Nunca tive pretensão alguma e por isso querem que eu sinta culpa agora. A cada braçada, bebo um pouco d'água - pois se até a tentação me ignora... Acreditei nas cartas marcadas do universo e fui deixando que o tempo me empurrasse, que Deus me carregasse ou salpicasse o chão com estrelas douradas que me mostrariam o caminho. Bem, aqui estou: sempre inquieta, nunca sozinha, a olhar pro lado na esperança de alguém me cutucar e dizer que eu estou fazendo tudo errado, que esse negócio de captar os sinais do cosmos é coisa pra gente mais esperta ou coco descomplicado; que eu complico demais por entender de menos, que a resposta está ali, ali, ó, logo depois do meu quadrado. Não chego a buscar outro lugar, mas danço, canto, estudo e penso e tento digerir tudo aquilo e me pergunto tanta coisa e dirijo como gostaria de correr, vôo de olhos abertos... engulo a comida num pulo e sempre tenho um insight na hora de me trocar, uma luzinha dentro da minha cabeça dizendo Ah, Érika, vai com essa que vai fazer muito calor hoje - TRUST ME. Eu acredito. Saio bonita, graciosa, mas chove gatos e cachorros, como dizem os ingleses, e papagaios, meu toque brasileiro. Quase tudo que eu penso é o contrário e já quebrei a cabeça pra olhar bem dentro dela e ver de perto se o parafuso solto pode ser recolocado, recalchutado ou reproduzido em local mais apropriado. O resultado é essa falta de convenções sociais, esse medo do ser humano e esse cansaço que faz doer o corpo de tanto ser lançada num mundo tão grande que mais parece uma prova de múltipla escolha cheia de respostas certas que podem estar erradas. Sou ruim pra caramba em V ou F, me desculpe por chegar a esse lugar sem sonhos no bolso ou balas na boca, sem acreditar em nada. Ao invés de pensar no que eu fiz pra conseguir um vestido branco, flores no cabelo e um quarto-e-sala, feche os olhos e imagine que eu soprei dentro de um balão, ele cresceu, me levou consigo e me deixou aqui, careless, restless but, above all, with no hard feelings.
Esse blog é destinado a compartilhar viagens literárias, e está aberto a seres humanos e afins... Divirtam-se!
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Sinais
Nunca tive pretensão alguma e por isso querem que eu sinta culpa agora. A cada braçada, bebo um pouco d'água - pois se até a tentação me ignora... Acreditei nas cartas marcadas do universo e fui deixando que o tempo me empurrasse, que Deus me carregasse ou salpicasse o chão com estrelas douradas que me mostrariam o caminho. Bem, aqui estou: sempre inquieta, nunca sozinha, a olhar pro lado na esperança de alguém me cutucar e dizer que eu estou fazendo tudo errado, que esse negócio de captar os sinais do cosmos é coisa pra gente mais esperta ou coco descomplicado; que eu complico demais por entender de menos, que a resposta está ali, ali, ó, logo depois do meu quadrado. Não chego a buscar outro lugar, mas danço, canto, estudo e penso e tento digerir tudo aquilo e me pergunto tanta coisa e dirijo como gostaria de correr, vôo de olhos abertos... engulo a comida num pulo e sempre tenho um insight na hora de me trocar, uma luzinha dentro da minha cabeça dizendo Ah, Érika, vai com essa que vai fazer muito calor hoje - TRUST ME. Eu acredito. Saio bonita, graciosa, mas chove gatos e cachorros, como dizem os ingleses, e papagaios, meu toque brasileiro. Quase tudo que eu penso é o contrário e já quebrei a cabeça pra olhar bem dentro dela e ver de perto se o parafuso solto pode ser recolocado, recalchutado ou reproduzido em local mais apropriado. O resultado é essa falta de convenções sociais, esse medo do ser humano e esse cansaço que faz doer o corpo de tanto ser lançada num mundo tão grande que mais parece uma prova de múltipla escolha cheia de respostas certas que podem estar erradas. Sou ruim pra caramba em V ou F, me desculpe por chegar a esse lugar sem sonhos no bolso ou balas na boca, sem acreditar em nada. Ao invés de pensar no que eu fiz pra conseguir um vestido branco, flores no cabelo e um quarto-e-sala, feche os olhos e imagine que eu soprei dentro de um balão, ele cresceu, me levou consigo e me deixou aqui, careless, restless but, above all, with no hard feelings.
domingo, 7 de outubro de 2012
Lá de longe
A distância. À distância? Ah, distância, eu ainda te pego; mas com toda essa distância... Com toda essa distância a cabeça fica doida e passa a criar um milhão de fantasias. A distância é a irmã mais velha da hipocrisia, tia do juízo, juíza do supremo tribunal da vida política, amorosa e desatinos de todo dia. A distância transforma cachorro em gato, olhadinha na rua em amor eterno não realizado... tragédia grega em casinho engraçado. À distância se esquece que aquele príncipe sempre será um sapo e que não há nada de extraordinário naquela história que nasceu, morreu e acabou sem que alguém tivesse sido comunicado. Pois se à distância nem parece que o Collor foi impeachmado... A distância tinha era que curar, não virar palco de maluco ou migalha pra necessitado.
Lá de longe
A distância. À distância? Ah, distância, eu ainda te pego; mas com toda essa distância... Com toda essa distância a cabeça fica doida e passa a criar um milhão de fantasias. A distância é a irmã mais velha da hipocrisia, tia do juízo, juíza do supremo tribunal da vida política, amorosa e desatinos de todo dia. A distância transforma cachorro em gato, olhadinha na rua em amor eterno não realizado... tragédia grega em casinho engraçado. À distância se esquece que aquele príncipe sempre será um sapo e que não há nada de extraordinário naquela história que nasceu, morreu e acabou sem que alguém tivesse sido comunicado. Pois se à distância nem parece que o Collor foi impeachmado... A distância tinha era que curar, não virar palco de maluco ou migalha pra necessitado.
terça-feira, 2 de outubro de 2012
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Attraversare
Foi num domingo não tão distante que te vi pela última vez, olhos aflitos de quem não me veria mais. Não foi como num filme - seu semblante foi tomado pelo medo e eu o lia bem dentro dos seus olhos negros que ainda reconhecia. Num ímpeto, você tomou minha mão e a apertou com força, e por algum motivo entendi que você não queria que eu me fosse porque sabia que não me tornaria a ver. Em tão breves minutos, passaram pela minha frente nossas idas à fazenda, nossas férias animadas com conversas no alpendre e pé de moleque da vovó, a sala cheia de fotos da nossa história, de todos nós, a copa, o seu quarto enfeitado por um mural de momentos em que estivemos todos juntos. Lembrei-me das poucas vezes em que fui à igreja só porque sabia que você estaria lá, pra dizer a todo mundo que te conhecia. Inundaram-me a memória cenas de um tempo fácil ainda quando tudo o mais parecia difícil. Das gandaias às tardes tranquilas, fomos felizes ao nosso jeito. Por que é que pensei que te veria de novo enquanto você me dizia em sonhos que precisava ir? Ainda sinto sua mão frágil apertando a minha com firmeza, e eu me segurando e sorrindo e rezando pelo seu conforto em silêncio, e pensando entre quatro paredes que esse mundo é mesmo injusto, que você não tinha que sofrer assim. Você não. Você é meu avô, um homem forte e bonito... um homem bom. Gostaria de ter te dado a mão, te ajudado a atravessar; gostaria de ter podido te dizer para não ter medo, mas acho que na hora certa você laçou a morte como cavalo bravo, montou em seu dorso resoluto e foi devagarinho rumo à porta do céu, aos braços de Deus. Aqui, fica a saudade. Te amo, vô. Boa viagem.
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