Another year. Another mess. Other discoveries, misfortunes, attempts to stand tall just a while longer, plans to grow stronger and fearless, a bit more careless, a lot more hopeful, maybe less dissatisfied, less stubborn. I was raised to be scared, to follow a path other people had long ago carved across their bitter pasts. I inherited a handful of loneliness and filled a spoonful of hearts just as lonely. Sometimes I thought I'd pulled through; other times I just reached out for whatever I shall never find. Quite unfair to be pushed through the magic of existence with no clue on what lies ahead. I am not as afraid as I used to be. I am not afraid of having a baby, of losing it, of not being able to have one at all, of getting myself a dog, of struggling to have my own piece of land, of saying I love you, of living in someone else's heart, of sleeping while everyone else is dancing. I am no longer afraid of losing, of ageing, of missing a thing, of spending more time here than there, of facing prejudice in people's eyes, of making my own choices, of basing my choices on the stupidest reasons, of failing as a relative, as a partner, as a friend, as a professional, as a parent. I am afraid of failing as a human being, of not being ready to give in to love, of not believing, of being ungrateful, of not giving the other cheek. I am afraid of not forgiving, not forgetting, not understanding why my life is different now, why my heart is still aching, why the songs I like singing have changed and yet remain the same. I am afraid of not finding in love the tranquility I have sought all my life. I am afraid of not getting presents or love messages, of not being surprised, of not being cherished, nurtured, embraced in body and soul. I am afraid of not being part of someone else's plans much more than I would ever be scared of flying, of dying, of being short of money, of simply not caring. I am afraid of waiting for my life to be a love poem and ending up wondering what the hell went wrong. This uncertainty bothers me from time to time and yet I insist on living; on trying; on starting from scratch; on making the same fucking mistakes and laughing at them afterwards. Boy, I'll tell you: I am often afraid of choosing the wrong answer, just like I did as a high school student, and it all points to something larger than you and me: I guess I am really afraid of not having enough faith in the laws of action and reaction. As long as I react, however, I know I shall bear the same thoughts, blame others and skip from my responsibilities. Will I ever...?
Esse blog é destinado a compartilhar viagens literárias, e está aberto a seres humanos e afins... Divirtam-se!
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
segunda-feira, 16 de novembro de 2015
Bella
Querida Érika,
Hoje li uma mensagem sugerindo que eu escrevesse uma carta a você. Talvez eu já tenha feito isso algumas vezes, em primeira ou terceira pessoa, mas acho que não em forma de carta. Enfim... Quis te escrever porque por vezes percebo a sua confusão sempre que tenta entender o que foi que te trouxe, o que te leva e por que ser você, desse jeitinho mesmo. Você nasceu formiga em corpo de cigarra, cigarra com alma de formiga, capricorniana da gema. Trabalhar sempre foi uma prioridade, mas por dentro explodia aquela vontade de subir no palco, tomar posse do microfone e cantar pra uma ou outras pessoas, cantar de olhos fechados, cantar e fazer mil gestos do tamanho da sua alegria. Gostava de se ouvir soprosa, arranhada, sôfrega, visceral, antiprimorosa, contravirtuosa, na contramão da cigarrice integral. Pois que do lado esquerdo do peito bateu, bate e baterá seu coração de professora, de leoa, de existência mais macia do que dura, de gente que nem pensa em desagradar nem em parar de escrever, que ainda deseja uma coleção de abstrações piegas de tão importantes. Esse barco foi se moldando conforme as tempestades - a cigarra deu lugar à formiga assim que a escola acabou por pura necessidade. A formiga foi tomando forma mas as notas saíam sem querer. De repente não era formiga nem cigarra - era dona de casa que não era sua, incompreendida, bicho doido que não cabe em coleira. O tempo passou e você serenou nessa vida de formiga que bota o coração pra bater forte de medo, êxtase, audácia e orgulho. Hora pra acordar, dormir, dinheiro contado, uma casa bonita que a cigarra visita batendo os chinelos velhos no chão com um ritmo quase ensaiado, nostalgia de quem queria ter mais fé e esperar pela sua hora de ver estrela. E de repente estão as duas ali, olhando uma pra outra com um quê de angústia; nessa hora sinto seu coração doer e fico querendo que você entenda uma coisa só: você canta e trabalha, você sorri e pensa, você se quer bem e tem a classe que bloqueia a vileza, a baixeza e a injustiça. Você sente correr nas veias aquela mistura quente, humana e se arrepia toda, sem entender que é ela quem revela tudo o que há aí dentro de mais genuíno, raro, precioso.
Que o bem sempre te habite, que os céus te guardem, que a coragem e a sorte te guiem.
Eu acredito em você.
Paz...
Érika
terça-feira, 27 de outubro de 2015
Tênue
"Why am I compelled to write? Because the writing saves me from this complacency I fear. Because I have no choice. Because I must keep the spirit of my revolt and myself alive. Because the world I create in the writing compensates for what the real world does not give me. By writing, I put order in the world, give it a handle so I can grasp it." (Gloria E. Anzaldúa)
domingo, 25 de outubro de 2015
Peso de ouro
A gente precisa se dar o devido respeito. Precisa entender que algumas coisas não podem nos acontecer porque a gente não pode deixar. Quem nos diz o quanto valemos somos nós, cada vez que sorrimos ou fazemos alguém sorrir, cada vez que ajudamos ao mesmo tempo em que somos ajudados, acolhidos, acarinhados por palavras amigas, abraços apertados e energias positivas. Quem se respeita não deve ter medo de nada. Deve esperar por um assovio do céu pra mostrar a que veio, alada ao amor que recebe.
All I need
Hoje me peguei pensando nessa música: Tudo que vier eu quero e o que não vier eu vou buscar/Nada que me segue eu sigo, sei que eu não nasci pra recuar/pra alcançar o fim passando o meio tem que começar. Desde que aprendi a pedir as coisas a Deus, passei a pedir pra viver ao invés de sobreviver. Pra ter conforto material, paz no coração e amor na cabeça e na vida, pra compreender tudo o que me atravessa sem julgamento, pra entender que todo mundo só faz o que dá conta porque é assim que a banda toca. Essa mesma música tem um verso assim: Se a cabeça é dura esqueça/é difícil de cuidar. É verdade. Preciso começar a insistir em cuidar de mim. No final é o que importa.
terça-feira, 6 de outubro de 2015
Mas afinal...?
Mas afinal, o que é que sobrou do amor? Direitos, deveres e identidades intactas? Plano de saúde com dependente, cota do clube e contas conjuntas? Não. Já fui chamada de passarinha arisca, de cavalo bravo, de bicho que não aceita cabresto. Pode até ser - sou leal aos meus princípios, não me exija mais! Mas... não queria falar nada disso. Queria só dizer que o amor entre duas pessoas é trabalho em equipe: você e o outro contra os males do mundo (e de quebra vivendo uns momentinhos felizes daqui e dali...). O que sobrou do amor é cada um no seu canto juntando os cacos pra não ferir quem por ali passar; é uma tentativa de construir outro castelo, e esperar devagar por um sinal para que ele possa ser lentamente povoado, sem certeza de nada; é a vontade de rir e confiar e entregar sua porção de maior valor; é o medo de a vida passar e você não entender que tudo fez sentido, que seremos felizes do melhor jeito, que o que sobrou é esse dia de sol cheio de afazeres e lembranças.
Night gown
É, e eu não me canso, não é mesmo? Talvez por estar tão cansada de tanta coisa ao mesmo tempo. Quanta intensidade, meu Deus! A gente sabe que o cansaço é passageiro, que a própria vida passa rápido e às vezes bate uma vontade de rir e brincar e acreditar que nosso universo particular nos quer bem e em paz... Lembro-me de quando contava estrelas debaixo do céu que era teto da rodoviária velha, deitada sobre os paralelepípedos, olhos brilhantes de cachaça, desfrutando essa embriaguez democrática que me corava as bochechas, amolecia as pernas. Contava estrelas sem pular as pequenas, sem pesar as grandes, sem pensar por um segundo sequer no capítulo que me esperava ao sair daquele transe. Contava era grãos de sorte pelo jardim da noite, lívida ao vê-los se desgarrarem do mural celeste para pousarem ressabiados sobre a minha face, braços e pernas e olhos e peitos fartos de coragem... Em meus pés desenhavam asas, contavam histórias para as palmas das minhas mãos. O que se seguia a esses instantes não mora mais aqui dentro. A sina de ser envolvida pelo perfume das damas da noite que abraçavam a praça, no entanto, volta e meia me sussurra ao pé do ouvido que "valeu a pena" deve ser sempre combustível para os nossos sonhos.
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