segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Tout le monde

"Tout le monde est une drôle de personne,
Et tout le monde a l'âme emmêlée,
Tout le monde a de l'enfance qui ronronne,
Au fond d'une poche oubliée,
Tout le monde a des restes de rêves,
Et des coins de vie dévastés,
Tout le monde a cherché quelque chose un jour,
Mais tout le monde ne l'a pas trouvé,
Mais tout le monde ne l'a pas trouvé.
Il faudrait que tout le monde réclame auprès des autorités,
Une loi contre toute notre solitude,
Que personne ne soit oublié,
Et que personne ne soit oublié
Tout le monde a une seule vie qui passe,
Mais tout le monde ne s'en souvient pas,
J'en vois qui la plient et même qui la cassent,
Et j'en vois qui ne la voient même pas,
Et j'en vois qui ne la voient même pas.
Il faudrait que tout le monde réclame auprès des autorités,
Une loi contre toute notre indifférence,
Que personne ne soit oublié,
Et que personne ne soit oublié.
Tout le monde est une drôle de personne,
Et tout le monde a une âme emmêlée,
Tout le monde a de l'enfance qui résonne,
Au fond d'une heure oubliée,
Au fond d'une heure oubliée."

http://letras.mus.br/carla-bruni/190189/

 

Tout le monde

"Tout le monde est une drôle de personne,
Et tout le monde a l'âme emmêlée,
Tout le monde a de l'enfance qui ronronne,
Au fond d'une poche oubliée,
Tout le monde a des restes de rêves,
Et des coins de vie dévastés,
Tout le monde a cherché quelque chose un jour,
Mais tout le monde ne l'a pas trouvé,
Mais tout le monde ne l'a pas trouvé.
Il faudrait que tout le monde réclame auprès des autorités,
Une loi contre toute notre solitude,
Que personne ne soit oublié,
Et que personne ne soit oublié
Tout le monde a une seule vie qui passe,
Mais tout le monde ne s'en souvient pas,
J'en vois qui la plient et même qui la cassent,
Et j'en vois qui ne la voient même pas,
Et j'en vois qui ne la voient même pas.
Il faudrait que tout le monde réclame auprès des autorités,
Une loi contre toute notre indifférence,
Que personne ne soit oublié,
Et que personne ne soit oublié.
Tout le monde est une drôle de personne,
Et tout le monde a une âme emmêlée,
Tout le monde a de l'enfance qui résonne,
Au fond d'une heure oubliée,
Au fond d'une heure oubliée."

http://letras.mus.br/carla-bruni/190189/

 

domingo, 14 de outubro de 2012

Faltam seis meses

Ai, que saudade do meu sorriso...

Faltam seis meses

Ai, que saudade do meu sorriso...

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Letramento conjugal

Eu disse que iria com ele; isso é um fato. Havíamos já há algum tempo estabelecido esse planejamento. Configuramos nossas vidas visando a acessar mais facilmente nossas atribuições dentro de uma concepção comum acerca do que vem a ser um relacionamento. Absorvia todas aquelas regras e pensava: Continue assim - isso é só um teste; você está indo bem. Desenvolvemos uma planilha de gastos mensais e outra de tarefas domésticas, mais um cardápio semanal com os nutrientes e calorias necessários para uma vida, digamos, sem muitas emoções. Investigamos por um período aproximado de seis meses qual seria o animal de estimação mais adequado para as dimensões exatas de nosso apartamento - os resultados foram inconclusivos. Estabelecemos um plano de ação que abarcava atividades a serem realizadas dentro de nosso tempo livre, que fora calculado com precisão de forma a otimizar horários vagos em comum. O coito era programado para atender às necessidades fisiológicas e reprodutivas simultaneamente. Os vícios foram erradicados com o objetivo de aumentar o valor das parcelas do financiamento imobiliário, e atividades remuneradas esporádicas foram incorporadas à rotina a fim de alimentar o fundo de pensão, o de reformas eventuais e o de viagens de fim de ano. Criou-se um mecanismo sólido, acima de qualquer suspeita - e a máquina ia girando sem grandes atribulações. Ao antecipar qualquer tipo de problema, meu marido não fazia economia: adquiria o óleo mais sofisticado e sem demora lubrificava o segmento que começava a dar sinais de ferrugem ou descarrilhamento. Essas pequenas extravagâncias serenavam meus anseios por um momento, e no próximo já havia uma série de outras atribuições a serem cumpridas. A disciplina organiza o tempo produtivo e otimiza o tempo ocioso em torno do trivial. Falta-me, por conseguinte, embasamento para compreender o motivo pelo qual vive-se de maneira total e completamente diversa. Ah, mas isso é história para outra história. Eu disse que iria com ele; isso é um fato. Vesti minha melhor roupa, escovei os cabelos e usei o perfume mais apropriado para a ocasião. À porta da rua, senti-me indisposta, o que não constituía motivo relevante para uma recusa de acordo com nosso código de conduta. Tirei os sapatos, gritei, rasguei as roupas caras que envolviam meu corpo saudável, perfumado, macio, intacto... subi as escadas. Mergulhei na banheira quente e aguardei que ele chegasse com uma xícara de chá e uma dose de calma. Em poucos minutos ele trouxe o chá e a calma. Sentou-se ao meu lado e tirou do bolso um frasco conhecido. Olhou-me nos olhos com ternura e tomou metade dos comprimidos; eu o observava em silêncio. Sem dificuldade, cumpriu aquela última tarefa com a classe que nunca haveria de abandoná-lo - estendeu-me o vidro. Eu disse que iria com ele; isso é um fato. Havíamos já há algum tempo estabelecido esse planejamento. Ele entrou na banheira com meu terno preferido e abraçou-se ao meu corpo trêmulo. Ficamos ali, eu a afagar seus cabelos descoloridos pelo tempo, enquanto ele gradualmente empalidecia, não sei se pelo medo da morte ou por cogitar a ideia de que eu não o faria. Ainda que os anos tenham tecido uma colcha pesada sobre minha memória, lembro-me desse dia com bastante clareza.

Letramento conjugal

Eu disse que iria com ele; isso é um fato. Havíamos já há algum tempo estabelecido esse planejamento. Configuramos nossas vidas visando a acessar mais facilmente nossas atribuições dentro de uma concepção comum acerca do que vem a ser um relacionamento. Absorvia todas aquelas regras e pensava: Continue assim - isso é só um teste; você está indo bem. Desenvolvemos uma planilha de gastos mensais e outra de tarefas domésticas, mais um cardápio semanal com os nutrientes e calorias necessários para uma vida, digamos, sem muitas emoções. Investigamos por um período aproximado de seis meses qual seria o animal de estimação mais adequado para as dimensões exatas de nosso apartamento - os resultados foram inconclusivos. Estabelecemos um plano de ação que abarcava atividades a serem realizadas dentro de nosso tempo livre, que fora calculado com precisão de forma a otimizar horários vagos em comum. O coito era programado para atender às necessidades fisiológicas e reprodutivas simultaneamente. Os vícios foram erradicados com o objetivo de aumentar o valor das parcelas do financiamento imobiliário, e atividades remuneradas esporádicas foram incorporadas à rotina a fim de alimentar o fundo de pensão, o de reformas eventuais e o de viagens de fim de ano. Criou-se um mecanismo sólido, acima de qualquer suspeita - e a máquina ia girando sem grandes atribulações. Ao antecipar qualquer tipo de problema, meu marido não fazia economia: adquiria o óleo mais sofisticado e sem demora lubrificava o segmento que começava a dar sinais de ferrugem ou descarrilhamento. Essas pequenas extravagâncias serenavam meus anseios por um momento, e no próximo já havia uma série de outras atribuições a serem cumpridas. A disciplina organiza o tempo produtivo e otimiza o tempo ocioso em torno do trivial. Falta-me, por conseguinte, embasamento para compreender o motivo pelo qual vive-se de maneira total e completamente diversa. Ah, mas isso é história para outra história. Eu disse que iria com ele; isso é um fato. Vesti minha melhor roupa, escovei os cabelos e usei o perfume mais apropriado para a ocasião. À porta da rua, senti-me indisposta, o que não constituía motivo relevante para uma recusa de acordo com nosso código de conduta. Tirei os sapatos, gritei, rasguei as roupas caras que envolviam meu corpo saudável, perfumado, macio, intacto... subi as escadas. Mergulhei na banheira quente e aguardei que ele chegasse com uma xícara de chá e uma dose de calma. Em poucos minutos ele trouxe o chá e a calma. Sentou-se ao meu lado e tirou do bolso um frasco conhecido. Olhou-me nos olhos com ternura e tomou metade dos comprimidos; eu o observava em silêncio. Sem dificuldade, cumpriu aquela última tarefa com a classe que nunca haveria de abandoná-lo - estendeu-me o vidro. Eu disse que iria com ele; isso é um fato. Havíamos já há algum tempo estabelecido esse planejamento. Ele entrou na banheira com meu terno preferido e abraçou-se ao meu corpo trêmulo. Ficamos ali, eu a afagar seus cabelos descoloridos pelo tempo, enquanto ele gradualmente empalidecia, não sei se pelo medo da morte ou por cogitar a ideia de que eu não o faria. Ainda que os anos tenham tecido uma colcha pesada sobre minha memória, lembro-me desse dia com bastante clareza.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Sinais

Nunca tive pretensão alguma e por isso querem que eu sinta culpa agora. A cada braçada, bebo um pouco d'água - pois se até a tentação me ignora... Acreditei nas cartas marcadas do universo e fui deixando que o tempo me empurrasse, que Deus me carregasse ou salpicasse o chão com estrelas douradas que me mostrariam o caminho. Bem, aqui estou: sempre inquieta, nunca sozinha, a olhar pro lado na esperança de alguém me cutucar e dizer que eu estou fazendo tudo errado, que esse negócio de captar os sinais do cosmos é coisa pra gente mais esperta ou coco descomplicado; que eu complico demais por entender de menos, que a resposta está ali, ali, ó, logo depois do meu quadrado. Não chego a buscar outro lugar, mas danço, canto, estudo e penso e tento digerir tudo aquilo e me pergunto tanta coisa e dirijo como gostaria de correr, vôo de olhos abertos... engulo a comida num pulo e sempre tenho um insight na hora de me trocar, uma luzinha dentro da minha cabeça dizendo Ah, Érika, vai com essa que vai fazer muito calor hoje - TRUST ME. Eu acredito. Saio bonita, graciosa, mas chove gatos e cachorros, como dizem os ingleses, e papagaios, meu toque brasileiro. Quase tudo que eu penso é o contrário e já quebrei a cabeça pra olhar bem dentro dela e ver de perto se o parafuso solto pode ser recolocado, recalchutado ou reproduzido em local mais apropriado. O resultado é essa falta de convenções sociais, esse medo do ser humano e esse cansaço que faz doer o corpo de tanto ser lançada num mundo tão grande que mais parece uma prova de múltipla escolha cheia de respostas certas que podem estar erradas. Sou ruim pra caramba em V ou F, me desculpe por chegar a esse lugar sem sonhos no bolso ou balas na boca, sem acreditar em nada. Ao invés de pensar no que eu fiz pra conseguir um vestido branco, flores no cabelo e um quarto-e-sala, feche os olhos e imagine que eu soprei dentro de um balão, ele cresceu, me levou consigo e me deixou aqui, careless, restless but, above all, with no hard feelings.