quinta-feira, 15 de maio de 2014

Barulhinho

... e de repente era como se você nunca tivesse existido, como se nunca tivesse saído da minha vida sem deixar rastro, talvez por nunca ter de fato adentrado esse meu universo para você fugaz, para mim ilustre desconhecido. optamos por não fazer alarde e essa opção desaguou em um mar de palavra nenhuma, que nenhuma palavra carecia sair da sua boca, já que na minha ruminava um bolo de figurinhas repetidas. medo, carência, sozinha, dor, culpa, amigo, espera, ombro, difícil... aiai... cansaço. e de repente você se levantou, pôs a viola nas costas e sumiu porta afora, disposto a encontrar um mundo onde as mulheres não são temperamentais e os homens querem mais é ir vivendo. fácil sem ser simples... claro no escuro...? e eu achando que... ah! preciso viver a dor ou o amor pra escrever bonito. falta de assunto me remete a histórias banais. mas será que... olho para trás e não vejo sequer a porta aberta, porque não há porta, porque não há... porque não... nada, não; só um barulhinho bom no calor da noite.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Everything

  "I can be an asshole of the grandest kind
I can withhold like it's going out of style
I can be the moodiest baby and you've never met anyone
Who is as negative as I am sometimes

I am the wisest woman you've ever met.
I am the kindest soul with whom you've connected.
I have the bravest heart that you've ever seen
And you've never met anyone
Who's as positive as I am sometimes.

You see everything, you see every part
You see all my light and you love my dark
You dig everything of which I'm ashamed
There's not anything to which you can't relate
And you're still here

I blame everyone else, not my own partaking
My passive-aggressiveness can be devastating
I'm terrified and mistrusting
And you've never met anyone as,
As closed down as I am sometimes.

You see everything, you see every part
You see all my light and you love my dark
You dig everything of which I'm ashamed
There's not anything to which you can't relate
And you're still here

What I resist, persists, and speaks louder than I know
What I resist, you love, no matter how low or high I go

I'm the funniest woman that you've ever known
I'm the dullest woman that you've ever known
I'm the most gorgeous woman that you've ever known
And you've never met anyone
Who is as everything as I am sometimes

You see everything (you see everything), you see every part (you see every part )
You see all my light (you see all my light) and you love my dark (and you love my dark )
You dig everything (you dig everything) of which I'm ashamed (of which I'm ashamed)
There's not anything (there's not anything) to which you can't relate (to which you can't relate)
And you're still here

(You see everything, you see every part)
And you're still here
(You see all my light and you love my dark)
And you're still here
(You dig everything of which I'm ashamed)
(There's not anything to which you can't relate)
And you're still here.."

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Conta-gotas

Pingam expectativas por minhas têmporas assimétricas, como a lembrarem-me que esperar do outro gera desalento, desafeto, desdém, desunião, desânimo, descrença, desespero. Há muito tenho razões para me apoiar em tal pensamento, mas ainda assim espero como o verbo transitivo espera por seu objeto. Num breve instante de alegrias, deixei minhas vergonhas e meus medos para uma outra vez - convidei-lhe a perdê-los comigo. Sua vida, no entanto, é diversa; em meio às suas conjecturas e dúvidas seus olhos me disseram que não, que há um escudo ao redor do seu peito, a proteger-lhe o coração machucado que carrega consigo. Quantas marcas o tempo fez em nós em tão pouco tempo... perco-me no meio da frase para reler os gestos soltos do seu corpo, de tanto faz como tanto fez, de eu não tenho a resposta. Nesse momento, prefiro precisar de mim, sem nostalgia ou aposta, com a incerteza de quem acha que se encontra pela primeira vez.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Presente

E eu que ando distraída, pensando no que me apraz e no que me convém... cruzando verdes campos em sonhos, fechando os olhos sob o sol, corpo ao relento... vestindo fantasias que me vestem também, que me enxergam tão bem, sopros de vida a dois, grãos de depois, rima sozinha... Espero pela chuva que disse que vinha, quero que a solidão que me aninha nos desconforte - porque um dia eu cultivei um dom e confiei na sorte, numa linha torta ou fio solto que me oriente. Aqui dentro... sempre presente; sempre presente.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Somewhere only we know

"Oh simple thing
where have you gone?
I'm getting old and
I need something to
rely on
So tell me when
you're gonna let me in
I'm getting tired and I need
somewhere to begin..."

sexta-feira, 7 de março de 2014

No one else

Oi.
Oi.
Desculpa, eu...
Nada. Deixa pra lá.
Entra.
Tá.
Senta.
Brigada.
Cerveja?
Parei.
Sério?
É.
Água?
Tô tranquila.
Nossa, você tá...
Linda?
É...
Valeu. Você também.
Sua pele...
Hum...
Tão macia...
Sua barba...
Sempre...
Tanto tempo...
Tanto tempo que eu não te esqueço...
É.
Eu te amo, sabe?
Assim?
Loucura, eu sei.
Né?
Mas não te esqueço.
Nem eu.
A gente tem que tentar.
Agora?
Agora. Por nós.
Pela curiosidade.
Não é por isso!
Tá com medo?
De quê?
De admitir, uai.
Que eu te amo?
Não, não, não.
Que a gente precisa fazer isso?
Por quê?
Porque esse ciclo tem que se fechar!
Hum... amor ou curiosidade?
Carma!
Nossa...
Penso além dos sentires comuns.
Então eu sou comum?
Você é a pessoa que vai mudar a minha vida, porra!
Agora ou depois do sexo?
...
Por que eu estou aqui?
Foi a primeira que atendeu. E você?
O primeiro que ligou.
Não tem que ser assim.
É mais fácil pra mim.
Larga essas pedras no sofá e vem comigo.
Você me faz rir.
Você me faz pensar.
Em quê?
Em te ver sorrindo, em te achar na multidão.
Não tem que ser assim.
É. Não. Vem cá.
Também sinto.
Eu sei. Desculpa.
Por...
Pirar a sua vida.
Brigada.
Por...
Pelo mesmo motivo.





terça-feira, 4 de março de 2014

Cumplicidade

No dia primeiro de março de 2014, em meio à folia do carnaval, ocorreu-me uma questão importante: exatamente na mesma época do ano anterior, participava de um congresso latino-americano de linguística aplicada na Universidade de Brasília. Na ocasião, o senador Cristovam Buarque, convidado a abrir o evento, foi representado por seu assessor, que aproveitou a oportunidade para relatar algumas das propostas do senador para a educação brasileira. O assessor inclinou levemente a cabeça para iniciar a leitura das propostas. A primeira: passar o piso salarial do professor da rede básica de ensino para nove mil reais. A sala estava lotada: todos os presentes - inclusive eu - puseram-se a rir convulsivamente. Levou algum tempo para o público se recompor; qual não foi a surpresa geral ao constatarem, um a um, que o assessor levantara o olhar para a plateia e não esboçava qualquer sorriso. Acho que o que senti não foi exatamente constrangimento, mas pena - pena de quem se dispõe a lutar por algo em que a própria classe não acredita; pena da classe, que não tem qualquer incentivo para acreditar em melhoria alguma. Lembrei-me de quando era professora de inglês em um cursinho na zona sul e ouvia dos alunos de escolas particulares, durante as greves, que jamais ficariam sem aulas porque seus professores eram muito bem pagos - esse era o discurso dos próprios professores. Em outras palavras: foda-se os que não são. Que se engalfinhem por alguma migalha bem longe da minha rota. Pensei em nossa insatisfação com um bocado de coisas proporcionalmente à falta de informação da maioria - natural seria que minha palavra de ordem para o ano que começa fosse fundamentação. No dia primeiro de março, contudo, diante daquela irmandade de completos estranhos em prol da folia, pensei na importância da cumplicidade para trazer ao menos riqueza às relações. Alegria. Senso de pertencimento. Verdade. Desejo de estar junto. De mudar junto. De começar do zero se assim for. Quero que essa cumplicidade se estenda ao longo da minha existência, e que eu esteja sempre pronta para acolhê-la em toda a sua importância.