Hoje choveu em mim. Aconteceu enquanto eu pensava no aniversário da minha amiga no Balaio de Gato, enquanto eu lembrava de tirar uma cópia a mais do texto muito divertido que vou dar para os meus alunos amanhã - e nem sei se eles vão achar tão divertido assim... Começou a respingar no momento em que eu perguntava aos meus botões se aquele tênis que melhora a postura realmente funciona, bem na hora em que vi a Gwyneth Paltrow dar um banho de elegância toda de verde em um filme de mais de dez anos atrás. Choveu quando eu concluía que vou acabar casando mesmo, não tem jeito, de uma maneira tão interessante quanto óbvia. Começou a respingar na minha memória, e vieram à cabeça o meu cabelo, as minhas caras e bocas, as expectativas dos outros, as minhas. Senti uns pingos leves no braço direito, mais próximo da janela, justamente enquanto me vinha à mente a cena ocorrida uma hora antes - a apresentação de uma aluna sobre "O Diário de Anne Frank", o impacto da história, a indignação geral com as guerras, um bate-papo sobre conflitos de origem cultural que levou a uma auto-análise coletiva (sejamos positivos, há quem sofra muito mais) que levou a uma lembrança. Lembrei-me de um amigo que foi a Moçambique por alguns meses, a fim de realizar um trabalho de campo necessário para a conclusão de seu mestrado. Lembrei-me do quanto insisti para que ele ajudasse as pessoas de lá ao máximo, como praticamente exigi que ele encarnasse Ernesto Guevara e lutasse contra os males do mundo. Insisti e sabia que, mesmo que não pra ele, pra mim esse meio era apenas um fim para o (re) ingresso no belo e digno capitalismo. Ninguém tem culpa, é assim que as coisas funcionam. Você quer que seu filho seja feliz, não quer? Plim!... A chuva bateu primeiro no vidro, depois em mim. Estava fina ainda, mas me apressei em fechar a janela. Sentei-me, dei uma piscada longa e nervosa, ao mesmo tempo em que suspirava fundo. Disse pra mim mesma 'não sou reprimida', mesmo que ninguém tenha dito o contrário. Lá fora a chuva caiu.
Esse blog é destinado a compartilhar viagens literárias, e está aberto a seres humanos e afins... Divirtam-se!
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Água dura em pedra mole
Hoje choveu em mim. Aconteceu enquanto eu pensava no aniversário da minha amiga no Balaio de Gato, enquanto eu lembrava de tirar uma cópia a mais do texto muito divertido que vou dar para os meus alunos amanhã - e nem sei se eles vão achar tão divertido assim... Começou a respingar no momento em que eu perguntava aos meus botões se aquele tênis que melhora a postura realmente funciona, bem na hora em que vi a Gwyneth Paltrow dar um banho de elegância toda de verde em um filme de mais de dez anos atrás. Choveu quando eu concluía que vou acabar casando mesmo, não tem jeito, de uma maneira tão interessante quanto óbvia. Começou a respingar na minha memória, e vieram à cabeça o meu cabelo, as minhas caras e bocas, as expectativas dos outros, as minhas. Senti uns pingos leves no braço direito, mais próximo da janela, justamente enquanto me vinha à mente a cena ocorrida uma hora antes - a apresentação de uma aluna sobre "O Diário de Anne Frank", o impacto da história, a indignação geral com as guerras, um bate-papo sobre conflitos de origem cultural que levou a uma auto-análise coletiva (sejamos positivos, há quem sofra muito mais) que levou a uma lembrança. Lembrei-me de um amigo que foi a Moçambique por alguns meses, a fim de realizar um trabalho de campo necessário para a conclusão de seu mestrado. Lembrei-me do quanto insisti para que ele ajudasse as pessoas de lá ao máximo, como praticamente exigi que ele encarnasse Ernesto Guevara e lutasse contra os males do mundo. Insisti e sabia que, mesmo que não pra ele, pra mim esse meio era apenas um fim para o (re) ingresso no belo e digno capitalismo. Ninguém tem culpa, é assim que as coisas funcionam. Você quer que seu filho seja feliz, não quer? Plim!... A chuva bateu primeiro no vidro, depois em mim. Estava fina ainda, mas me apressei em fechar a janela. Sentei-me, dei uma piscada longa e nervosa, ao mesmo tempo em que suspirava fundo. Disse pra mim mesma 'não sou reprimida', mesmo que ninguém tenha dito o contrário. Lá fora a chuva caiu.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
A pulga
Sem cerimônia invado seu dia a dia e peço atenção.
Com astúcia sussurro no seu ouvido e exijo resignação.
Nado pelas veias do seu desalento, rogo-lhe pragas
transformo seus momentos de prazer em odisséias
mil pedaços mal-articulados de infindáveis sagas;
pinto de preto cada uma de suas boas idéias
e ainda assim nunca hei de pedir-te perdão
pois se és tu quem me crias...
Tua sede me inventa
Tua fome se sacia
Teu sono me escolhe;
Perguntas tornam-me ainda mais bonita
Sinto-me viva quando tu estás aflita
Faço carnavais de tua tormenta
Pois se és tu mesmo quem me alimenta...
e assim será até que para outro lado você olhe.
Com astúcia sussurro no seu ouvido e exijo resignação.
Nado pelas veias do seu desalento, rogo-lhe pragas
transformo seus momentos de prazer em odisséias
mil pedaços mal-articulados de infindáveis sagas;
pinto de preto cada uma de suas boas idéias
e ainda assim nunca hei de pedir-te perdão
pois se és tu quem me crias...
Tua sede me inventa
Tua fome se sacia
Teu sono me escolhe;
Perguntas tornam-me ainda mais bonita
Sinto-me viva quando tu estás aflita
Faço carnavais de tua tormenta
Pois se és tu mesmo quem me alimenta...
e assim será até que para outro lado você olhe.
A pulga
Sem cerimônia invado seu dia a dia e peço atenção.
Com astúcia sussurro no seu ouvido e exijo resignação.
Nado pelas veias do seu desalento, rogo-lhe pragas
transformo seus momentos de prazer em odisséias
mil pedaços mal-articulados de infindáveis sagas;
pinto de preto cada uma de suas boas idéias
e ainda assim nunca hei de pedir-te perdão
pois se és tu quem me crias...
Tua sede me inventa
Tua fome se sacia
Teu sono me escolhe;
Perguntas tornam-me ainda mais bonita
Sinto-me viva quando tu estás aflita
Faço carnavais de tua tormenta
Pois se és tu mesmo quem me alimenta...
e assim será até que para outro lado você olhe.
Com astúcia sussurro no seu ouvido e exijo resignação.
Nado pelas veias do seu desalento, rogo-lhe pragas
transformo seus momentos de prazer em odisséias
mil pedaços mal-articulados de infindáveis sagas;
pinto de preto cada uma de suas boas idéias
e ainda assim nunca hei de pedir-te perdão
pois se és tu quem me crias...
Tua sede me inventa
Tua fome se sacia
Teu sono me escolhe;
Perguntas tornam-me ainda mais bonita
Sinto-me viva quando tu estás aflita
Faço carnavais de tua tormenta
Pois se és tu mesmo quem me alimenta...
e assim será até que para outro lado você olhe.
sábado, 3 de outubro de 2009
Inveja branca
Tem gente que sempre quer saber o que eu vou fazer. Pra onde você vai, o que vai dizer agora? Tem gente que torce para que eu meta os pés pelas mãos, para que as minhas próximas palavras saiam tortas, ininteligíveis, doidas. Gosto bem do doidas, é o mais próximo de inesperadas. Acho chatíssimo comprar passagem em setembro pra viajar em janeiro, fico boba com quem tem medo de prestação porque tem medo de amanhã não ter dinheiro pra pagar a prestação. Confie no seu taco - ou venda a parada pro seu primo, uai! Não poderia dizer que vim ao mundo pra balançar os cabelos ao vento, forçar um sotaque peruano e vender artesanato na Praça da Rodoviária. Também não acho nem um pouco interessante trabalhar loucamente e fingir que trabalho só um pouquinho pra morar em pombais de luxo e passear com um cachorro caro ao redor da Lagoa Seca - gente, a LAGOA é SECA, onde diabos isso é interessante? Porque fazer um curso pra entender de copos, pratos e talheres se não dá nem pra saborear a comida, de tanta tensão com tanta firula? Nesses restaurantes chiques a gente faz um gesto que indique algo do tipo vou me levantar e lá vem o infeliz do garçom granfininho pra puxar a cadeira, sempre alerta. Que paranóia!!! Pelo menos foi divertido tentar driblá-lo quando fui ao restaurante do Ouro Minas - foi tipo uma ação Macgyver, eu escondida atrás da porta do banheiro esperando pelo momento em que ele ia olhar pro outro lado, pra sair correndo e praticamente me jogar na cadeira como um goleiro experiente, felicíssima por ele não ter conseguido ir até minha mesa a tempo. (!)Penso nas situações em que fiquei visivelmente desconfortável e sem sofrimento evito todas elas. Penso nas pessoas que não me fazem bem e sem pudor atravesso a rua, porque pra mim o mais importante ainda é carregar um sorriso verdadeiro no rosto. Se você quer saber o que vou fazer a seguir, imagine algo como um vestido solto e um par de havaianas num dia quente. Gosto de palavras doidas, mas se pudesse definir o que vai sair da minha boca na próxima volta, a expressão seria TOTAL FLEX: o que for mais sensato, o que houver de mais inapropriado, o que der na telha! Vá você agora tentar entender isso... Meu conselho é o de Sabino - não analisa, não... Se pensar bem, vai ver que de repente você é até mais interessante que eu, vai saber... O importante é ir - se joga, boba. No mínimo você vai ter o que contar depois... :)
Inveja branca
Tem gente que sempre quer saber o que eu vou fazer. Pra onde você vai, o que vai dizer agora? Tem gente que torce para que eu meta os pés pelas mãos, para que as minhas próximas palavras saiam tortas, ininteligíveis, doidas. Gosto bem do doidas, é o mais próximo de inesperadas. Acho chatíssimo comprar passagem em setembro pra viajar em janeiro, fico boba com quem tem medo de prestação porque tem medo de amanhã não ter dinheiro pra pagar a prestação. Confie no seu taco - ou venda a parada pro seu primo, uai! Não poderia dizer que vim ao mundo pra balançar os cabelos ao vento, forçar um sotaque peruano e vender artesanato na Praça da Rodoviária. Também não acho nem um pouco interessante trabalhar loucamente e fingir que trabalho só um pouquinho pra morar em pombais de luxo e passear com um cachorro caro ao redor da Lagoa Seca - gente, a LAGOA é SECA, onde diabos isso é interessante? Porque fazer um curso pra entender de copos, pratos e talheres se não dá nem pra saborear a comida, de tanta tensão com tanta firula? Nesses restaurantes chiques a gente faz um gesto que indique algo do tipo vou me levantar e lá vem o infeliz do garçom granfininho pra puxar a cadeira, sempre alerta. Que paranóia!!! Pelo menos foi divertido tentar driblá-lo quando fui ao restaurante do Ouro Minas - foi tipo uma ação Macgyver, eu escondida atrás da porta do banheiro esperando pelo momento em que ele ia olhar pro outro lado, pra sair correndo e praticamente me jogar na cadeira como um goleiro experiente, felicíssima por ele não ter conseguido ir até minha mesa a tempo. (!)Penso nas situações em que fiquei visivelmente desconfortável e sem sofrimento evito todas elas. Penso nas pessoas que não me fazem bem e sem pudor atravesso a rua, porque pra mim o mais importante ainda é carregar um sorriso verdadeiro no rosto. Se você quer saber o que vou fazer a seguir, imagine algo como um vestido solto e um par de havaianas num dia quente. Gosto de palavras doidas, mas se pudesse definir o que vai sair da minha boca na próxima volta, a expressão seria TOTAL FLEX: o que for mais sensato, o que houver de mais inapropriado, o que der na telha! Vá você agora tentar entender isso... Meu conselho é o de Sabino - não analisa, não... Se pensar bem, vai ver que de repente você é até mais interessante que eu, vai saber... O importante é ir - se joga, boba. No mínimo você vai ter o que contar depois... :)
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