam estar realmente somente sozinhas, mas sei que o drama em doses homeopáticas me cai bem). Mirei-me com os olhos de fora: camisa denunciando os agastares do dia, mãos levemente ressequidas, unhas pra cortar, calças pra lavar, cinto comprimindo a barriga num misto de culpa e redenção. Eu bebo sim... e daí? Apeguei-me a essa ideia do e daí que pode querer dizer e depois. A pergunta não é por que e sim para quê, meu jovem - overheard; overruled. O depois pede o antes e o antes até àquela hora já havia sido ruminado - digerido e reciclado - sem - pasmem - grandes (r)evoluções. Servi mais um copo e observei mais cautelosamente aquela cena. Pensava em criar histórias pra cada uma daquelas pessoas, mas rapidamente me dei conta que nenhuma delas queria voltar pra casa, que aquele era um momento simples de sossego, de pausa, de adiamento de conversas importantes com o espelho. Não entendia por que não podia simplesmente tomar minha cerveja, mangiar a ceia e esvaziar a cabeça. Beber já não era um jeito de escapar de mim. Xeque-mate. Eu me rendo - dessa bebida não provo mais. Com as ideias confusas e a vista turva de banzo e de noite, vi se aproximar uma menina; não, uma moça; não, espere, uma (jovem?) mulher. Uma jovem. Uma mulher. Uma mulher jovem, com roupas de quem mora perto, jeito compassivo, olhar frágil, distraído. Desconectado. Trazia consigo um cachorro, que buscava em cada passo a novidade, que nem mandava nem desmandava - estava ali, companheiro meio despreparado pra missão de cuidar dela, leal por afeto, por gratidão, porque a vida assim o fez. Trazia aquela energia caótica de quem quer sair, quer ficar, quer morar naquele abraço e abraçar outros cantos do mundo de uma vez. Volta e meia era freado pela própria coleira, que a jovem mulher (não consigo pensar em outra forma de chamá-la), a essa altura, havia sem alarde prendido ao pé da cadeira. Fiquei me perguntando o porquê de uma pessoa levar um cachorro a um bar e prendê-lo ao pé da coisa toda. Carência? Culpa? Medo do desconhecido? Enquanto eu me ocupava em julgá-la, ela colocou um livro grosso na mesa, abriu o livro na parte marcada e tirou dele uma caneta. Já havia ali uma cerveja e um copo pela metade, que ela tomava com tranquilidade enquanto olhava com atenção a página aberta. Ficou com a caneta na boca por um momento e começou a escrever no livro. Eram palavras cruzadas. Por vezes ela passava minutos inteiros olhando pra um ponto fixo; de repente, seu rosto se iluminava e ela saía escrivinhando pra qualquer lado. Tomou toda a cerveja, pediu um peixe, que dividiu com o cachorro, pediu outra cerveja com a delicadeza de quem pede uma taça de vinho em um lugar sofisticado e prosseguiu cruzando a caneta por terras inexploradas. Houve uma parada maior que o habitual. Ela forçava a vista, olhava pra cima... Respirou fundo, pesadamente. Foi até o final do livro, copiou alguma coisa e pude notar a frustração ética no retesar do seu corpo enquanto escrevia aquelas novas palavras, vocabulário que ela ainda não dominara, e, queria crer, por esse motivo não existia. Depois da ginástica mental, ela teve que olhar a resposta - fim da linha, bebê. O perfeccionismo vai te engolir viva, moça, tive vontade de dizer. Mais um gole, um suspiro, uma nova cruzadinha em branco. Resiliência. Resignação. Passatempo. Passa, tempo, que nessa atividade quase autista de adivinhar palavras ela vai marinando suas dores e seus dilemas em água morna. A cerveja acabou logo depois do peixe. Ela organizou os leftovers meticulosamente e, como em um ballet coordenado, pediu a conta, serviu-se do último copo e deu o último gole logo após o pagamento. Fechou o livro, tomou a coleira e foi por onde tinha vindo, sem bolsa, sem telefone, sem maquiagem, sem relógio, sem pânico, sem pressa. Tomou uma fatia de tempo como se ninguém ou nada mais existisse, como se a vida fosse uma peça que parei pra assistir quando ela parou docemente de insistir que mais alguém caberia naquela equação.
quarta-feira, 26 de maio de 2021
Ainda que seja de noite
Sobre água e terra e caminhar
Sobre o medo de a onda certa vir
E eu não saber nadar...
Esse hoje é sobre um ontem que se desfez
Pra que o amanhã possa ter razão
É sobre escritos pelo talvez
Do seu sim e do seu não.
Agora é sobre não saber
É sobre foco, sobre perdão
E quando o dia adormecer
Horas de paz e escuridão.
Sobre a febre que mora em nós
Sobre brincar de ser comum
Sobre esperar sob lençóis
Por um mais um.
Sobre a graça de ser seu
Sobre protagonismo e destino
Sobre o que aconteceu
Com torpor e desatino
Sobre ter e não querer...
Sobre querer, querer tanto!...
E não pagar pra ver,
Não tocar o sino.
Quisera eu não sofrer,
Cercar-me do mais bonito
Buscar-me no alvorecer
Em meu pequeno infinito...
Se tudo há razão de ser
Não tenho amanhã nem ontem
Prefiro me amanhecer
Sem que me desapontem.
Sobre manhãs e tardes
Sobre o que vem e vai
Sobre as novidades -
Sono que se esvai;
Sobre beijos
Abraços
Pernas
Braços
Olhos fechados
Medos baratos...
Sobre a noite
que
dentro de mim
cai.
sábado, 16 de janeiro de 2021
Matas
Querido Matas,
Hoje acordei com vontade de te escrever essa carta e te contar tudo o que se passou nesses últimos 24 anos. Pode parecer muito tempo, mas quando fecho os olhos me vêm à mente com facilidade sua juba de leão manso, sua barbicha ruiva, a corrente pendurada na calça pra dentro do botinão preto e aquela risada inconfundível. Éramos uma dupla inseparável de fazer inveja ao Batman-Robin duo. Lembro dos nossos papos a la Beavis and Butt-head, da gente conversando com o Taroba no McDonalds (agora ele é o Matéria Prima, Matas, não sei se vc sabe - um músico mega talentoso que eu tive o prazer de conhecer melhor) ou esperando na porta do Dunkin' Donuts no primeiro dia de funcionamento (e eu, aquela lombriga ambulante, já desesperada pra dar a largada só porque vc passou dias me falando do sonho que era o donut de creme amarelo). Lembro da gente laricando sanduíches e batatas e cocas de uma vez. Lembra do bar do João? Hoje o João é casado e tem cabelo branco - o resto é exatamente a mesma coisa. Lembra do Dom Manuel? A gente tomava umas pingas com as moedas que sobravam do almoço - um dia vc disse que suspeitava que eles colocavam álcool de cozinha pra gente beber de tão punk que era, hahahaha - só pros fortes! Lembro do seu super apartamento delicioso na rua Alumínio, onde a gente aprontou tanta coisa legal - da chapação com gelatina de cachaça ao macarrão que vc fez pra gente levar pra feira dos países na escola, lembra disso? Lembro da gente no show de talentos - eu de Pantera Cor-de-Rosa da cabeça aos pés cantando Kid Abelha e Marisa Monte enquanto vc arregaçava com Creep - ficou todo mundo meio atônito com a sua performance, e depois eu entendi que aquele pessoal não tava muito preparado praquilo, não - nem pra nós... Achava que a gente não se encaixava, mas na verdade eles é que não se encaixavam na nossa vida, né? Too bad que eles eram maioria - talvez por isso eu tenha demorado mais a entender que a gente foi bem fiel aos nossos miolos desmiolados e por isso fomos felizes ao nosso jeito. Lembra da formatura? Mesmo sem eu ter de fato me formado no colégio, entrei no meu vestido dourado e vc e Márcia me fizeram brilhar naquela festa que também era minha só porque minha mãe pagou o ano inteiro. Lembro da gente naquela mesa enorme do Catarina lá pelas tantas, você fumando charuto e a gente falando merda e rindo de qualquer besteira, porque era sempre assim, sempre divertido demais. Eu, você, Márcia e Rafa: o quarteto fantástico que me tirou do transe de que eu tinha que ser igual aos outros, quando na verdade éramos tão certos entre nós, tão autênticos e livres. Foi triste pra mim ver meu melhor amigo se afastar. Primeiro teve o lance da minha mãe, que achava que vc era uma má influência - você preferiu me deixar "em paz". Não me atendia mais, não procurava. Anos depois te encontrei com minha roupinha de bailarina descendo a Vitório Marçola e você me convidou pra comer uma pizza com você e sua família no Pizza Sur. Fiquei tão extasiada quando te vi que acabei aceitando, mas vc tava diferente, usando umas roupinhas descoladas, de cabelo curto, com uma namorada novinha, moderninha... de repente eu não cabia na sua vida. Trocamos telefone mas não nos ligamos. Não nos ligamos. Virei amiga do Otto e vivi um lab antropológico com ele e seus amigos pseudo-beatniks - tavam mais pra beatfreaks, então corri léguas (mas aprendi bastante). Por algum motivo ainda desconhecido, fui convidada um belo dia pra festa de 10 anos de formados de nossa linda escola. Ai, Matas, você tinha que ter ido... A turma da Cissa estava lá em peso. Parecia até que eles é que eram os formandos de 97 e só. A parte boa dessa presepada foi ter conseguido falar pro Tom Zé que a física acabou não fazendo diferença alguma na minha vida porque eu fiz Letras. Com ele aprendi a mandar a pessoa se foder de um jeito meigo! Queria muito falar pra ele que hoje sou professora da UFMG, que amo o que eu faço e amo meus alunos, e diferente dele, me empenho pra fazer cada um deles acreditar que pode ser e aprender o que quiser. Essas pessoas ficaram pra trás, Matas, assim como tantas outras ao longo do caminho... Muita gente teve sua contribuição nesse livro chamado Eu tentando ser feliz nesse mundo cruel, de uma maneira ou de outra. Hoje acordei querendo te contar que me deu saudade do meu amigo Matas, Matatas, Matias Carneiro Proietti, jovenzinho incomum, meu teen-brother-friend com quem dividi altas risadas sinceras, chapações, histórias várias... momentos reais. Brigada, Matas. Espero que você esteja bem, feliz, fazendo o que gosta, rodeado de boas companhias, vinho do bom e ótimas histórias. Um beijo saudoso da sua amiga, Geminha
segunda-feira, 21 de dezembro de 2020
Expectativa
Viver é difícil, sabemos bem. Difícil mesmo, contudo, é não esperar em nada nem ninguém. Criam-se sonhos mudos, segredos parrudos na imaginação; a boca sorri um tudo bem enquanto os olhos falam só que não. Assim é quando a gente aperta dentro do peito o desejo de gostar, quando a gente engole seco a vontade de falar que quer, que vai, que se vê ali depois de amanhã... Chamam de responsabilidade afetiva não permitir que o outro espere em você - mas e se for exatamente isso o que você quer? Planos loucos, projetos descabidos que cabem certinho no seu coração - vontades de corpo, de alma, de amizade sincera, de afeto que espera pra virar lealdade, respeito, liberdade, deveres e direitos, via de mão dupla, perdões e desculpas, doce emoção :) Quem espera sabe que plantou flores de sonho pra colher verdade... e que um belo dia, em pé no alpendre, vai ver lá longe a cor da felicidade. Viver sem esperar é impossível - quem diz estar vivendo sem expectativas está cobrindo seu castelo de cimento com areia invisível.