Bordão da família há tantos anos, qual não foi a minha surpresa ao descobrir que essa frase saiu da minha boca, do alto de meus três anos de idade. Contou minha tia que, durante um papo cabeça com minhas primas um pouco mais velhas, elas puseram-se a falar de suas habilidades, na tentativa de contar vantagem. Ouvi tudo que elas tinham a dizer em silêncio e ao final, com a mão na cintura, falei com firmeza: o importante é saber boiar - e eu sei. Tá aí um lema pra levar pela vida afora - quando tudo estiver dando errado e você achar que não há saída, lembre-se: o importante é saber boiar - espero que você saiba.
Esse blog é destinado a compartilhar viagens literárias, e está aberto a seres humanos e afins... Divirtam-se!
terça-feira, 23 de julho de 2013
sexta-feira, 19 de julho de 2013
Bambolê
Jurei que não iria mentir
que não iria falar
e você achou
que eu ficaria aqui
a rodar o mundo
sem sair do lugar.
Longe que era perto
rosa do deserto
tempo me queimou
voo de peito aberto
e um calor incerto
pelo que restou...
.
.
.
Lágrimas de teimosia
coisas que você dizia
e talvez sempre dirá;
brisa, caos e poesia
desapego que angustia
antes de você passar.
que não iria falar
e você achou
que eu ficaria aqui
a rodar o mundo
sem sair do lugar.
Longe que era perto
rosa do deserto
tempo me queimou
voo de peito aberto
e um calor incerto
pelo que restou...
.
.
.
Lágrimas de teimosia
coisas que você dizia
e talvez sempre dirá;
brisa, caos e poesia
desapego que angustia
antes de você passar.
terça-feira, 16 de julho de 2013
Butterflies
Quando penso nas melhores coisas que já me aconteceram, fica difícil precisar exatamente quando tudo começou. De repente eu estava lá: viajando, dançando, estudando, me apaixonando, descansando a cabeça, produzindo... sonhando com o que ainda não tinha acontecido, confabulando com meus botões o que será que poderia acontecer se ou quando eu estivesse lá naquele lugar onde eu secretamente me colocava. Até concordo que o tempo organiza, mas deixar que ele passe sem pensar em outra coisa... é tão libertador quanto pegar chuva após uma escova - não há nada que você possa fazer além de sorrir e pensar que certamente haverá outro momento para ser mais bonita e produtiva. A passos lentos, você caminha pelo dia mais ensolarado do inverno e pensa: a vida é mesmo cheia de agradáveis surpresas...
sábado, 13 de julho de 2013
Magali
Ninguém disse à Magali que ela teria celulite e precisaria saber lidar com isso. Ninguém falou pra ela que doce demais dá diabetes, que gordura aumenta o colesterol, que a era do metabolismo acelerado tinha dia e hora para terminar. Ninguém a informou que a Mônica poderia deixar de ser sua melhor amiga por mera questão de afinidades, ou que o apreço pelo dinheiro e o apoio às minorias colocariam o Cascão e o Cebolinha em grupos de pensamento distintos, e que todos eles acabariam se rendendo à auto-promoção via facebook. Certamente ela não foi avisada que sua casa na rua do Limoeiro seria trocada por um apertamento em um prédio de luxo com varanda gourmet e área de lazer construído no lugar, e que um dia seu pai teria dificuldades financeiras e ela teria que trabalhar para pagar por suas guloseimas. Ninguém contou à Magali que ela não seria magra para sempre, feliz para sempre ou que ela se casaria e continuaria a procurar pelo amor, e acordaria every other day cheia de dúvidas a martelarem-lhe os miolos durante o chá da manhã. Ninguém contou à nossa amiga que crescer seria difícil - ou talvez ela já soubesse disso há muito tempo, e por esse motivo tenha optado por passar a vida dentro de uma revistinha, a brincar com seu vestido amarelo, seu gato, seus amigos, o Quinzinho e suas doces melancias.
segunda-feira, 8 de julho de 2013
White dove
Aproveito-me da energia que vem com o poder de cada palavra e calo-me com consciência. Em certas ocasiões sou obrigada a ater-me em reverência ao que idealmente não me agradaria, movida pela fé que coloca todos os seres em seus devidos lugares, pré-purgação, pós-penitência. Por vezes uma única atitude condenável de um terceiro adoece meu casulo terreno, enegrece minhas energias vitais, turva minhas vistas com ira, fadiga e a mais pura e sincera desesperança. Sinto-me fraca demais para continuar a caminhada com a resignação que minha fé demanda, e ainda assim não deixam de chegar-me aos ouvidos conselhos e mensagens de força - respostas vindas de terras distantes, de noites frias e tardes brandas.
Um dia desses, numa dessas conversas de fim de tarde, surgiu a danada dúvida cruel: digo, não digo ou desdigo o mal que já está quase feito? Antes que pudesse tomar partido, no entanto, saboreei uma porção de desencanto quando você disse o que não devia ser dito. O gosto daquela verdade feia aguçou os meus sentidos como fruta azeda a ferir-me o paladar e a doer-me os ouvidos; aquele pedaço de alma desalmada foi e voltou pela minha garganta um milhão de vezes sem que pudesse ser digerido. Não virou ferida, não - virou borboleta que saiu voando depressa pelo mundo afora, doida pra espalhar a notícia: segredos da alma fazem parte da vida, e certas coisas são tão erradas que precisam bater asas antes de virar palavra, para nunca serem ditas.
In-cômodo
Sinto sua falta daquele jeito que não se explica, naquele mundo em que não somos nem ricos nem bonitos porque isso não faz diferença. Sinto sua falta e acho que essa história de que o amor romântico é impossível não faz muito sentido - a gente só não quer pagar pra ver o barulho que essa bomba vai fazer quando estourar porque pode ser que um dia doa e doer não vale a pena. Uma tristeza não compensa dez felicidades, você pensa, porque dói e doer não cabe na nossa vida pequena, rápida, trivial e cheia de imediatismos e vãs prioridades. I can't be bothered tornou-se o nosso motto, e a (des)ilusão nosso mais novo cup of tea. No fim das contas, prefiro sentir sua falta: é bem mais cômodo que pensar em como seria minha vida com você.
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Sheepwolves
How many times can we be wrong about the same thing? How many times can we be sure about what's best, what's ideal or what we have to do? A leaf was about to fall from my selfless tree and I almost let it go... So many stories I've created because I believed I truly needed each and every one of them. So many fields I've crossed, barefoot, covered with fear, desire crushed by my long fingers throughout foggy days which didn't end... The closer I feel to my soul, the more I can see: arrogance, ignorance, disguised expectations, lonely hearts lost in the midst of countless intentions... the rest is just poor theatrics. I was given the gift of learning through words, and what I've heard so far has saved me from vultures and wolves that, in my dreams, came kiss me good night dressed like sheep.
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