quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Top 30

Isso... agora olha pra cá. Vira a cabeça devagar. Vai virando... calma... excelente! Faz uma coisa bem doida aí - você é bailarina ou não é? Então? Faz tipo uma pirueta. Já sei! Faz uma abertura. Se vira aí, minha filha, faz alguma coisa bem interessante porque você é a última. Vai fechar com chave de ouro, hein? O sapato você arruma um seu mesmo, pode ser preto, qualquer um. Uma meia preta, viu? Traz também uma meia preta bem preta que aí não tem erro. Agora no seu cabelo... seu cabelo tá curto, né? Uai... vamo colocar ele pra cima então, bem pra cima, cheio de ponta pra todo lado, bem louco. Que estilo! Só falta a maquiagem. Me empresta a sombra e o lápis aí, gente. Iiiiissssssooooooo. Vou fazer uns riscos vermelhos de batom aqui no olho que é pra gente ter uma noção. O blush pode ser essa sombra meio laranja mesmo. Vem comigo, quero te mostrar pra todo mundo. Enquanto isso vai tentando andar nesse sapato da loja do lado. Isso, até lá dá certo - só não vale cair, hein, hahaha... Atenção: olha que linda a minha modelo! Produção própria, bem - sei ou não sei das coisas? Ela não é modelo, é professora de inglês da Cultura Inglesa, cliente minha. Vai trabalhar que nem uma palhaça, com maquiagem e cabelo, vai sair do trabalho correndo e chegar aqui correndo pra fechar o meu desfile. Não ficou um luxo? Ela vai me fazer um favor, porque pagar não tô podendo. O vestido tá um pouco grande, mas qualquer coisa a gente dá um nozinho nas alças, qual o problema? Desfile é assim: tem menina que desfila com sapato 39 e calça 35, é despojado mesmo.

(diálogo entre uma ex-wannabe-modelo lojista e uma ex-aspirante a modelo de 30 anos)

Background information: Há exatos 15 anos, a ex-aspirante a modelo que hoje beira os 31 foi chamada de bonita. Foi dito a ela inclusive que seria possível viver dessa beleza incomum (leia-se: extrema magreza beirando a inanição, braços extra-longos e pernas parecidas com os braços). A menina de 15 anos sonhou, sonhou, ... e chegou em casa. A mãe não concordou e pronto. Quando a mãe concordou, acharam uma agência no Centro (a parte caradepaumente chamada de Lourdes) que fez uma oferta irrecusável: morar em São Paulo e trabalhar na MTV. Um pequeno detalhe: as modelos não receberiam visitas dos pais pelos primeiros seis meses. Como eu disse, só um detalhe. E a carreira meteórica da bela feia acabou aí. A menina achou que era feia por mais alguns anos e virou um bom bocado de páginas feias ao descobrir que era bonita. No ápice de seus 30, ela é chamada para desfilar - o orgulho apaixona-se cegamente pela vaidade. 

(diálogo - parte 2)

Mas qual o problema com a roupa? A roupa tava linda, gente, um pouco mais largo é o charme... Dá o nozinho, não tem problema nenhum. Meia preta e sapato preto ou meia bege e sapato bege. Se arruma em casa, se vira, às oito e cinco você tá lá, né? Claro que vai dar tempo, se você trabalha até as oito não vejo problema em você chegar às oito e cinco. Vem do trabalho maquiada com o sapato e a meia. Dá uma olhada no lugar onde você vai desfilar - quando chegar, vai direto pra lá. Que isso, como as pessoas tão falando que o vestido não tá bom? Já te expliquei que em desfile não tem dessas coisas. Bom, se você também tá achando, é melhor deixar pra lá. Vou arrumar outra pra entrar no seu lugar, vai ficar melhor assim. Agora tô cheia de coisas pra resolver, não tô podendo perder meu tempo com isso.  Pode deixar que vou achar alguém pra te substituir. Tira a roupa e dá pra moça colocar no cabide. Pede pra moça tirar o seu nome que tá escrito na roupa, tá bom? Brigada, querida. Tchau.

 OBRIGADA, MÃE. AINDA BEM QUE EU literalmente TOQUEI A VIDA.

Top 30

Isso... agora olha pra cá. Vira a cabeça devagar. Vai virando... calma... excelente! Faz uma coisa bem doida aí - você é bailarina ou não é? Então? Faz tipo uma pirueta. Já sei! Faz uma abertura. Se vira aí, minha filha, faz alguma coisa bem interessante porque você é a última. Vai fechar com chave de ouro, hein? O sapato você arruma um seu mesmo, pode ser preto, qualquer um. Uma meia preta, viu? Traz também uma meia preta bem preta que aí não tem erro. Agora no seu cabelo... seu cabelo tá curto, né? Uai... vamo colocar ele pra cima então, bem pra cima, cheio de ponta pra todo lado, bem louco. Que estilo! Só falta a maquiagem. Me empresta a sombra e o lápis aí, gente. Iiiiissssssooooooo. Vou fazer uns riscos vermelhos de batom aqui no olho que é pra gente ter uma noção. O blush pode ser essa sombra meio laranja mesmo. Vem comigo, quero te mostrar pra todo mundo. Enquanto isso vai tentando andar nesse sapato da loja do lado. Isso, até lá dá certo - só não vale cair, hein, hahaha... Atenção: olha que linda a minha modelo! Produção própria, bem - sei ou não sei das coisas? Ela não é modelo, é professora de inglês da Cultura Inglesa, cliente minha. Vai trabalhar que nem uma palhaça, com maquiagem e cabelo, vai sair do trabalho correndo e chegar aqui correndo pra fechar o meu desfile. Não ficou um luxo? Ela vai me fazer um favor, porque pagar não tô podendo. O vestido tá um pouco grande, mas qualquer coisa a gente dá um nozinho nas alças, qual o problema? Desfile é assim: tem menina que desfila com sapato 39 e calça 35, é despojado mesmo.

(diálogo entre uma ex-wannabe-modelo lojista e uma ex-aspirante a modelo de 30 anos)

Background information: Há exatos 15 anos, a ex-aspirante a modelo que hoje beira os 31 foi chamada de bonita. Foi dito a ela inclusive que seria possível viver dessa beleza incomum (leia-se: extrema magreza beirando a inanição, braços extra-longos e pernas parecidas com os braços). A menina de 15 anos sonhou, sonhou, ... e chegou em casa. A mãe não concordou e pronto. Quando a mãe concordou, acharam uma agência no Centro (a parte caradepaumente chamada de Lourdes) que fez uma oferta irrecusável: morar em São Paulo e trabalhar na MTV. Um pequeno detalhe: as modelos não receberiam visitas dos pais pelos primeiros seis meses. Como eu disse, só um detalhe. E a carreira meteórica da bela feia acabou aí. A menina achou que era feia por mais alguns anos e virou um bom bocado de páginas feias ao descobrir que era bonita. No ápice de seus 30, ela é chamada para desfilar - o orgulho apaixona-se cegamente pela vaidade. 

(diálogo - parte 2)

Mas qual o problema com a roupa? A roupa tava linda, gente, um pouco mais largo é o charme... Dá o nozinho, não tem problema nenhum. Meia preta e sapato preto ou meia bege e sapato bege. Se arruma em casa, se vira, às oito e cinco você tá lá, né? Claro que vai dar tempo, se você trabalha até as oito não vejo problema em você chegar às oito e cinco. Vem do trabalho maquiada com o sapato e a meia. Dá uma olhada no lugar onde você vai desfilar - quando chegar, vai direto pra lá. Que isso, como as pessoas tão falando que o vestido não tá bom? Já te expliquei que em desfile não tem dessas coisas. Bom, se você também tá achando, é melhor deixar pra lá. Vou arrumar outra pra entrar no seu lugar, vai ficar melhor assim. Agora tô cheia de coisas pra resolver, não tô podendo perder meu tempo com isso.  Pode deixar que vou achar alguém pra te substituir. Tira a roupa e dá pra moça colocar no cabide. Pede pra moça tirar o seu nome que tá escrito na roupa, tá bom? Brigada, querida. Tchau.

 OBRIGADA, MÃE. AINDA BEM QUE EU literalmente TOQUEI A VIDA.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

I dare you

Today I woke up with this plundering desire... to dare. It was such an overwhelming feeling that my heart started beating fast, faster and faster to the point I could no longer see. Eventually I started asking myself why. Why me? Why now? Why should I? Maybe I could dare for the sake of practice - we both know I could easily dare out of love. Real love doesn't just fade away, doesn't wear off; it drives us to the unimaginable non-stop; it offers a single-ticket ride towards the unknown, and we both know there's no way back. At this point it feels so good to be away with the fairies... It's pure and true, but it's not the answer. Let's face it: no matter how hard I try to enlighten, to sweeten, to ennoble my existence, I'll always feel like a blister in the sun. No more lies - I must dare in the name of weariness. Being tired shuts down each and every possibility of believing. Not believing opens up such a huge hole in our chests that we spend more time trying to heal it than actually trying.

O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que elas acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis. (F.Pessoa)

I have no idea what might happen if I were not so very tired. My only truth is not in books or sweet dreams, is not wrapped in silk: today I must dare to, against all my own odds, keep breathing... I dare you to live with me - I dare us both to do a bit more than surviving.

I dare you

Today I woke up with this plundering desire... to dare. It was such an overwhelming feeling that my heart started beating fast, faster and faster to the point I could no longer see. Eventually I started asking myself why. Why me? Why now? Why should I? Maybe I could dare for the sake of practice - we both know I could easily dare out of love. Real love doesn't just fade away, doesn't wear off; it drives us to the unimaginable non-stop; it offers a single-ticket ride towards the unknown, and we both know there's no way back. At this point it feels so good to be away with the fairies... It's pure and true, but it's not the answer. Let's face it: no matter how hard I try to enlighten, to sweeten, to ennoble my existence, I'll always feel like a blister in the sun. No more lies - I must dare in the name of weariness. Being tired shuts down each and every possibility of believing. Not believing opens up such a huge hole in our chests that we spend more time trying to heal it than actually trying.

O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que elas acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis. (F.Pessoa)

I have no idea what might happen if I were not so very tired. My only truth is not in books or sweet dreams, is not wrapped in silk: today I must dare to, against all my own odds, keep breathing... I dare you to live with me - I dare us both to do a bit more than surviving.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Professional friend

I'm a friendly person; that's all. Anything other than that comes naturally, so don't expect. I don't smile to show I care, I don't call because that's what I'm supposed to do. I'm one of those people who will never keep a politeness book in the bag, and I'm not sorry. You should know I'll never ask you to do differently or the same. I'll never wait for you to call, I'll never beg you to be there - I've been right where you are... and it hurts. Grudge is a word I had to learn, and now I know resentment has never been part of my 24/7. So much happens every minute of my every day that I simply don't remember whos or whats! I'm not used to bearing a grudge, but again I don't expect you to understand. Actually, we shouldn't expect anything from anyone; that's the only way to feel truly free. I don't mean to sound rude, but I can't be bothered to become a professional friend, and it's totally fine by me if you disagree. I'm friendly - no more, no less. Take it or leave it.

Professional friend

I'm a friendly person; that's all. Anything other than that comes naturally, so don't expect. I don't smile to show I care, I don't call because that's what I'm supposed to do. I'm one of those people who will never keep a politeness book in the bag, and I'm not sorry. You should know I'll never ask you to do differently or the same. I'll never wait for you to call, I'll never beg you to be there - I've been right where you are... and it hurts. Grudge is a word I had to learn, and now I know resentment has never been part of my 24/7. So much happens every minute of my every day that I simply don't remember whos or whats! I'm not used to bearing a grudge, but again I don't expect you to understand. Actually, we shouldn't expect anything from anyone; that's the only way to feel truly free. I don't mean to sound rude, but I can't be bothered to become a professional friend, and it's totally fine by me if you disagree. I'm friendly - no more, no less. Take it or leave it.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O rap do feio

Essa vai pra você que é feio e tá cansado de saber
e pra você que acha que é bonito, porque é tão babaca que ninguém teve coragem de te dizer.

O feio joga lixo no chão
e limpa o nariz com a mão
O feio insiste em gritar
pra ver se alguém nota que ele tá lá
O feio arrota no bar
e coça o saco pra barbarizar
O feio fala mal do bonito
pra não se lembrar que é esquisito
O feio pra caçar confusão
bate na mesa, fala palavrão
O feio põe música alta
do contrário ninguém vai dar falta
O feio pra mostrar atitude
diz que tá bem, o importante é saúde
O feio tem gente que engole
e o babaca ainda faz corpo mole
O feio não devia existir
mas de quem é que a gente ia rir?

O Ministério da Saúde mais uma vez adverte: SER FEIO É ALGO QUE VOCÊ PODE MUDAR (ah, e que também não dá pra disfarçar, viu? Só a título de curiosidade mesmo...)