quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Vai tomar banho, filho de Deus!

Lava essas vergonhas
com sabão e senso
pelo amor de Deus!

Lava as impurezas
de sua cabeça
com shampoo dos seus

lava esses seus sonhos
sujos e medonhos
LAVA A SUA FOME

lava essas feridas
lava sua vida,
seu filho do Homem!

Vai tomar banho, filho de Deus!

Lava essas vergonhas
com sabão e senso
pelo amor de Deus!

Lava as impurezas
de sua cabeça
com shampoo dos seus

lava esses seus sonhos
sujos e medonhos
LAVA A SUA FOME

lava essas feridas
lava sua vida,
seu filho do Homem!

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Capítulo 8 - Madame Satã: a batalha final

O bem vence o mal
Espanta o temporal
Azul, amarelo
Tudo é muito belo!...


Aqui tá sendo uma novela mesmo, gente, e como diria uma pessoa muitíssimo sabia... SURREAL! Madame Satã pirou tanto minha cabeça que tive que sair de lá. Ela é um ser tão deprimido, tão reprimido e tão encardido que esse climão depressão começou a tomar conta de mim sempre que eu tava na casa dela.

Rebobinando um pouco a fita: lembram-se que no primeiro capítulo disse que a dona da casa era um pouco estranha? Bem, resumindo bastante, aí vão os fatos mais marcantes: 1) depois de um dia inteiro dentro de um avião, eu cheguei na porta da casa dela e fui recebida com regras hitlerianas, que foram pregadas pela casa num estilo totalmente “no mercy”; 2) sua figura, juntamente com seu inconfundível sotaque, claramente indicavam que ela era do Paquistão e ela insistia em dizer que era alemã, como se isso melhorasse alguma coisa; 3) basicamente, ela era uma senhora solitária, deprimida, paranóica, que não deixava a gente usar a cozinha, nem conversar na casa, nem entrar no banheiro das 7 às 7.30. Tudo normal, mas o melhor de tudo é que ela era fanática por Jesus. Aí pensei comigo: uma criatura sinistra dessa que, como se não bastasse, ainda é fanática por Jesus, precisa muito de salvação. Pronto: bem vinda à trama, MADAME SATÃ!

Pra começar, eu tinha que comer, beber, ler, conversar, trocar de roupa, ver tv, pentear o cabelo, pular corda, andar de bicicleta, plantar bananeira, tudo naquela polha daquele canário daquele quarto. E o quarto, como se já não bastasse, era o sonho de todo vendedor de móveis antigos - a loja pronta! Nunca vi tanto móvel junto... ele é do tamanho da biblioteca da Cultura Colégio Arnaldo, e tem uma cama de casal, um guarda-roupa, uma mesa com uma tv, uma cômoda, um sofá - repito: um sofá! -, uma mesa de centro (????) e uma penteadeira. Agora o mais trash: CARPETE COM TAPETE POR CIMA, VEEEEEEEEEEIIIIIIIIIIIII!!!!!!!!!!! Parece que ela nunca na vida deu uma olhadinha debaixo dos caracóis dos cabelos dos tapetes da casa dela, e quando eu, num tom super boa-praça, pedi pra dar uma olhadela sem compromisso no hoover, brasileiramente chamado de aspirador - eu ia mesmo é dar um grito, laçar o sujeito, me trancar no quarto e pedir resgate pra devolver - ela deu um sorrisinho sinistro - brrrrrrrr - e saiu. Só imaginem a situação - nem dá, né?

Pois bem, como se não bastasse toda essa atmosfera, vou eu na quinta passada tomar meu glorioso banho - ah, que bom, pelo menos o banho era quentinho, gostoso, tinha água... ops, eu disse "tinha" água? ISSO MESMO, GENTE, PORQUE SIMPLESMENTE NÃO TINHA MAIS!!! No que eu sacudi o chuveiro, liguei a torneira, desliguei, liguei tudo no máximo, no mínimo e no mais ou menos - e enquanto isso por favor compreendam que tava frio pra canário lá dentro - e NADA. A água foi ficando ralinha, xoxa, minguou... e secou! Pronto, eu, empacotadora de delivery, que significa basicamente ficar numa cozinha relativamente pequena sem exaustor ao lado da lava-louça com seu bafo, que consequentemente quer dizer que se vc não lavar o cabelo todo dia a coisa fica bem complicada... SEM ÁGUA NO BANHEIRO FALTANDO 15 MINUTOS PRA EU SAIR DE CASA!!! Beleza. Respira. Isso, lá no fundo. Putz, faz de novo então, vai ver dá pra captar alguma idéia com seu nariz wireless. Isso, tranquila. Ótimo. PUTAQUIPARIU, TÁ NA HORA DE TRABALHAR!

Bem, depois desse episódio um pouco complicado, resolvi que não podia mais ficar nem sem tomar banho e nem morando lá. Mas Madame Satã é assim: quando vc precisa dela, she’s never there. Você escuta passos, ouve vozes, mas quando bate na porta da casa dela - a casa dela é a sala, gente - ninguém responde. Percebi então que eu tinha que pensar num horário em que eu com certeza cruzaria com ela. Foi aí que me lembrei de um dos 7 bilhetes que ela pregou pela casa, com ordens ditatoriais que, segundo ela, deveriam ser cumpridas pra que a gente pudesse viver em família. Que lindo, né? Fala a verdade... Um desses bilhetes exibia a polida mensagem "Do not use bathroom from 7.00 to 7.30 - family use”. Agora ela sabia o que era família, hein? Ou seja: eu, ser solitário que habito esse museu, vou usar o banheiro nesse horário, e se você tiver vontade de fazer xixi entre 7.00 e 7.30, não é problema meu, HAHAHAHAHA!!! Resolvi esperar por ela no dia seguinte, às 7.15, porque, haja vista que o chuveiro estava sem água, ela iria sair logo, logo ou tomar alguma providência a respeito, não? Gente, que isso, surreal demais - alguém podia inventar uma palavra com o mesmo impacto, prometo que eu uso... Eis que a figura franzina greco-paquistanesa de cabelo louro cinza entra no banheiro, liga seu radinho e por lá fica. E eu escuto a água fluindo do chuveiro maravilhosamente durante vários minutos, ininterruptamente. Quando ela saiu do banheiro, nem sabia o que falar. Resolvi dormir mais um pouco e tomar um banho mais tarde. Obviamente, quando eu fui tomar banho... cadê a água? Será que o boi bebeu?

Aí eu pirei, mas novamente quando tentei falar... nada. No meio dessa nebulosidade, Marinão voltou pro Brasil e eu fui convidada pra ficar no lugar dela, numa casa de verdade, com internet de verdade, com uma cozinha de verdade - que isso, já estava até me esquecendo de como usar o fogão - e pessoas legais de verdade mesmo. Bom, deixa eu pensar, será que eu vou, será que vai ser legal, será que... SÓ SE FOR AGORA! Foi literalmente assim. Na segunda eu já estava com tudo empacotado, e assim que o pessoal chegou pra me buscar, apenas joguei minhas malas escada abaixo e me joguei junto com elas. Joguei a chave dentro do correio e senti a melhor sensação de todas, a de que nunca mais cruzaria com Madame Satã e sua cara de Mun-ha no caminho. Mas é claro, óbvio e evidente que não foi assim...

Na afobação de dar meu grito de liberdade, esqueci minha mala mais importante, com todos os meus documentos, dinheiro, passaporte, computador, enfim, minha vida, na porta da casa da enconha. No dia seguinte, tive que ir até lá debaixo de chuva, e ao tocar a campainha, ela abriu com aqueles olhos arregalados de psycho, deu um sorrisinho e eu vi que minha mochila estava exatamente no mesmo lugar, no meio do corredor. Que patético! Aí eu dei uma de psycho também, fui falando várias coisas meio enrolado enquanto ia pegando a mochila, o telefone dela tocou, ela disse que queria que eu entrasse em contato com ela pra esclarecer algumas coisas, ajudá-la ou algo do tipo, e como eu já sabia que ela jamais devolveria meu dinheiro - sim, porque eu havia feito o pagamento até o próximo domingo -, senti muito, quase chorei, e fechei a porta. Foi um dos momentos mais prazerosos da minha vida, devo admitir. Bem, e agora é só alegria! Minha casa nova e otima, estou finalmente comendo bem e fazendo cada coisa no seu devido lugar, se é que vcs me entendem...

Molti baci, a presto!

Capítulo 8 - Madame Satã: a batalha final

O bem vence o mal
Espanta o temporal
Azul, amarelo
Tudo é muito belo!...


Aqui tá sendo uma novela mesmo, gente, e como diria uma pessoa muitíssimo sabia... SURREAL! Madame Satã pirou tanto minha cabeça que tive que sair de lá. Ela é um ser tão deprimido, tão reprimido e tão encardido que esse climão depressão começou a tomar conta de mim sempre que eu tava na casa dela.

Rebobinando um pouco a fita: lembram-se que no primeiro capítulo disse que a dona da casa era um pouco estranha? Bem, resumindo bastante, aí vão os fatos mais marcantes: 1) depois de um dia inteiro dentro de um avião, eu cheguei na porta da casa dela e fui recebida com regras hitlerianas, que foram pregadas pela casa num estilo totalmente “no mercy”; 2) sua figura, juntamente com seu inconfundível sotaque, claramente indicavam que ela era do Paquistão e ela insistia em dizer que era alemã, como se isso melhorasse alguma coisa; 3) basicamente, ela era uma senhora solitária, deprimida, paranóica, que não deixava a gente usar a cozinha, nem conversar na casa, nem entrar no banheiro das 7 às 7.30. Tudo normal, mas o melhor de tudo é que ela era fanática por Jesus. Aí pensei comigo: uma criatura sinistra dessa que, como se não bastasse, ainda é fanática por Jesus, precisa muito de salvação. Pronto: bem vinda à trama, MADAME SATÃ!

Pra começar, eu tinha que comer, beber, ler, conversar, trocar de roupa, ver tv, pentear o cabelo, pular corda, andar de bicicleta, plantar bananeira, tudo naquela polha daquele canário daquele quarto. E o quarto, como se já não bastasse, era o sonho de todo vendedor de móveis antigos - a loja pronta! Nunca vi tanto móvel junto... ele é do tamanho da biblioteca da Cultura Colégio Arnaldo, e tem uma cama de casal, um guarda-roupa, uma mesa com uma tv, uma cômoda, um sofá - repito: um sofá! -, uma mesa de centro (????) e uma penteadeira. Agora o mais trash: CARPETE COM TAPETE POR CIMA, VEEEEEEEEEEIIIIIIIIIIIII!!!!!!!!!!! Parece que ela nunca na vida deu uma olhadinha debaixo dos caracóis dos cabelos dos tapetes da casa dela, e quando eu, num tom super boa-praça, pedi pra dar uma olhadela sem compromisso no hoover, brasileiramente chamado de aspirador - eu ia mesmo é dar um grito, laçar o sujeito, me trancar no quarto e pedir resgate pra devolver - ela deu um sorrisinho sinistro - brrrrrrrr - e saiu. Só imaginem a situação - nem dá, né?

Pois bem, como se não bastasse toda essa atmosfera, vou eu na quinta passada tomar meu glorioso banho - ah, que bom, pelo menos o banho era quentinho, gostoso, tinha água... ops, eu disse "tinha" água? ISSO MESMO, GENTE, PORQUE SIMPLESMENTE NÃO TINHA MAIS!!! No que eu sacudi o chuveiro, liguei a torneira, desliguei, liguei tudo no máximo, no mínimo e no mais ou menos - e enquanto isso por favor compreendam que tava frio pra canário lá dentro - e NADA. A água foi ficando ralinha, xoxa, minguou... e secou! Pronto, eu, empacotadora de delivery, que significa basicamente ficar numa cozinha relativamente pequena sem exaustor ao lado da lava-louça com seu bafo, que consequentemente quer dizer que se vc não lavar o cabelo todo dia a coisa fica bem complicada... SEM ÁGUA NO BANHEIRO FALTANDO 15 MINUTOS PRA EU SAIR DE CASA!!! Beleza. Respira. Isso, lá no fundo. Putz, faz de novo então, vai ver dá pra captar alguma idéia com seu nariz wireless. Isso, tranquila. Ótimo. PUTAQUIPARIU, TÁ NA HORA DE TRABALHAR!

Bem, depois desse episódio um pouco complicado, resolvi que não podia mais ficar nem sem tomar banho e nem morando lá. Mas Madame Satã é assim: quando vc precisa dela, she’s never there. Você escuta passos, ouve vozes, mas quando bate na porta da casa dela - a casa dela é a sala, gente - ninguém responde. Percebi então que eu tinha que pensar num horário em que eu com certeza cruzaria com ela. Foi aí que me lembrei de um dos 7 bilhetes que ela pregou pela casa, com ordens ditatoriais que, segundo ela, deveriam ser cumpridas pra que a gente pudesse viver em família. Que lindo, né? Fala a verdade... Um desses bilhetes exibia a polida mensagem "Do not use bathroom from 7.00 to 7.30 - family use”. Agora ela sabia o que era família, hein? Ou seja: eu, ser solitário que habito esse museu, vou usar o banheiro nesse horário, e se você tiver vontade de fazer xixi entre 7.00 e 7.30, não é problema meu, HAHAHAHAHA!!! Resolvi esperar por ela no dia seguinte, às 7.15, porque, haja vista que o chuveiro estava sem água, ela iria sair logo, logo ou tomar alguma providência a respeito, não? Gente, que isso, surreal demais - alguém podia inventar uma palavra com o mesmo impacto, prometo que eu uso... Eis que a figura franzina greco-paquistanesa de cabelo louro cinza entra no banheiro, liga seu radinho e por lá fica. E eu escuto a água fluindo do chuveiro maravilhosamente durante vários minutos, ininterruptamente. Quando ela saiu do banheiro, nem sabia o que falar. Resolvi dormir mais um pouco e tomar um banho mais tarde. Obviamente, quando eu fui tomar banho... cadê a água? Será que o boi bebeu?

Aí eu pirei, mas novamente quando tentei falar... nada. No meio dessa nebulosidade, Marinão voltou pro Brasil e eu fui convidada pra ficar no lugar dela, numa casa de verdade, com internet de verdade, com uma cozinha de verdade - que isso, já estava até me esquecendo de como usar o fogão - e pessoas legais de verdade mesmo. Bom, deixa eu pensar, será que eu vou, será que vai ser legal, será que... SÓ SE FOR AGORA! Foi literalmente assim. Na segunda eu já estava com tudo empacotado, e assim que o pessoal chegou pra me buscar, apenas joguei minhas malas escada abaixo e me joguei junto com elas. Joguei a chave dentro do correio e senti a melhor sensação de todas, a de que nunca mais cruzaria com Madame Satã e sua cara de Mun-ha no caminho. Mas é claro, óbvio e evidente que não foi assim...

Na afobação de dar meu grito de liberdade, esqueci minha mala mais importante, com todos os meus documentos, dinheiro, passaporte, computador, enfim, minha vida, na porta da casa da enconha. No dia seguinte, tive que ir até lá debaixo de chuva, e ao tocar a campainha, ela abriu com aqueles olhos arregalados de psycho, deu um sorrisinho e eu vi que minha mochila estava exatamente no mesmo lugar, no meio do corredor. Que patético! Aí eu dei uma de psycho também, fui falando várias coisas meio enrolado enquanto ia pegando a mochila, o telefone dela tocou, ela disse que queria que eu entrasse em contato com ela pra esclarecer algumas coisas, ajudá-la ou algo do tipo, e como eu já sabia que ela jamais devolveria meu dinheiro - sim, porque eu havia feito o pagamento até o próximo domingo -, senti muito, quase chorei, e fechei a porta. Foi um dos momentos mais prazerosos da minha vida, devo admitir. Bem, e agora é só alegria! Minha casa nova e otima, estou finalmente comendo bem e fazendo cada coisa no seu devido lugar, se é que vcs me entendem...

Molti baci, a presto!

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Second impressions of Earth

Quando eu vejo tanta chuva,
tristeza e indiferença,
solidão e agonia,
poluição e angústia,
só consigo chegar a uma conclusão:
o mundo enfim dominou o mundo.

Second impressions of Earth

Quando eu vejo tanta chuva,
tristeza e indiferença,
solidão e agonia,
poluição e angústia,
só consigo chegar a uma conclusão:
o mundo enfim dominou o mundo.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Capítulo 7 - Happy Slapping

Fala, gente,

Hoje vou contar pra vocês algumas situações que acontecem com uma certa frequência por aqua - pelo menos de acordo com os jornaizinhos do metrô... Como aqui o governo ajuda bastante as pessoas de baixa renda, não é tão comum se deparar com pickpockets, essas pessoas que enfiam a mão na sua bolsa ou até no seu bolso sem você perceber, ou muggers, na nossa língua: pivetes, ladrões, marginais, esse naipe. Em compensação, os crimes daqui são - se não mais - tão bárbaros quanto os nossos, mas parecem ser oriundos de outras fontes, como obsessões, compulsões, perversões e outros problemas de ordem psicológica. Não que eles não aconteçam no Brasil, mas acho - talvez ingenuamente - que aqui a coisa é um pouco pior nesse sentido.

Por exemplo, entrei numa lojinha na semana passada e havia um cartaz com uma manchete dizendo algo do tipo "busca por armas recomeça com a volta as aulas". Estranho, não? Pra mim foi bem estranho, principalmente se considerarmos que essas escolas não estão no meio das favelas e comunidades mais perigosas da região, nossa desculpa pra esse absurdo.

Uma coisa bem na moda aqui no momento é o tal de "happy slapping", que consiste basicamente em um grupo de adolescentes, geralmente entre 13 e 16 anos; esse grupo escolhe alguém sozinho na rua pra dar porrada, e existem vários critérios de escolha. Enquanto uns batem, os outros filmam nos celulares e colocam na internet depois. Eu até assisti a um filme sobre isso antes de vir pra cá chamado "Valente" - com Jodie Foster e Naveen Andrews, aquele indiano do Lost, que aliás eu soube que era viciado em heroina, but it's none of my business anyway, ok, going back... - e antes disso nunca tinha ouvido falar em nada parecido - além dos skin heads, claro. No filme, o cara morre com o espancamento, o que me chocou ainda mais. Mas tudo bem, tem uns filmes que impressionam a gente mesmo, mas depois passa, não é assim? Nada, gente, passa não.

Pois que estava eu chegando na estação de metrô quando recebi um jornal - ah, não contei, todo dia eles distribuem um jornalzinho gratuito na porta da estação, e pra pessoas como eu, que NUNCA, repito, NUNCA lêem jornal, é até um passatempo interessante. Inclusive, as pessoas aqui tem uma coisa com a Kate Moss impressionante - todo dia tem uma foto ou uma matéria sobre ela no jornal, sempre born to be wild, e parece que ela é a unica modelo da Inglaterra, porque ela simplesmente está em TODAS as campanhas publicitárias, de shampoo, roupa, maquiagem, esmalte, enfim, tipo a Ivete Sangalo aí - acho que se ela cantasse então seria foda! Mas tentando sempre voltar ao assunto, recebi o jornalzinho - que tinha obviamente uma matéria da Kate Moss, em que ela, ao assistir a um desfile, levantou e começou a desfilar para delírio dos fãs, antes de (a?)baixar as calças e fazer xixi no jardim do evento (ui, tão peculiar...) - e depois de muita diversão com as noticias sobre as celebridades UK/USA, li uma nota sobre uma garota de 16 anos que havia sido brutalmente espancada num desses "happy slapping" (vcs tão percebendo a doença? Se isso é happy, imaginem o sad…). Obviamente a primeira coisa que me veio à mente foi o filme da Jodie Foster - aliás ela fez uns filmes que ninguém esquece, né? Aquele "Silêncio dos Inocentes", por exemplo, puta madre!!! - e comecei (claro!) a pensar sobre isso. Pensei, pensei... e passou, parei de pensar.

Eis que estava eu, essa pessoa que vcs conhecem, depois de umas pints, andando por Camden Town com meu amigo belo horizontino-brasiliense Leo - estão lembrando, aquele bairro alternativo, cheio de punks e afins? - bem distraída e tranquila - imaginem a cena por favor, dá mais emoção! -, me sentindo sensacional. Ótimo, né? Passa por mim nesse momento um cachorrinho, lindo, boxer - adoro boxer - e eu, achando em meu doce devaneio que ele era só mais uma parte boa do meu dia assaz agradável, disse pra ele um "hey, doggy!". O cachorro me olhou de relance e deu um latido. OK, cachorros latem mesmo, uai, normal, ele nem me conhece... Aí é que vem a bomba: a dona do cachorro. A dona do cachorro olhou pra mim com um ódio latejante e gritou "Walk!". Gente, que isso, né, deve ser uma pegadinha, não é possível! Pensando assim, olhei pra ela e disse calmamente "Excuse me, are you talking to ME?", ao que ela respondeu quase espumando a boca "Who the hell would I be talking to? I said WALK!" Não acreditei. Saí da minha nuvem rosa e falei do jeito mais suave que eu consegui "Look, tell YOUR DOG to walk, not me. I've never seen you before, I've got nothing to do with you and I didn't do anything to you OR to your dog". Queeeeeeeeee iiiiiiissssssssssssso!!! A mulher pirou. Só pra vcs visualizarem a situação um pouco melhor: a mulher era na verdade uma menina, de uns 16 anos, estilo revoltadinha punkzinha com os amiguinhos caricaturinhas. Essa mesma mulher-menina-punk-rage quase que não esperou eu acabar de falar - deu um passo grande pra frente como se quisesse mostrar que estava vindo pra cima, ao que os amiguinhos fizeram que iam segurá-la, e lançou um "Walk! Are you bloody deaf? Get out of my fucking sight-right-now", ao que eu respondi dando meia volta - só porque o Leo insistiu, claro... - e andando rapidinho, preparada até pra pedir desculpa e beijar o cão danado se fosse o caso... Eu, hein?

VOLTA PRO MAR, OFERENDA!!!

Bjos e hasta luego!